segunda-feira, abril 6, 2026

Fim da validade do MOPP muda regras e amplia responsabilidade das transportadoras

Resolução CONTRAN nº 1.020/2025 elimina a renovação automática dos cursos especializados, como o MOPP, mas impõe atenção redobrada de gestores de frotas, transportadoras e motoristas para garantir segurança jurídica e operacional

A publicação da Resolução CONTRAN nº 1.020/2025, em dezembro de 2025, marca uma inflexão relevante no marco regulatório do transporte rodoviário de produtos perigosos no Brasil. Ao extinguir o prazo geral de validade dos cursos especializados — entre eles o Curso Especializado para Condutores de Veículos de Transporte de Produtos Perigosos (MOPP) —, a norma altera uma lógica histórica de renovação periódica e transfere para empresas e profissionais uma responsabilidade ainda maior na gestão de capacitação, conformidade e riscos operacionais.

A mudança impacta diretamente gestores de frotas, operadores logísticos e transportadoras, que lidam diariamente com cargas de alto risco e com um ambiente regulatório fiscalizado por múltiplos órgãos. Embora a capacitação continue obrigatória, o novo modelo exige leitura atenta da norma e organização documental rigorosa para evitar interpretações equivocadas em fiscalizações.

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O que muda, na prática, para os condutores

Com a nova resolução, não há mais um prazo geral de validade para o MOPP e demais cursos especializados. No entanto, o texto estabelece um corte temporal claro:

  • Condutores cujo MOPP venceu após 9 de dezembro de 2025, data de publicação da norma no Diário Oficial da União, não precisam renovar o curso.
  • Motoristas que tiveram o curso vencido antes dessa data continuam obrigados a realizar a renovação para permanecerem aptos ao transporte de produtos perigosos, conforme as regras vigentes à época do vencimento.

Essa diferenciação cria um cenário híbrido no curto prazo, exigindo que as empresas verifiquem caso a caso a situação de seus condutores, especialmente em frotas maiores ou com alta rotatividade de motoristas.

Segurança operacional segue no centro do debate

Para a Associação Brasileira de Transporte e Logística de Produtos Perigosos (ABTLP), entidade que representa exclusivamente o setor no país, a mudança regulatória não reduz a importância da capacitação contínua — pelo contrário, reforça a necessidade de procedimentos internos robustos.

Segundo Oswaldo Caixeta, presidente da ABTLP, a regularidade das operações deve permanecer como prioridade absoluta. “A ABTLP é uma entidade que preza pela segurança, pela conformidade regulatória e pela excelência nas operações. Os procedimentos internos de verificação de documentação, capacitação técnica e conformidade do condutor já fazem parte da rotina das empresas associadas e devem ser mantidos normalmente”, afirma.

O alerta é especialmente relevante em um segmento que lida com milhares de substâncias de alto potencial de risco. Dados da Organização das Nações Unidas (ONU) indicam que mais de três mil produtos são classificados como perigosos para fins de transporte, exigindo regras claras, treinamento técnico e fiscalização eficiente.

Fiscalização descentralizada amplia riscos de interpretação

No Brasil, o controle do transporte de produtos perigosos envolve diferentes instâncias, como CONTRAN, ANTT e órgãos de fiscalização federais e estaduais. Esse modelo descentralizado, embora necessário em um país de dimensões continentais, amplia o risco de interpretações divergentes no campo.

Diante disso, a ABTLP recomenda que empresas e profissionais redobrem a atenção à organização interna e à documentação, como forma de garantir segurança jurídica. “O texto regulatório é claro quanto à validade, e essa mesma informação já consta de forma expressa na CNH Digital, com a devida referência à resolução e ao artigo que trata do tema. Isso confere maior segurança jurídica aos condutores e às empresas”, destaca Caixeta.

Para gestores de frotas, isso significa alinhar áreas de RH, compliance, jurídico e operações, assegurando que as informações registradas nos sistemas internos estejam coerentes com os dados oficiais.

Pontos ainda em aberto e impactos para 2026

Apesar do avanço regulatório, o setor ainda convive com dúvidas operacionais. Entre os principais questionamentos estão:

  • Em quais situações um condutor pode perder a habilitação do curso especializado, mesmo sem prazo de validade?
  • Haverá orientações complementares ou exigências de atualização periódica de conteúdo?
  • Como essas diretrizes serão comunicadas e aplicadas na prática pelos órgãos fiscalizadores?

A expectativa é que, ao longo de 2026, novas orientações tragam maior clareza e padronização, reduzindo incertezas e fortalecendo a continuidade de operações seguras e em conformidade.

Fonte: Assessoria de imprensa da ABTLP

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Ranking 2025: os 45 caminhões mais vendidos e o que eles revelam sobre as decisões das frotas

O ranking de emplacamentos de caminhões em 2025, divulgado pela Fenabrave (Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores), com base nos dados do Renavam, administrado pelo Denatran, é um dos principais termômetros do mercado brasileiro de veículos comerciais. Para gestores de frotas, operadores logísticos e transportadores, os números vão além da estatística: refletem estratégias de investimento, padronização de frota, controle de custos e adaptação a diferentes perfis de operação.

O levantamento considera todos os veículos de carga com PBT superior a 3.500 kg, incluindo caminhões leves, médios, semipesados e pesados, além de furgões e picapes. Os dados correspondem aos emplacamentos acumulados de 2025. Vale destacar que o ranking inclui modelos que já saíram de linha, mas que obtiveram novo Renavam ao longo do ano, evidenciando estratégias de renovação gradual por parte das frotas.

