Roubo de cargas migra para áreas urbanas e concentra prejuízos no Sudeste

Rio de Janeiro lidera perdas no primeiro semestre de 2026, enquanto novas exigências de seguros entram em vigor no transporte rodoviário

O roubo de cargas apresentou mudança no perfil das ocorrências no primeiro semestre de 2026, com avanço dos casos em áreas urbanas e maior concentração dos prejuízos no Sudeste.

Levantamento da nstech mostra que os trechos urbanos passaram de 20,4% para 39,6% do valor das perdas registradas nas operações monitoradas, enquanto a região respondeu por 77,2% dos prejuízos, ante 60,5% no mesmo período de 2025.

O Rio de Janeiro assumiu a liderança entre os estados analisados, elevando sua participação de 16,1% para 36,6% e superando São Paulo, que recuou para 30,9%; Minas Gerais registrou 9,3%. Entre os municípios com maiores perdas estão Rio de Janeiro, Duque de Caxias, São Gonçalo e Nova Iguaçu, responsáveis por 31% do valor apurado.

As rotas SP-SP e RJ-RJ concentraram 28,8% dos prejuízos, enquanto as rodovias BR-101 e BR-116 responderam por 17,1% e 8,2% das perdas, respectivamente. No mesmo período, o seguro RC-DC arrecadou R$ 657,7 milhões e pagou R$ 248,6 milhões em indenizações, segundo a CNseg. Desde 1º de julho, transportadores devem comprovar a contratação dos seguros obrigatórios previstos na Lei nº 14.599/2023 para manter o RNTRC ativo.

Para Marcos Siqueira, presidente da Comissão de Transportes da Federação Nacional de Seguros Gerais (FenSeg), os dados indicam uma redistribuição geográfica dos prejuízos e maior exposição dos transportadores em áreas urbanas.

Saiba mais:
  • Lei Antifacção amplia combate à receptação e busca enfraquecer roubo de cargas
    A sanção da Lei nº 15.358/2026, conhecida como Lei Antifacção, reforça o combate ao roubo de cargas no Brasil ao ampliar os mecanismos de repressão à receptação, principal elo econômico que sustenta a atividade criminosa. A norma prevê medidas como bloqueio e confisco de bens, restrição de benefícios legais, intervenção em empresas e suspensão de CNPJ de organizações envolvidas na comercialização de produtos de origem ilícita. A iniciativa ocorre em um cenário de elevada criminalidade no transporte de cargas: segundo a NTC&Logística, o país registrou 8.570 roubos de cargas em 2025, com prejuízos estimados em R$ 900 milhões, dos quais 3.470 ocorreram em São Paulo. Para o presidente da Federação das Empresas de Transporte de Cargas do Estado de São Paulo (FETCESP), Carlos Panzan, a legislação atende a uma antiga reivindicação do setor ao endurecer as punições contra receptadores, mas exige aplicação com rigor técnico, segurança jurídica e integração entre fiscalização, órgãos de segurança e inteligência para evitar penalizações indevidas e garantir resultados efetivos na redução gradual dos crimes
  • O que mudou no roubo de cargas
    A queda de 16,7% nos roubos de carga em 2025, embora positiva, não representa alívio real para o transporte rodoviário: o crime ficou mais seletivo, urbano e sofisticado, concentrado no Sudeste e focado em cargas de alta liquidez, mantendo prejuízos próximos de R$ 1 bilhão. As quadrilhas agora operam com lógica de “crime logístico”, escolhendo rotas, janelas e vulnerabilidades, o que pressiona transportadoras, embarcadores e seguradoras a investir em tecnologia, análise preditiva e protocolos mais rígidos. A cooperação público‑privada e o novo marco legal contra o crime organizado ajudam, mas o desafio central segue sendo desarticular redes de receptação. O setor entra em uma fase em que o sucesso não será medido apenas pela queda nas ocorrências, mas pela capacidade de reduzir a rentabilidade do crime e fortalecer a segurança das cadeias logísticas.

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Marcos Villela Hochreiter
Marcos Villela Hochreiterhttps://www.frotanews.com.br
Atuo como jornalista no setor da mobilidade desde 1989 em diversas redações. Também nas áreas de comunicação da Fiat e da TV Globo, e depois como editor da revista Transporte Mundial por 22 anos, e diretor de redação de núcleo da Motor Press Brasil. Desde 2018, represento o Brasil no grupo do International Truck of the Year (IToY), associação de jornalistas de transporte rodoviário de 34 países. Desde 2021, também atuo como colaborador na Fabet (Fundação Adolpho Bósio de Educação no Transporte, entidade educacional sem fins lucrativos). Em 2023, fundei a plataforma de notícias de transporte e logística Frota News, com objetivo de focar nos temas que desafiam as soluções para gestão de frotas.
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