O crescimento do e-commerce no Brasil vem redesenhando a dinâmica da logística de cargas fracionadas, exigindo operações mais ágeis, rastreáveis e adaptáveis a diferentes níveis de complexidade. Nesse cenário, a Tragetta, divisão de transporte de cargas fracionadas do Grupo FEMSA no Brasil, encerrou o segundo semestre de 2025 com faturamento de R$ 800 milhões e cerca de 2 milhões de entregas realizadas, consolidando presença em todos os estados do país.
Com 48 Centros de Distribuição e operações de cross docking, a companhia opera uma malha logística nacional voltada a setores como varejo, bens de consumo, automotivo, eletrônico e farmacêutico — segmentos diretamente impactados pelo avanço das vendas digitais e pela necessidade de entregas mais frequentes e pulverizadas.
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Segundo Alice Ana Paiva, diretora comercial da Tragetta, o desempenho é resultado de uma operação desenhada para lidar com diferentes níveis de complexidade regulatória e operacional. “No segmento farmacêutico, um de nossos principais mercados, as exigências variam conforme o perfil do produto e o estudo de viabilidade conduzido por cada laboratório”, afirma.
Carga fracionada como estratégia para o e-commerce
O mercado brasileiro de carga fracionada registrou crescimento de 40% em 2024, impulsionado sobretudo pelo varejo e pelo comércio eletrônico. No modelo fracionado, diferentes embarcadores compartilham o mesmo veículo.
Com mais de 70 anos de experiência, 63 filiais e atendimento a mais de 5.500 municípios, a Tragetta opera com 3.300 veículos próprios e parceiros, incluindo modelos climatizados e elétricos. A estrutura é sustentada por tecnologia embarcada, monitoramento em tempo real e planejamento detalhado de rotas.

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Observação do editor: os 70 anos de experiência inclui as transportadoras adquiridas pelo Grupo Femsa. A Tragetta surgiu da consolidação dessas aquisições, mais especificamente das transportadoras Atlas e Expresso Jundiaí, que formam a base da operação atual. Antes disso, a divisão brasileira de logística do Femsa operava sob o nome Solística.
O desafio farmacêutico e o controle térmico
Entre os setores mais exigentes está o farmacêutico. No Brasil, o transporte de medicamentos e vacinas enfrenta desafios estruturais relacionados à manutenção da cadeia fria e ao cumprimento de normas regulatórias.
Dados da International Air Transport Association (IATA) apontam que 20% dos medicamentos sensíveis à temperatura sofrem danos durante o transporte devido a flutuações térmicas, gerando perdas anuais estimadas entre US$ 2,5 bilhões e US$ 12,5 bilhões no mundo.
Para mitigar riscos, a companhia utiliza equipamentos para controle de temperatura, umidade e movimentação, além de monitoramento em tempo real e gerenciamento de riscos. As soluções variam entre carga seca, monitorada ou controlada, conforme a necessidade de cada produto.
Expansão regional e interiorização da malha
Para 2026, a estratégia da empresa mira a expansão fora do eixo Rio–São Paulo, acompanhando o avanço do e-commerce e da interiorização do consumo.
A meta é crescer 50% na Região Norte, com destaque para Manaus; avançar 20% no Nordeste, especialmente em Fortaleza; e duplicar a operação no Espírito Santo. O plano prevê ampliar operações já consolidadas, mantendo o padrão de serviço e respeitando as particularidades logísticas de cada região — como infraestrutura rodoviária, sazonalidade de demanda e complexidade tributária.
Sobre o Grupo Femsa no Brasil
O Grupo Femsa opera no Brasil principalmente por meio de três grandes divisões:
- Coca-Cola FEMSA Brasil, a maior engarrafadora de refrigerantes do país, responsável pela produção e distribuição de marcas como Coca-Cola, Fanta, Sprite, sucos Del Valle e cervejas como Eisenbahn em 11 fábricas e 47 centros de distribuição em estados como SP, PR, SC e outros;
- Oxxo, rede de minimercados de conveniência com controle total assumido pela Femsa em fevereiro de 2026 após o fim da joint venture com a Raízen (Grupo Nós), contando com cerca de 611 lojas concentradas em São Paulo e planos de expansão para 100 novas unidades em 2026;
- Tragetta, lançada em maio de 2025 como nova marca de transporte de cargas fracionadas (LTL), sucedendo a Solística e integrando aquisições como Atlas e Expresso Jundiaí, com foco em setores têxtil, farmacêutico e varejista. Além disso, a divisão Imbera mantém uma fábrica de equipamentos para varejo, como geladeiras comerciais, em Itu (SP) desde 2010.
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