Ranking Fenabrave 2025 – Caminhões mais vendidos no Brasil

(emplacamentos acumulados – PBT acima de 3.500 kg)

  1. VW Delivery 11.180 – 6.543 unidades – 1º entre os médios
  2. Volvo FH 540 – 5.403 – 1º entre os pesados
  3. Volvo VM 290 – 4.320 – 1º entre os semipesados
  4. Volvo FH 460 – 3.613 – 2º entre os pesados
  5. DAF XF 530 – 3.480 – 3º entre os pesados
  6. Mercedes-Benz Atego 1719 – 3.331 – 2º entre os semipesados
  7. Volvo VM 360 – 3.254 – 4º entre os pesados
  8. Mercedes-Benz Accelo 1017 – 3.210 – 1º entre os leves
  9. Mercedes-Benz Atego 2429 – 3.176 – 3º entre os semipesados
  10. VW Constellation 17.210 – 3.036 – 4º entre os semipesados
  11. VW Constellation 26.260 – 2.974 – 5º entre os semipesados
  12. Scania R 460 – 2.599 – 5º entre os pesados
  13. DAF XF 480 – 2.296 – 6º entre os pesados
  14. Volvo FH 500 – 2.223 – 7º entre os pesados
  15. Mercedes-Benz Accelo 1117 – 2.155 – 2º entre os médios
  16. VW Constellation 31.320 – 2.148 – 6º entre os semipesados
  17. VW Delivery 9.180 – 1.972 – 2º entre os leves
  18. VW Constellation 28.4808º entre os pesados
  19. Iveco S-Way 480 – 1.861 – 9º entre os pesados
  20. VW Constellation 26.320 – 1.775 – 7º entre os semipesados
  21. Mercedes-Benz Atego 3033 – 1.607 – 8º entre os semipesados
  22. VW Constellation 18.260 – 1.589 – 9º entre os semipesados
  23. Mercedes-Benz Actros 2548 – 1.523 – 10º entre os pesados
  24. VW Constellation 27.260 – 1.513 – 10º entre os semipesados
  25. Mercedes-Benz Accelo 817 – 1.162 – 3º entre os leves
  26. Mercedes-Benz Sprinter 517 – 1.058 – 1º entre os semileves
  27. VW Delivery 13.180 – 1.011 – 3º entre os médios
  28. Iveco Tector 11-190 – 867 – 3º entre os médios
  29. Mercedes-Benz Sprinter 417 – 828 – 2º entre os médios
  30. Mercedes-Benz Atego 1419 – 617 – 5º entre os médios
  31. Mercedes-Benz Accelo 917 – 533 – 4º entre os leves
  32. Mercedes-Benz Accelo 1317 – 513 – 6º entre os médios
  33. Iveco Tector 9-190 – 465 – 5º entre os leves
  34. Foton Aumark S 1217A – 449 – 7º entre os médios
  35. Iveco Daily 45-170 – 310 – 3º entre os semileves
  36. Iveco Daily 65-170 – 303 – 6º entre os leves
  37. Mercedes-Benz Accelo 1417 – 281 – 8º entre os médios
  38. VW Constellation 14.210 – 260 – 9º entre os médios
  39. Foton Aumark S 715 – 228 – 7º entre os leves
  40. Iveco Daily 55C17 – 157 – 4º entre os semileves
  41. VW Delivery 6.170 – 142 – 8º entre os leves
  42. Foton Aumark S 916 – 119 – 9º entre os leves
  43. JAC iEV1200T – 100 – 10º entre os leves
  44. VW e-Delivery 11 – 67 – 10º entre os médios
  45. Iveco Daily 55-170 – 34 – 5º entre os semileves
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Stellantis Pro One aposta na micromobilidade elétrica para redesenhar a logística urbana e a última milha

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No Salão do Automóvel de Bruxelas, unidade de veículos comerciais da Stellantis apresenta portfólio completo — da micromobilidade às vans grandes — e sinaliza caminhos concretos para reduzir custos, emissões e gargalos operacionais nas cidades europeias

No 102º Salão do Automóvel de Bruxelas, a Stellantis Pro One apresentou sua estratégia para veículos comerciais e uma completa renovação de vans tradicionais. A unidade global da Stellantis dedicada a LCVs (veículos comerciais leves) usa o evento para apresentar uma leitura pragmática sobre os desafios atuais do transporte urbano: restrições de circulação, pressão por descarbonização, aumento do custo operacional e a crescente complexidade da última milha.

A resposta da companhia aparece em forma de portfólio amplo e flexível, reunindo Citroën, Fiat Professional, Opel e Peugeot, com sete modelos expostos — da micromobilidade elétrica às vans grandes — e, principalmente, com a estreia europeia de um conceito que chama a atenção dos gestores de frotas: o Fiat Professional TRIS, triciclo 100% elétrico voltado para entregas urbanas.

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Micromobilidade deixa de ser “conceito” e vira ferramenta logística

O TRIS representa um movimento relevante dentro da estratégia da Stellantis Pro One. Desenvolvido pelo Stellantis Design Centre, na Itália, e já lançado no Marrocos, o veículo chega à Europa em 2026 mirando um segmento em rápida expansão: micromobilidade aplicada à logística profissional.

Com apenas 3,17 metros de comprimento e raio de giro de 3,05 metros, o TRIS foi pensado para operar onde vans convencionais enfrentam limitações — centros históricos, ruas estreitas, zonas de restrição ambiental e áreas com alta densidade de entregas. Ainda assim, surpreende pelos números: até 540 kg de carga útil homologada, 2,25 m² de área de carga e capacidade para transportar um pallet europeu padrão.

