quarta-feira, março 4, 2026

Carga fracionada cresce 40% e impulsiona estratégia da Tragetta no e-commerce

O crescimento do e-commerce no Brasil vem redesenhando a dinâmica da logística de cargas fracionadas, exigindo operações mais ágeis, rastreáveis e adaptáveis a diferentes níveis de complexidade. Nesse cenário, a Tragetta, divisão de transporte de cargas fracionadas do Grupo FEMSA no Brasil, encerrou o segundo semestre de 2025 com faturamento de R$ 800 milhões e cerca de 2 milhões de entregas realizadas, consolidando presença em todos os estados do país.

Com 48 Centros de Distribuição e operações de cross docking, a companhia opera uma malha logística nacional voltada a setores como varejo, bens de consumo, automotivo, eletrônico e farmacêutico — segmentos diretamente impactados pelo avanço das vendas digitais e pela necessidade de entregas mais frequentes e pulverizadas.

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Alice Ana Paiva, diretora Comercial da Tragetta. Foto: Reprodução de redes sociais

Segundo Alice Ana Paiva, diretora comercial da Tragetta, o desempenho é resultado de uma operação desenhada para lidar com diferentes níveis de complexidade regulatória e operacional. “No segmento farmacêutico, um de nossos principais mercados, as exigências variam conforme o perfil do produto e o estudo de viabilidade conduzido por cada laboratório”, afirma.

Carga fracionada como estratégia para o e-commerce

O mercado brasileiro de carga fracionada registrou crescimento de 40% em 2024, impulsionado sobretudo pelo varejo e pelo comércio eletrônico. No modelo fracionado, diferentes embarcadores compartilham o mesmo veículo.

Com mais de 70 anos de experiência, 63 filiais e atendimento a mais de 5.500 municípios, a Tragetta opera com 3.300 veículos próprios e parceiros, incluindo modelos climatizados e elétricos. A estrutura é sustentada por tecnologia embarcada, monitoramento em tempo real e planejamento detalhado de rotas.

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Observação do editor: os 70 anos de experiência inclui as transportadoras adquiridas pelo Grupo Femsa. A Tragetta surgiu da consolidação dessas aquisições,  mais especificamente das transportadoras Atlas e Expresso Jundiaí, que formam a base da operação atual. Antes disso, a divisão brasileira de logística do Femsa operava sob o nome Solística.

O desafio farmacêutico e o controle térmico

Entre os setores mais exigentes está o farmacêutico. No Brasil, o transporte de medicamentos e vacinas enfrenta desafios estruturais relacionados à manutenção da cadeia fria e ao cumprimento de normas regulatórias.

Dados da International Air Transport Association (IATA) apontam que 20% dos medicamentos sensíveis à temperatura sofrem danos durante o transporte devido a flutuações térmicas, gerando perdas anuais estimadas entre US$ 2,5 bilhões e US$ 12,5 bilhões no mundo.

Para mitigar riscos, a companhia utiliza equipamentos para controle de temperatura, umidade e movimentação, além de monitoramento em tempo real e gerenciamento de riscos. As soluções variam entre carga seca, monitorada ou controlada, conforme a necessidade de cada produto.

Expansão regional e interiorização da malha

Para 2026, a estratégia da empresa mira a expansão fora do eixo Rio–São Paulo, acompanhando o avanço do e-commerce e da interiorização do consumo.

A meta é crescer 50% na Região Norte, com destaque para Manaus; avançar 20% no Nordeste, especialmente em Fortaleza; e duplicar a operação no Espírito Santo. O plano prevê ampliar operações já consolidadas, mantendo o padrão de serviço e respeitando as particularidades logísticas de cada região — como infraestrutura rodoviária, sazonalidade de demanda e complexidade tributária.

Sobre o Grupo Femsa no Brasil

O Grupo Femsa opera no Brasil principalmente por meio de três grandes divisões:

  1. Coca-Cola FEMSA Brasil, a maior engarrafadora de refrigerantes do país, responsável pela produção e distribuição de marcas como Coca-Cola, Fanta, Sprite, sucos Del Valle e cervejas como Eisenbahn em 11 fábricas e 47 centros de distribuição em estados como SP, PR, SC e outros;
  2. Oxxo, rede de minimercados de conveniência com controle total assumido pela Femsa em fevereiro de 2026 após o fim da joint venture com a Raízen (Grupo Nós), contando com cerca de 611 lojas concentradas em São Paulo e planos de expansão para 100 novas unidades em 2026;
  3. Tragetta, lançada em maio de 2025 como nova marca de transporte de cargas fracionadas (LTL), sucedendo a Solística e integrando aquisições como Atlas e Expresso Jundiaí, com foco em setores têxtil, farmacêutico e varejista. Além disso, a divisão Imbera mantém uma fábrica de equipamentos para varejo, como geladeiras comerciais, em Itu (SP) desde 2010.

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Marcos Villela Hochreiter
Marcos Villela Hochreiterhttps://www.frotanews.com.br
Atuo como jornalista no setor da mobilidade desde 1989 em diversas redações. Também nas áreas de comunicação da Fiat e da TV Globo, e depois como editor da revista Transporte Mundial por 22 anos, e diretor de redação de núcleo da Motor Press Brasil. Desde 2018, represento o Brasil no grupo do International Truck of the Year (IToY), associação de jornalistas de transporte rodoviário de 34 países. Desde 2021, também atuo como colaborador na Fabet (Fundação Adolpho Bósio de Educação no Transporte, entidade educacional sem fins lucrativos). Em 2023, fundei a plataforma de notícias de transporte e logística Frota News, com objetivo de focar nos temas que desafiam as soluções para gestão de frotas.
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