quarta-feira, fevereiro 25, 2026

Roubo de cargas migra para itens essenciais e de alto valor e redesenha mapa de risco no transporte

O perfil do roubo de cargas no Brasil confirma uma mudança das quadrilhas, que ampliam o foco sobre bens essenciais e produtos de maior valor agregado. Levantamentos divulgados por entidades setoriais e empresas de tecnologia, como a Fenatac e a nstech, apontam que as cargas fracionadas continuam na liderança, mas alimentos, eletrônicos, medicamentos e até insumos da siderurgia ganham peso no total de prejuízos.

Segundo dados consolidados ao longo, as cargas fracionadas respondem por cerca de 50% das perdas financeiras em 2025, ainda que em leve retração frente aos pouco mais de 52% registrados em 2024.

O avanço mais expressivo, porém, aparece nos alimentos, que sobem da faixa de 20% para patamares entre 25% e 30% dos prejuízos, dependendo do recorte regional. Eletrônicos consolidam-se na terceira posição, com cerca de 7% no consolidado anual e picos próximos de 18% a 19% em determinados períodos. Medicamentos mais que dobram sua participação, aproximando-se de 4% das perdas, enquanto a siderurgia passa a figurar com cerca de 2% a 3%.

Tipo de carga Tendência em 2025 Participação aproximada em prejuízos Observações principais
Fracionadas Em leve queda, mas ainda lideram ~50% no ano, até 44% em alguns trimestres Alto giro, múltiplos itens por veículo, distribuição urbana intensa
Alimentos Forte crescimento ~26% no ano, até 33% em recortes regionaismateriais Itens essenciais, fácil escoamento, forte presença no Sudeste
Eletrônicos Crescimento e consolidação como alvo de alto valor ~7% no ano, até 18–19% em trimestres específicos Alto valor agregado e revenda rápida, foco em TO e eixos Norte
Medicamentos Participação mais que dobrada ~4% dos prejuízos Itens caros, sensíveis, com impacto direto em saúde
Siderurgia Aumento consistente ~2–3% dos prejuízos Produtos pesados, valor elevado por carga
Combustíveis, pneus, eletrodomésticos Perda de espaço relativo Queda na participação Maior proteção, rastreio e complexidade operacional

Fracionados e alimentos: alta exposição operacional

A liderança das cargas fracionadas está diretamente ligada ao modelo de distribuição urbana. Com múltiplos embarcadores, grande variedade de produtos e elevado número de paradas, esse tipo de operação amplia a exposição a abordagens criminosas, sobretudo em grandes centros. A logística pulverizada, característica do abastecimento do varejo e do e-commerce, cria janelas frequentes de vulnerabilidade.

No caso dos alimentos, o crescimento reflete uma combinação de fatores: demanda constante, fácil escoamento no mercado informal e forte presença nas regiões metropolitanas, especialmente no Sudeste. O varejo alimentar e o atacarejo aparecem entre os segmentos mais impactados, com reflexos diretos no custo do frete, nos prêmios de seguro e, consequentemente, na formação de preços ao consumidor.

Eletrônicos e medicamentos: foco em valor agregado

O avanço dos eletrônicos confirma a migração das quadrilhas para cargas com maior valor por unidade e liquidez rápida. Além da concentração em grandes centros, relatórios indicam aumento de ocorrências em rotas específicas e estados fora do eixo tradicional, como Tocantins, sinalizando diversificação geográfica das ações criminosas.

Já os medicamentos, especialmente os de alto valor e especializados, passaram a demandar reforço em escolta, rastreamento em tempo real, gerenciamento de risco e revisão de apólices. O impacto é significativo para distribuidoras e para a indústria farmacêutica, que enfrentam elevação consistente dos custos logísticos e de segurança. O movimento confirma a avaliação de que o crime organizado está combinando dois eixos estratégicos: bens essenciais de giro rápido e produtos premium com margens mais elevadas.

Construção civil e siderurgia entram no radar

Outro dado relevante é o crescimento da participação de cargas ligadas à siderurgia. Embora ainda representem parcela menor do total, os aumentos sucessivos indicam que materiais metálicos e insumos da construção civil passaram a integrar o radar das quadrilhas. O padrão sugere uma diversificação que vai além dos produtos de consumo imediato.

Por outro lado, segmentos como combustíveis, pneus e eletrodomésticos perdem espaço relativo, movimento atribuído ao reforço em rastreabilidade, maior controle operacional e soluções de monitoramento mais sofisticadas.

Impacto setorial e pressão sobre custos

O novo perfil do roubo de cargas atinge de forma transversal o varejo alimentar, o e-commerce de bens de consumo e eletrônicos, a indústria farmacêutica e cadeias ligadas à construção civil. O efeito prático é a ampliação dos custos com gerenciamento de risco, seguros, tecnologia embarcada e replanejamento de rotas — despesas que acabam incorporadas ao frete e, em última instância, ao preço final dos produtos.

“A mudança de alvo em 2025 representa um ponto de atenção para o próximo ano. Segmentos tradicionais perderam espaço, possivelmente devido ao aumento da complexidade operacional e à maior adoção de tecnologias de rastreamento e bloqueio nessas áreas. Categorias historicamente visadas, como combustível, pneus e eletrodomésticos, apresentaram retração no mapa de prejuízos em 2025, dando abertura para o crescimento de outras como bens essenciais e cargas de alto valor”, analisa Maurício Ferreira, VP de Inteligência de Mercado da nstech.

Por região

O Report nstech de Roubo de Cargas, elaborado pela nstech com dados das gerenciadoras BRK, Buonny e Opentech, mostra uma mudança geográfica em 2025. O Sudeste segue como a região mais crítica, mas sua participação nos prejuízos caiu de 83,2% para 68,1%. O Nordeste manteve estabilidade (12,8%) e o Norte saltou de 0,9% para 11,2%, assumindo a terceira posição. No Sudeste, São Paulo e Rio de Janeiro concentram a maior parte das perdas, com destaque para cargas fracionadas e alimentos. No Norte, o foco recai sobre eletrônicos e itens de alto valor agregado.

O estudo aponta ainda redistribuição do risco ao longo do dia e da semana. A noite permanece como período mais crítico (30,7%), mas houve aumento das ocorrências pela manhã. A quinta-feira tornou-se o dia mais perigoso, superando a segunda, e o domingo registrou alta relevante. Trechos urbanos como RJ x RJ e SP x SP concentram a maior parte dos prejuízos, enquanto a BR-101 superou a BR-116 como rodovia mais crítica. Segundo a nstech, a taxa de sinistros evitados ou recuperados supera 70%, e a sinistralidade caiu 17% em relação a 2024.

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