Do ponto de vista operacional, os dados chamam a atenção de quem administra custos: bateria de 6,9 kWh, autonomia homologada de 90 km (WMTC), recarga em tomada doméstica de 220V (0 a 80% em 3,5 horas) e ausência de câmbio ou embreagem, reduzindo complexidade mecânica e manutenção. A velocidade máxima é de 45 km/h.

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CustomFit: personalização como estratégia, não como opcional

Outro pilar reforçado no estande é o Stellantis CustomFit, programa que vai além da simples adaptação de veículos. Com mais de 600 parceiros autorizados globalmente, a Stellantis aposta na personalização com padrão OEM, mantendo garantia total e prazos controlados — um ponto sensível para operadores profissionais.

No caso do TRIS, isso significa poder escolher entre chassis-cabine, plataforma ou picape, além de conversões específicas para diferentes aplicações urbanas, como entregas expressas, serviços técnicos, manutenção ou logística de pequenos volumes.

Para gestores de frotas, a proposta dialoga com uma realidade cada vez mais presente: não existe solução única. A eficiência vem da combinação certa de veículos, tecnologia e configuração operacional.

Ami Cargo e o reforço da micromobilidade extrema

Ao lado do TRIS, a Stellantis exibe o Citroën Ami Cargo, reforçando sua visão de micromobilidade como solução real. Um dos modelos, exposto dentro da caçamba de um Citroën Jumper cabine dupla, ilustra de forma simbólica o conceito: tamanho mínimo, aplicação máxima.

Com até 400 litros de volume útil e 140 kg de carga, o Ami Cargo se posiciona como alternativa para microentregas, serviços urbanos e operações em áreas com restrições severas. O slogan exibido no estande resume bem a proposta: “Construído compacto. Enorme na cidade.”

Vans compactas e médias seguem evoluindo

Apesar do foco na micromobilidade, a Stellantis Pro One não negligencia seu core business. O estande também destaca duas edições especiais com apelo claro ao público B2B:

  • Citroën Berlingo XTR, disponível em versões a combustão e elétrica, combina modularidade, conforto e visual mais robusto. O destaque vai para a cabine Extenso®, que amplia a versatilidade de uso, e para cargas úteis que chegam a 800 kg na versão elétrica.
  • Opel Vivaro Electric Sportive, com motor de 100 kW e autonomia de até 349 km (WLTP), reforça a oferta de vans médias elétricas com foco em imagem, segurança e tecnologia embarcada, como o pacote Dynamic Surround View.
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Iveco e PlusAI testam caminhões autônomos de Nível 4 para operação real

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Em comunidado para imprensa, a Iveco anunciou um novo programa de caminhões pesados com Sistemas de Condução Autônoma de Nível 4. Em parceria com a PlusAI, empresa de software de motorista virtual baseado em inteligência artificial, a montadora italiana pretende colocar em operação os primeiros caminhões pesados autônomos de Nível 4 no Sul da Europa, em cooperação com a operadora logística espanhola Sesé e o Governo de Aragão, na Espanha.

Conheça as diferenças dos seis níveis de condução autônoma

Nível 0: Sem Automação

O motorista é o único responsável por todas as tarefas de condução. O caminhão pode ter sistemas de aviso (como alerta de ponto cego ou aviso de colisão), mas não interfere fisicamente na direção ou nos pedais.

Nível 1: Assistência ao Motorista

O veículo auxilia em apenas uma função por vez: ou o controle lateral (direção) ou o controle longitudinal (frenagem/aceleração).

Exemplo: Piloto automático adaptativo (ACC) que mantém a distância do veículo à frente, mas exige que o motorista controle o volante o tempo todo.

Nível 2: Automação Parcial

O caminhão pode controlar a direção e a velocidade simultaneamente em cenários específicos (como em rodovias). No entanto, o motorista deve permanecer com as mãos no volante (ou monitorando atentamente) e estar pronto para assumir o controle a qualquer milésimo de segundo. É o padrão atual de muitos caminhões modernos de linha.

Nível 3: Automação Condicional

Este é um salto tecnológico grande. O caminhão pode “dirigir sozinho” em certas condições (ex: rodovias com faixas bem sinalizadas e bom tempo).

O Diferencial: O motorista não precisa monitorar a estrada constantemente, mas deve estar disponível para intervir caso o sistema solicite (ex: em zonas de obras ou clima severo). Se o sistema falhar, ele dá um tempo de resposta para o humano assumir.

Nível 4: Alta Automação

O veículo é capaz de realizar todas as funções de direção em domínios operacionais específicos (conhecidos como ODD). No transporte de carga, isso geralmente significa que o caminhão pode viajar de um centro de distribuição a outro apenas em rodovias, sem qualquer intervenção humana.

Segurança: Se algo der errado e o humano não responder, o caminhão é capaz de parar com segurança no acostamento por conta própria. Muitas empresas focam aqui no modelo “Hub-to-Hub”.

Nível 5: Automação Total

O caminhão pode operar em qualquer lugar e em qualquer condição que um motorista humano operaria. Não há necessidade de cabine, volante ou pedais. Ele lida com ruas de terra, cidades complexas, docas de carga e climas extremos de forma totalmente independente.

Um corredor logístico como laboratório real

No âmbito do programa, a Iveco e a PlusAI irão desenvolver dois caminhões Iveco S-Way equipados com capacidades de condução autônoma de Nível 4, impulsionados pelo motorista virtual PlusAI SuperDrive. Diferentemente de pilotos fechados em ambientes controlados, os veículos irão operar em rotas reais de transporte da Sesé, conectando Madri a Zaragoza, ao longo de um corredor logístico de aproximadamente 300 km.

