Alta do diesel já provoca restrições na compra de combustível em 70% dos postos e maior procura por biocombustíveis

A recente disparada no preço do diesel, impulsionada pelas tensões no Oriente Médio, já começa a afetar diretamente a operação dos postos de combustíveis no Brasil. Um levantamento da Edenred Mobilidade mostra que 70% das redes de postos relataram algum tipo de restrição temporária na compra de combustível, indicando um cenário de pressão crescente sobre a cadeia de abastecimento.

A pesquisa ouviu representantes de 37 redes que, juntas, administram 585 postos distribuídos pelo país, ou 1,3% do total de 44,7 mil postos registrados na ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis). Segundo o estudo, além da alta dos preços, os estabelecimentos enfrentam maior dificuldade para garantir previsibilidade na reposição dos estoques — um desafio que se intensifica especialmente no caso do diesel.

Diesel mais vulnerável às oscilações internacionais

O Brasil ainda depende de importações para atender parte relevante da demanda de diesel. Atualmente, cerca de 25% do diesel consumido no país vem do exterior, o que torna o produto mais sensível a variações internacionais, como preço do petróleo, frete, câmbio e tensões geopolíticas.

De acordo com Vinicios Fernandes, o momento exige atenção redobrada de toda a cadeia, porém, não é um cenário de desabastecimento, mas de restrições pontuais, atrasos e limitações na reposição dos estoques.

Entre os entrevistados, 70% apontam a disponibilidade de combustível como o principal desafio atual. Outros 19% destacam dificuldades no fluxo de caixa para manter os tanques abastecidos, enquanto 11% mencionam a competitividade de preços com postos da região.

Mudança no comportamento do consumidor

A pressão sobre os preços também começa a alterar a dinâmica de consumo. O levantamento indica que 57% das redes perceberam aumento nas vendas de biocombustíveis nas últimas semanas. Embora ainda não seja possível afirmar que há uma mudança de comportamento, o etanol ganhou competitividade por registrar alta mais moderada no período. Segundo Fernandes, o movimento reflete uma busca maior por alternativas.

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