Reforma Tributária leva 20% das empresas a planejar mudança de centros de distribuição

Pesquisa do ILOS realizada no primeiro semestre de 2026 indica tendência de reorganização logística, com aumento previsto de operações em São Paulo

Uma em cada cinco das maiores empresas do Brasil pretende alterar a localização de seus centros de distribuição entre estados em função da Reforma Tributária. O dado faz parte de uma pesquisa realizada pelo Instituto de Logística e Supply Chain (ILOS) no primeiro semestre de 2026 e divulgada recentemente.

Segundo o levantamento, que envolveu mais de 100 das maiores empresas do país em faturamento, há uma tendência de aumento das operações logísticas no estado de São Paulo, que concentra o maior mercado consumidor do país. A mudança está relacionada à substituição gradual do ICMS pelo Imposto sobre Bens e Serviços (IBS), cuja cobrança ocorrerá no destino do consumo. Com isso, incentivos fiscais estaduais perdem relevância como fator de decisão para a instalação de centros de distribuição.

Com a substituição gradual do ICMS pelo IBS, que será cobrado no destino do consumo, os incentivos fiscais estaduais tendem a perder relevância nas decisões de localização dos centros de distribuição. Segundo Rodrigo Tourinho Nakamura, sócio-executivo do ILOS, as empresas deverão priorizar critérios como eficiência da malha logística, redução de custos operacionais e proximidade dos mercados consumidores.

A pesquisa também mostra preocupação em relação aos custos da Reforma Tributária: em todos os seis componentes logísticos analisados, o percentual de empresas que prevê aumento de despesas superou o grupo que espera redução, indicando um cenário de adaptação e revisão das estratégias logísticas nos próximos anos.

reforma
Fonte: ILOS

No segmento de transportes, 37% das empresas projetam aumento de custos, enquanto 30% acreditam em redução, representando a menor diferença entre os itens avaliados. Em mão de obra de armazenagem, 36% esperam alta de custos e apenas 8% estimam redução.

O estudo aponta ainda que parte significativa das empresas não concluiu a avaliação dos impactos da reforma em determinadas áreas. No caso das importações, 31% informaram não ter realizado essa análise. Em compras de insumos, esse percentual chega a 24%.

De acordo com o ILOS, a combinação entre custos potencialmente mais elevados e redes logísticas estruturadas sob a lógica tributária anterior torna as decisões sobre localização de instalações e desenho das operações um fator relevante para a competitividade empresarial nos próximos anos.

Otimização da operação logística

A pesquisa do ILOS mostra que as empresas estão divididas quanto aos efeitos da Reforma Tributária sobre a cadeia de suprimentos: 45% avaliam que o impacto será positivo ou muito positivo, enquanto 38% acreditam em consequências negativas. Ainda assim, 65% das organizações consideram que as mudanças no sistema tributário poderão aumentar a eficiência das operações logísticas.

Rodrigo Tourinho Nakamura acredita que reforma reduz a influência dos incentivos fiscais estaduais na definição da localização dos armazéns, fazendo com que fatores como redução de custos logísticos e proximidade dos consumidores ganhem maior relevância nas decisões empresariais.

A realocação dos centros de distribuição deve ocorrer de forma gradual ao longo do período de transição da Reforma Tributária. O cronograma prevê 2026 como ano de testes do novo sistema, a extinção do PIS/Cofins e a implementação integral da CBS em 2027, a transição do ICMS e do ISS entre 2029 e 2032, com entrada plena do novo modelo em 2033.

Mesmo com o calendário definido, o nível de preparação das empresas ainda é considerado baixo. Apenas 13% das organizações consultadas afirmam estar totalmente preparadas para as mudanças previstas até 2033.

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