Os testes terão início em 2026 e se estenderão por vários anos, sempre com operador de segurança a bordo, conforme exigências regulatórias. A escolha do eixo Madri–Zaragoza não é aleatória: trata-se de uma das rotas mais relevantes da logística espanhola, com alto fluxo de cargas industriais e de consumo, o que permite validar a tecnologia em condições operacionais próximas da realidade de mercado.

Estratégia tecnológica: automação como pilar

A declaração revela um ponto-chave para o setor: a autonomia de Nível 4 não surge de forma isolada. Ela é a evolução natural de anos de investimentos em ADAS (Advanced Driver Assistance Systems), conectividade, telemetria e inteligência embarcada. Para gestores de frota, isso indica que a transição será progressiva — e que caminhões cada vez mais automatizados coexistirão com operações tradicionais por um longo período.

O papel da PlusAI e a maturidade do Nível 4

Do lado da tecnologia, a PlusAI entra em uma fase estratégica de crescimento, inclusive com sua transição para empresa de capital aberto, via combinação de negócios com a Churchill Capital Corp IX (Nasdaq: CCIX). Para Shawn Kerrigan, COO e cofundador da PlusAI, o projeto com a IVECO e a Sesé demonstra a maturidade da solução.

O que significa, na prática, o Nível 4 para o transporte de cargas

A automação veicular é classificada pela SAE International em seis níveis, do 0 ao 5. No transporte rodoviário de cargas, essa classificação ganha ainda mais peso devido ao porte dos veículos, às longas distâncias percorridas e às exigências de segurança.

No Nível 4 – Alta Automação, foco do projeto da Iveco, o caminhão é capaz de executar todas as funções de direção dentro de um domínio operacional específico (ODD). Em termos práticos, isso significa operações hub-to-hub, normalmente restritas a rodovias bem mapeadas, com faixas definidas e condições previsíveis.

O diferencial crítico está na segurança: se algo foge do previsto e o operador humano não responde, o sistema é capaz de levar o veículo a uma condição segura por conta própria, como parar no acostamento. Para operadores logísticos, isso abre caminho para ganhos relevantes em previsibilidade, redução de incidentes e eficiência operacional, ainda que sem eliminar completamente o fator humano no curto e médio prazo.

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Promessas no papel, gargalos no asfalto: até onde o plano do governo consegue enfrentar o custo Brasil na logística

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Por anos, o chamado custo Brasil foi tratado como um conceito difuso, quase abstrato. Agora, o governo federal tenta reposicionar o tema como um problema objetivo, mensurável e diretamente ligado à competitividade das cadeias produtivas. As declarações do secretário-executivo do Ministério dos Transportes, George Santoro, e publicadas pelo SETCESP (Sindicato das Empresas de Transporte de Cargas de São Paulo e Região) reforçam essa mudança de discurso: logística passou a ser tratada como política econômica. Para gestores de frotas, operadores logísticos e embarcadores, a pergunta central é outra — o quanto as promessas anunciadas dialogam com os problemas reais enfrentados diariamente nas estradas, nos acessos portuários e na formação do custo do frete?

O diagnóstico está correto — e não é novo

O ponto de partida do governo é amplamente conhecido pelo setor. O Brasil não tem como não depender excessivamente do transporte rodoviário, opera com corredores saturados e carece de alternativas modais que gerem alternativas reais para algumas rotas, já que é impossível ter ferrovias para 5.570 municípios e 931 mil endereços com CEP. Mas há como melhorar a infraestrutura nas rotas de grande volume de cargas fechadas.

O exemplo citado por Santoro — o custo de levar uma carga de Sinop (MT) até o Porto de Santos supera o frete marítimo até a China — não surpreende quem opera no dia a dia.

Para o gestor de frota, essa distorção aparece na prática em forma de:
  • consumo elevado de combustível,
  • tempo improdutivo do veículo,
  • aumento de custo de manutenção,
  • risco operacional maior,
  • seguros mais caros,
  • necessidade de frota reserva para compensar atrasos.

Ou seja, o custo Brasil não está apenas no pedágio ou no diesel, mas na imprevisibilidade estrutural da operação.

Corredores logísticos: promessa antiga, execução lenta

A ênfase do governo na reorganização de corredores logísticos é correta do ponto de vista técnico. A BR-163 é um exemplo emblemático. Na safra, o fluxo contínuo de caminhões transforma a rodovia em um “comboio informal”, como descreveu o secretário. Para o transportador, isso significa filas, horas de motor ligado, desgaste de pneus e motoristas fora do ciclo ideal de jornada.

A promessa de duplicações no Mato Grosso, terceira faixa no Pará e a criação de uma alternativa ferroviária com a Ferrogrão responde ao problema estrutural. No entanto, há um descompasso claro entre o horizonte dessas obras e a urgência do setor. Mesmo com avanços no Supremo Tribunal Federal, a Ferrogrão ainda é um projeto de médio e longo prazo, enquanto o custo logístico é pago diariamente.

Para quem gerencia frota, isso significa continuar operando em um ambiente onde o planejamento é constantemente refeito por fatores fora do controle do operador.

Régis Bittencourt: imprevisibilidade que não entra na planilha

A Régis Bittencourt talvez seja o exemplo mais claro da diferença entre tarifa e custo real. Os 52 dias de interrupção acumulados em um ano, citados por Santoro, não aparecem na tabela de pedágio, mas impactam diretamente:

  • cumprimento de contratos,
  • janelas de entrega,
  • custos com estadia,
  • multas por atraso,
  • desgaste da relação com o cliente final.

O redesenho do projeto para separar tráfego local e de longa distância é tecnicamente consistente e atende a uma demanda antiga do setor. A questão, novamente, é o tempo. Enquanto os projetos não saem do papel, o operador precisa absorver riscos que não são precificados de forma transparente no frete.

