Indicador evidencia que infraestrutura deficiente aumenta severidade
dos acidentes em rodovias brasileiras
Metade das rodovias públicas brasileiras avaliadas pela Confederação Nacional do Transporte (CNT) apresenta Baixo Índice de Perdão, indicador que mede a capacidade da infraestrutura viária de reduzir a gravidade das consequências dos acidentes. Os dados fazem parte da terceira edição do Painel CNT de Rodovias que Perdoam, atualizada com informações de 2025 e divulgada hoje (03/06), que mostra piora no desempenho das vias sob gestão pública e manutenção de resultados superiores nas rodovias concedidas.
Segundo o levantamento, 42.052 km de rodovias públicas analisadas foram classificados com Baixo Índice de Perdão, enquanto apenas 4,8% (4.024 km) alcançaram Alto Perdão. Nas rodovias concedidas, o cenário se inverte: 62% (18.670 km) dos trechos avaliados apresentam Alto Índice de Perdão, e somente 2,4% (718 km) foram enquadrados na faixa de Baixo Perdão. No total da malha pesquisada — 114 mil km — 37,5% dos trechos têm Baixo Perdão, 42,7% Médio e 19,9% Alto.
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Para a diretora executiva da CNT, Fernanda Rezende, os resultados reforçam a relação direta entre infraestrutura e gravidade dos acidentes. Ela destaca que, embora o cenário nacional esteja estável em relação a 2024, os avanços permanecem desiguais e exigem ampliação de investimentos, especialmente nas rodovias sob gestão pública.
Desigualdades regionais persistem
A análise territorial revela forte disparidade entre regiões. Sudeste e Sul concentram a maior parte dos trechos com Alto Índice de Perdão, impulsionados pela predominância de concessões. Já Norte, Nordeste e Centro-Oeste permanecem com corredores classificados entre Médio e Baixo Perdão, inclusive em rotas estratégicas para o transporte de cargas e passageiros, o que aumenta riscos e pressiona a necessidade de intervenções estruturais.
O que é o Índice de Perdão da CNT
O Índice de Perdão é um indicador criado pela CNT para medir o quanto uma rodovia é capaz de minimizar a gravidade de um acidente, caso ele ocorra. O conceito se baseia no padrão internacional de forgiving roads — ou “rodovias que perdoam” — que prioriza elementos de segurança passiva, projetados para reduzir danos mesmo quando há erro humano ou falha mecânica.
O cálculo considera a relação entre a severidade dos acidentes e as características físicas da via, avaliando itens como:
- Acostamentos funcionais
- Defensas metálicas e barreiras de concreto
- Áreas livres de obstáculos nas margens
- Atenuadores de impacto
- Geometria e sinalização adequadas
Rodovias com Alto Índice de Perdão oferecem melhores condições para absorver impactos e reduzir lesões graves. Já trechos com Baixo Índice de Perdão tendem a agravar acidentes devido à ausência ou insuficiência desses dispositivos.
Ferramenta interativa e base de dados
O Painel CNT permite consultas por região, estado, tipo de gestão e rodovia, com filtros customizáveis. A ferramenta cruza dados da Pesquisa CNT de Rodovias 2025, registros de acidentes da Polícia Rodoviária Federal (PRF) e informações de tráfego do DNIT, por meio do PNCT. A reportagem será atualizada em breve.
Veja também:
- Asfalto com pneus reciclados
A fase final da construção da Ponte de Guaratuba, no litoral do Paraná, destaca o uso de asfalto‑borracha — tecnologia que incorpora pneus inservíveis ao pavimento, aumentando a durabilidade e reduzindo impactos ambientais. Cerca de 600 toneladas do material, equivalente a 23 mil pneus reciclados, estão sendo aplicadas nos 70 mil m² que abrangem a ponte e seus acessos. Estudos citados pela Frota News mostram que o asfalto‑borracha pode ser 40% mais resistente que o convencional, com vida útil média de 14 anos. A obra também envolve um componente social, já que parte do processamento da borracha é feita por detentos da Colônia Penal Agrícola de Piraquara. Coordenada pelo DER/PR, a nova ponte terá quatro faixas, ciclovia e áreas de segurança, ampliando a mobilidade e o escoamento econômico no litoral paranaense. - Melhor momento para as concessionárias
O Brasil vive um dos maiores ciclos recentes de investimentos em rodovias, impulsionado pelo avanço das concessões e pela entrada mais robusta da iniciativa privada. Nos últimos três anos, foram leiloados 22 trechos, somando mais de 10 mil km e R$ 247 bilhões contratados. Até 2026, os aportes previstos podem superar R$ 149 bilhões. Esse movimento fortalece a previsibilidade dos projetos, acelera obras e já melhora as condições operacionais para o Transporte Rodoviário de Cargas, especialmente nas vias concedidas.
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