Proposta quer profissionalizar a entrada de novos motoristas no transporte

Incentivos fiscais podem estimular criação de escolas e reduzir a falta de mão de obra qualificada

A falta de motoristas qualificados é hoje um dos maiores desafios do transporte rodoviário de cargas no Brasil. Empresas relatam dificuldade crescente para contratar profissionais preparados, enquanto cooperativas buscam alternativas para formar novos condutores diante da renovação lenta da mão de obra. Nesse cenário, o compromisso nº 10 da Carta de Propostas de Tomio Yano coloca em pauta uma solução estruturante: criar incentivos e subsídios tributários para que empresas e cooperativas implantem escolas de formação e qualificação de motoristas profissionais.

A proposta parte de um diagnóstico já conhecido: o setor depende de profissionais altamente capacitados, mas o país precisa ampliar a rede de formação técnica voltada ao transporte e incentivar a nova geração a buscar mais conhecimento. 

A maioria dos motoristas aprende na prática, sem acesso a cursos de direção defensiva, condução econômica, tecnologias embarcadas, legislação, saúde ocupacional ou segurança viária — temas essenciais para a operação moderna. Existem as escolas do SEST SENAT e algumas escolas privadas, como a Fabet, no entanto, a necessidade de formação precisa ter uma cobertura maior em todo o país e com mais vagas incentivadas. 

O Brasil precisa formar motoristas com padrão profissional, não apenas habilitados. Sem isso, o setor perde competitividade e aumenta riscos nas estradas”, afirma Yano.

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A iniciativa prevê que empresas e cooperativas possam criar suas próprias escolas de formação, com apoio do governo por meio de incentivos fiscais, redução de tributos, linhas de crédito específicas e programas de certificação. O objetivo é estimular a criação de centros de treinamento capazes de preparar novos motoristas e reciclar profissionais já atuantes.

Especialistas em logística avaliam que a medida pode gerar impacto direto na segurança viária, na eficiência operacional e na redução de custos. Motoristas bem treinados tendem a consumir menos combustível, preservar melhor os veículos, evitar acidentes e operar tecnologias embarcadas com mais precisão — fatores que influenciam toda a cadeia logística.

Além disso, a proposta busca enfrentar um problema estrutural: a escassez de novos motoristas. Com a aposentadoria de profissionais experientes e a baixa entrada de jovens na profissão, o setor vive uma crise silenciosa. Escolas de formação poderiam atrair novos talentos, profissionalizar o acesso à carreira e oferecer perspectivas mais claras de desenvolvimento.

aposentadoria
Empresário e ex-caminhoneiro Tomio Yano

Para cooperativas, a medida representa uma oportunidade de fortalecer a base de motoristas autônomos, oferecendo capacitação contínua e padronizando procedimentos. Já para grandes transportadoras, escolas internas podem se tornar um diferencial competitivo, garantindo equipes mais preparadas e alinhadas às exigências do mercado.

O compromisso nº 10 integra o eixo de qualificação profissional e modernização do transporte da Carta de Propostas de Yano. A expectativa é que o tema avance no debate legislativo e que o país desenvolva uma política nacional de formação de motoristas, capaz de elevar o padrão técnico da categoria e preparar o setor para os desafios da próxima década.

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