Portos: gargalo fora do radar do caminhoneiro, mas dentro do custo

Ao trazer os acessos portuários para o centro do debate, o governo toca em outro ponto sensível. Conflitos entre ferrovia, rodovia e áreas urbanas, como no Porto de São Francisco do Sul, mostram que resolver apenas o eixo rodoviário não elimina o gargalo.

Para a logística rodoviária, isso se traduz em filas externas, pátios improvisados, aumento do tempo de ciclo do veículo e perda de produtividade da frota. A defesa de uma visão integrada — rodovia, ferrovia, porto e hidrovia — é coerente, mas exige coordenação entre diferentes níveis de governo, concessionárias e operadores, algo historicamente difícil no Brasil.

Competição entre modais: promessa estrutural, impacto gradual

A ampliação da competição entre modais é, talvez, a promessa mais estruturante — e a mais lenta em termos de resultado. No curto prazo, o gestor de frota não verá uma redução imediata de custo apenas pela expectativa de novas ferrovias ou hidrovias. No médio e longo prazo, porém, a existência de alternativas tende a:

  • reduzir a pressão sobre o transporte rodoviário,
  • equilibrar tarifas,
  • permitir especialização da frota em trechos mais eficientes.

Hoje, como o próprio secretário admite, muitas empresas transportam a própria carga por falta de opção competitiva. Isso distorce o mercado e limita ganhos de eficiência.

Plano Nacional de Logística: avanço conceitual, desafio operacional

A revisão do Plano Nacional de Logística com base em dados reais de origem e destino de cargas é um avanço importante. Para o setor, trabalhar com o conceito de corredor logístico — e não apenas com trechos isolados — aproxima o planejamento público da realidade operacional.

A consulta a grandes agentes do mercado também indica uma tentativa de alinhar expectativa e investimento. O desafio será transformar esse diagnóstico qualificado em obras entregues, contratos estáveis e previsibilidade regulatória.

Entre a promessa e o frete pago no fim do mês

Do ponto de vista do gestor de frotas e operadores logísticos, o discurso do governo acerta ao reconhecer que o custo Brasil é, sobretudo, um problema de previsibilidade e eficiência. As promessas — corredores logísticos, integração modal, ampliação de capacidade e uso intensivo de dados — vão na direção correta.

O risco está no tempo de maturação dessas políticas frente à urgência do setor. Enquanto projetos estruturantes avançam lentamente, o transporte segue absorvendo custos elevados, riscos operacionais e margens comprimidas.

Reduzir o custo Brasil não será resultado de uma obra ou leilão isolado, mas de uma sequência consistente de entregas. Até lá, a logística brasileira seguirá operando entre a promessa de eficiência futura e a realidade de um frete pressionado no presente.

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BYD confirma produção do Song Plus em Camaçari com novas oportunidades para operadores logísticos

A confirmação de que o SUV híbrido plug-in BYD Song Plus será produzido no complexo industrial de Camaçari (BA) ainda em 2026 consolida um movimento que vai além da ampliação do portfólio nacional da montadora. Para gestores de frotas, transporte e logística, o anúncio sinaliza aumento da cadeia automotiva brasileira, com impactos diretos sobre custos, previsibilidade operacional e dinâmica logística regional e nacional.

O Song Plus será o quarto modelo fabricado localmente pela BYD, ao lado do Dolphin Mini, King e Song Pro. Em pouco mais de 60 dias de operação, a planta baiana já soma uma produção próxima de 20 mil veículos, número expressivo para uma fábrica inaugurada em outubro e que evidencia a capacidade de escala do projeto.

Inicialmente, o Song Plus produzido no Brasil manterá as mesmas configurações do modelo atualmente vendido no mercado nacional, reduzindo riscos industriais e acelerando a transição da importação para a produção local.

A nacionalização de um dos SUVs eletrificados mais vendidos do país reduz a dependência de cadeias globais longas e expostas a gargalos logísticos, variações cambiais e incertezas tarifárias. Embora o modelo tenha sido substituído na China, a montadora deixa claro que a estratégia do mercado chinês difere da adotada em outros países.

Seguimos construindo a marca que vai ser a líder de vendas no Brasil e estamos cumprindo uma agenda já prevista de nacionalizarmos a produção dos nossos best-sellers”, afirmou Alexandre Baldy, vice-presidente sênior e head comercial e marketing da BYD do Brasil em comunicado enviado à Frota News. Segundo o executivo, a ampliação da gama de fornecedores brasileiros e a geração de empregos regionais fazem parte do plano de longo prazo da empresa no país.

Investimentos e escala como diferencial competitivo

Dos R$ 5,5 bilhões previstos para esta fase de construção e ampliação do complexo de Camaçari, mais de R$ 3 bilhões já foram aplicados. A BYD ainda admite a possibilidade de ampliar o aporte, mirando uma meta ambiciosa de 600 mil unidades produzidas por ano. Para o setor de frotas e logística, esse volume indica capacidade de atendimento em larga escala e maior previsibilidade para contratos corporativos e operações de longo prazo.

A fábrica retomou as atividades em 8 de janeiro, após recesso iniciado em 20 de dezembro. Desde a inauguração oficial, em 9 de outubro, já foram produzidos cerca de 18 mil veículos, resultado que, segundo a empresa, foi fundamental para consolidar sua estratégia de crescimento no mercado brasileiro. A produção local é apontada como o principal diferencial competitivo frente à concorrência, especialmente diante do fim gradual dos incentivos tarifários às importações.

Impactos diretos na logística e no transporte

A ampliação da produção em Camaçari coloca o complexo no caminho para se tornar um hub logístico-industrial de grande escala. Com a operação plena de áreas como soldagem, estamparia e pintura, o fluxo de insumos e autopeças aumentará de forma significativa, elevando a demanda por transporte dedicado, operações just‑in‑time e maior previsibilidade nos contratos logísticos.

Além disso, o modelo logístico passa a ser híbrido, combinando componentes importados, produção nacional e distribuição interna em larga escala, o que aumenta a complexidade, mas traz estabilidade de volumes ao longo do ano. No médio prazo, a expectativa de produção anual na casa das centenas de milhares de veículos deve estimular investimentos em infraestrutura, pátios, centros de consolidação e serviços especializados. A frota usada na logística interna e regional também tende a evoluir, pressionada por demandas de maior eficiência energética e melhor desempenho ambiental.

A fábrica de Camaçari conta atualmente com mais de 2 mil colaboradores, com expectativa de chegar a 5 mil trabalhadores até o fim do ano, reforçando o efeito multiplicador sobre a economia regional e o ecossistema logístico local.

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Veículos elétricos entram no radar do crime e impõem novo desafio à logística eletrificada

A logística eletrificada no Brasil já nasce cercada de obstáculos conhecidos pelos gestores de frotas: custo elevado dos veículos, necessidade de infraestrutura de recarga, incertezas regulatórias e desafios operacionais no dia a dia. Agora, um novo fator passa a pressionar esse modelo: o avanço dos roubos e furtos de veículos eletrificados, que começam a chamar a atenção das quadrilhas especializadas em crime patrimonial.

Embora ainda sejam minoria nas ruas, os carros elétricos e híbridos já entraram de vez no radar do crime organizado. Em São Paulo, principal mercado automotivo do país e polo logístico nacional, os registros de roubos e furtos desse tipo de veículo dobraram em apenas um ano. Entre janeiro e outubro de 2025, as ocorrências saltaram de 44 para 88 casos, conforme boletins de ocorrência registrados pela Polícia Civil de São Paulo. Em números absolutos, o volume ainda é pequeno quando comparado ao total da frota circulante, mas o ritmo de crescimento acende um sinal de alerta.

O dado se torna ainda mais relevante quando comparado à expansão do mercado. No mesmo período, as vendas de veículos elétricos e híbridos no estado cresceram cerca de 70%, enquanto os crimes avançaram 100%. Ou seja, o interesse criminoso cresce em ritmo superior ao da própria eletrificação da frota. O modelo mais visado é o Corolla Cross híbrido, um dos eletrificados mais vendidos do país, com forte presença também em frotas corporativas e operações de mobilidade.

Por que os eletrificados se tornaram alvos?

Há razões econômicas e operacionais por trás desse movimento. A principal delas está no valor agregado dos componentes. A bateria, sozinha, pode representar até 40% do preço total do veículo no mercado paralelo. Trata-se de um ativo de alto valor, difícil rastreabilidade e com demanda crescente, seja para reposição, reaproveitamento como bateria estacionária ou desmanche pelos valores das matérias-prima.

Outro ponto crítico é a escassez global de peças. Componentes eletrônicos, módulos de controle e itens específicos da arquitetura elétrica seguem com oferta limitada, o que encarece o mercado de reposição e aumenta o apetite do crime organizado. Para as quadrilhas, o eletrificado passa a oferecer margens mais altas do que veículos convencionais.

Há também uma vulnerabilidade tecnológica. Muitos sistemas de rastreamento e antifurto disponíveis no mercado brasileiro foram desenvolvidos para veículos a combustão e não dialogam plenamente com a arquitetura elétrica. Em alguns casos, a desconexão da bateria de alta tensão ou a manipulação do sistema elétrico compromete o funcionamento de rastreadores tradicionais, reduzindo as chances de recuperação.

A “nova logística” do crime

Talvez o aspecto mais preocupante para gestores de frotas seja o surgimento de uma verdadeira “logística do crime” adaptada aos veículos elétricos. Diferentemente dos modelos a combustão, esses veículos não precisam passar por postos de abastecimento, locais tradicionalmente monitorados. Com ligações clandestinas de energia (“gatos”) e pontos improvisados de recarga, os veículos roubados conseguem permanecer escondidos por mais tempo, dificultando ações policiais e ampliando o ciclo do crime.

Esse novo modus operandi exige uma revisão profunda das estratégias de segurança patrimonial nas operações logísticas. O risco deixa de estar apenas no trajeto ou na carga e passa a incluir o próprio ativo veicular, agora mais valioso e mais complexo.

Impacto direto para gestores de frotas

Para quem opera ou planeja operar frotas eletrificadas, o avanço desse tipo de crime representa mais uma variável na equação do custo total de propriedade (TCO). Seguros tendem a ficar mais caros, exigências de gerenciamento de risco se tornam mais rígidas e investimentos adicionais em tecnologia de proteção passam a ser inevitáveis.

O momento é sensível porque o mercado segue aquecido. Em 2025, quase 224 mil veículos elétricos foram vendidos no Brasil, alta de 26% em relação a 2024. No momento, este volume representa mais de 98% de veículos de passeios e um volume ainda muito pequeno de veículos comerciais leves eletrificados. Mas, a tendência é de crescimento contínuo, impulsionada por metas ambientais, políticas de descarbonização e pressão de grandes embarcadores por operações mais sustentáveis.

Segurança como pilar da eletrificação

Diante desse cenário, a eletrificação da logística deixa de ser apenas um debate ambiental ou econômico e passa a ser também uma questão de segurança. Gestores de frotas precisam avaliar soluções de rastreamento específicas para veículos elétricos, integração com telemetria avançada, monitoramento de baterias e protocolos de resposta rápida em caso de sinistro.

A transição energética no transporte não pode ignorar a gestão de risco. Se, por um lado, os veículos elétricos representam eficiência, redução de emissões e inovação, por outro, já exigem uma abordagem mais robusta de proteção patrimonial. Para o crime organizado, eles já não são novidade. Para o setor logístico, acende um alerta.

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Arocs além do Brasil: o que as versões internacionais revelam sobre o potencial do modelo

No Brasil, o Mercedes-Benz Arocs ocupa um espaço bem definido no portfólio da marca. Voltado a aplicações severas, o modelo é oferecido em configurações específicas: chassi rígido e cavalo mecânico 6×4, além de uma versão basculante 8×4, e potências que chegam a 530 cv. É uma oferta coerente com o perfil médio das obras e da mineração no país, mas bastante conservadora quando comparada ao que a Mercedes-Benz Trucks disponibiliza em outros mercados.

O lançamento do Arocs Extent ajuda a dimensionar essa diferença. Voltado ao setor de construção pesada, o modelo não traz apenas um pacote estético diferenciado, mas reforça como o Arocs pode ser configurado para atender operações ainda mais extremas — e, principalmente, como a marca explora o caminhão também como um ativo de imagem e valorização da frota.

Visualmente, o Arocs Extent se distancia do padrão visto no Brasil. O acabamento em cinza fosco, a grade frontal com logotipo “Arocs” em cromado escuro, os faróis de LED com luzes adicionais integradas ao para-sol e os elementos decorativos com efeito carbono constroem uma identidade forte. Soma-se a isso o uso de aço inoxidável em tampas e porcas de eixo, reforçando uma percepção de robustez premium.

Para o frotista europeu, especialmente no setor de construção, esse tipo de diferenciação não é apenas estética: ajuda na valorização do ativo, no orgulho do motorista e até na imagem corporativa junto a clientes e parceiros.

Motores que vão além do teto brasileiro

Outro ponto que chama atenção é a oferta de motores. Enquanto o Arocs nacional se limita a potências de até 530 cv, o Extent pode ser equipado com três opções Euro VI:

  • OM 470, com até 456 cv;
  • OM 471 (3ª geração), com até 530 cv, já conhecido por aqui;
  • OM 473, com impressionantes 625 cv, oferecido na Europa e na Argentina.

O OM 473 é um seis cilindros em linha de 15,6 litros, com injeção X-Pulse de até 2.700 bar e tecnologia de turbo composto, que reaproveita a energia dos gases de escape para elevar eficiência e torque em operações extremas.

No contexto brasileiro, a pergunta é inevitável: haveria mercado para um Arocs acima dos 600 cv? Em nichos como mineração pesada, obras de grande porte, transporte fora de estrada e operações florestais, a resposta tende a ser positiva — desde que acompanhada de uma equação econômica viável.

Cabine digital e foco no motorista

O Arocs Extent também evidencia o avanço da digitalização nos caminhões de construção. O Multimedia Cockpit Interactive 2 vem de série, com painel digital de 12 polegadas, tela sensível ao toque, comandos por voz e acesso rápido a funções críticas do trabalho, como tomadas de força, navegação específica para operações pesadas e o Controle Preditivo do Trem de Força (PPC).

Esse conjunto reforça uma tendência que, mesmo em aplicações severas, conforto, conectividade e gestão eletrônica passaram a ser fatores estratégicos. Para o gestor de frota, isso significa mais dados, melhor controle operacional e potencial redução de consumo e desgaste mecânico.

Mais do que uma edição limitada, o Arocs Extent funciona como um termômetro: revela até onde a Mercedes-Benz consegue levar o conceito do Arocs. Resta saber quando — e em que medida — esse “outro Arocs” fará sentido para as estradas, canteiros de obras e minas do Brasil.

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Crise dos Correios foi o estopim para o encerramento das atividades da FedEx no Brasil? Entenda

Encerramento foi anunciado pela FedEx nesta quarta (7); crise de serviços e da falta de competitividade no setor agrava o cenário

A FedEx, gigante americana de logística presente no Brasil há mais de três décadas, anunciou nesta quarta (7) o encerramento gradual de suas operações de transporte doméstico no país, mantendo apenas os serviços internacionais e soluções de supply chain. Esta decisão, comunicada a clientes e parceiros, marca o fim de uma era para a companhia no segmento de entregas internas, com coletas previstas até 6 de fevereiro de 2026 e conclusão das entregas já contratadas dentro dos prazos estabelecidos.

Conforme nota oficial da empresa, a medida faz parte de um realinhamento estratégico para responder proativamente às dinâmicas do mercado, concentrando esforços em operações onde possui maior vantagem competitiva — especialmente remessas internacionais e serviços integrados de cadeia de suprimentos. O processo de desmobilização das operações domésticas deve se estender até junho de 2026, incluindo o fechamento de estruturas logísticas internas e desligamento de equipes ligadas ao serviço nacional.

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Embora não exista nenhuma citação direta, todo o contexto geral do setor logístico brasileiro tem sido marcado por desafios significativos enfrentados pela crise dos Correios, incluindo atrasos, dificuldades operacionais e pressões financeiras, que reverberam em toda a cadeia de entregas no país.

Para o advogado Fernando Canutto, sócio do Godke Advogados e especialista em Direito Empresarial, a decisão da FedEx reflete mais do que um movimento isolado.

“O encerramento das atividades domésticas da FedEx no Brasil expõe fragilidades estruturais no setor logístico, que vão além de uma simples estratégia empresarial. A crise de serviços e a falta de competitividade no mercado nacional, criam um ambiente onde operadores privados encontram dificuldades para manter operações com escala e rentabilidade. Soma-se a esta tempestade perfeita, o fato da FedEx ter como principal concorrente no Brasil, um player aloprado com uma marca centenária na mente de todo brasileiro, e que não tem qualquer compromisso com eficiência, dando-se ao luxo de apresentar prejuízos consecutivos, custeados pelos pagadores de impostos”.

Segundo ele, a FedEx está reposicionando sua atuação para onde tem maior previsibilidade e retorno. “Isso porque o transporte doméstico no Brasil enfrenta entraves que oneram o custo final ao cliente”.

Operações domésticas x internacionais

Além do impacto competitivo, o encerramento dos serviços domésticos representa uma mudança relevante na oferta de entregas expressas no Brasil, reduzindo opções para consumidores e empresas que dependiam da ampla rede nacional da FedEx. A empresa continuará presente no país, mas com foco claro no transporte internacional e nas soluções de logística que conectam o Brasil a mercados globais — segmentos nos quais tem histórico de atuação consolidada.

O movimento da FedEx sinaliza tendências mais amplas no setor de logística brasileiro: operações domésticas de baixo retorno têm se tornado cada vez menos atraentes para grandes players internacionais em um mercado competitivo e pressionado por custos e estruturas operacionais complexas. Para Canutto, “este é um momento de reflexão para o setor e para os formuladores de políticas públicas, que precisam incentivar um ambiente mais eficiente e sustentável para o transporte e entrega de mercadorias — algo que impacta diretamente a economia e a experiência do consumidor final”.

FedEx
Fernando Canutto, especialista em Direito Empresarial

Embora a FedEx atribua oficialmente a mudança a dinâmicas mercadológicas, o fechamento das atividades domésticas no Brasil ocorre em um contexto de desafios sistêmicos no setor de logística, no qual a crise dos Correios tem desempenhado papel indireto ao influenciar a competitividade e a estrutura de custos das operações no país.

Fonte:

Fernando Canutto Sócio do Godke Advogados e especialista em Direito Empresarial, Societário e Mercado de Capitais. Pós-graduado em Direito Corporativo pelo IBMEC.

 

 

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ANTT amplia rede de Pontos de Parada e Descanso, mas Brasil segue longe do mínimo exigido pela Lei do Motorista

A Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) iniciou a ampliação da rede de Pontos de Parada e Descanso (PPDs) nas rodovias federais concedidas, com a entrega de novas estruturas e a previsão de outras 23 unidades até 2027. Apesar do avanço, os números ainda estão muito aquém do necessário para garantir o cumprimento efetivo da Lei 13.103/2015 (Lei do Motorista) e atender à realidade do transporte rodoviário brasileiro.

Atualmente, o país conta com cerca de 167 PPDs reconhecidos ou certificados pelo Ministério dos Transportes, enquanto estimativas do setor indicam a necessidade de 1.000 a 1.500 pontos estruturados ao longo das rodovias federais e estaduais. Na prática, isso significa que o Brasil opera com menos de 15% da infraestrutura mínima para assegurar jornadas legais, descanso adequado e segurança viária aos motoristas profissionais.

Avanço concentrado nas concessões

Nas rodovias federais concedidas, a implantação dos PPDs faz parte das obrigações contratuais das concessionárias, sob fiscalização da ANTT. Até o momento, oito Pontos de Parada e Descanso já foram entregues e estão em funcionamento, distribuídos em trechos de corredores logísticos como a BR-101, BR-116, BR-153 e BR-163.

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Essas estruturas oferecem estacionamento, banheiros em condições sanitárias minimamente adequadas, áreas de alimentação, espaços de repouso, iluminação e vigilância privada, com funcionamento contínuo e acesso gratuito — requisitos definidos em normas como a Portaria 4.710/2021 e a Resolução ANTT 6.054/2024.

Planejamento avança, mas ritmo é insuficiente

O planejamento atual prevê a implantação de 23 novos PPDs, sendo cinco entregas em 2026 e 18 em 2027. Embora o cronograma represente avanço institucional, especialistas do setor alertam que o ritmo não acompanha a urgência imposta pela legislação.

Pela Lei do Motorista, o condutor não pode dirigir por mais de 5,5 horas ininterruptas. Considerando uma velocidade média entre 60 km/h e 70 km/h, seria necessário um ponto de parada a cada 330 km a 380 km, no máximo. Para garantir margem de escolha e evitar paradas forçadas em locais inseguros, o ideal seria uma oferta a cada 100 km ou 150 km nos principais corredores logísticos.

Gargalos estruturais persistem

Além da concentração dos investimentos em rodovias concedidas, o Brasil ainda enfrenta entraves como o alto custo de segurança e manutenção das áreas de pernoite e a falta de incentivos fiscais capazes de estimular postos e operadores privados a investir na infraestrutura exigida. O tema está no centro das discussões do PL 1.155/2024, que propõe a criação do Selo Amigo do Motorista.

Impacto direto na segurança e na logística

A insuficiência de PPDs obriga motoristas a parar em acostamentos e áreas não autorizadas, elevando o risco de acidentes, roubos de carga e problemas de saúde. Para transportadoras e embarcadores, o déficit também representa maior dificuldade para cumprir a legislação trabalhista e reduzir passivos operacionais.

Apesar do avanço regulatório e da ampliação anunciada pela ANTT, o desafio permanece sem uma expansão adequada e integrada da rede de Pontos de Parada e Descanso, a Lei do Motorista seguirá distante da realidade das estradas brasileiras.

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