Montadoras aceleram lançamentos estratégicos na Eurosatory 2026 enquanto investimentos militares globais batem recordes
A indústria global de defesa vive um superciclo sem precedentes. Os gastos militares devem alcançar R$ 14,9 trilhões em 2025, enquanto os orçamentos de 2026 já ultrapassam R$ 5,2 trilhões apenas nos Estados Unidos. Nesse cenário, montadoras e grupos industriais aceleram projetos, ampliam portfólios e anunciam parcerias estratégicas para atender a uma demanda crescente por veículos militares mais protegidos, conectados e eletrificados.
Entre os destaques, a Daimler Truck consolidou sua presença no setor ao lançar a marca global Daimler Truck Defence, reunindo todas as operações militares da companhia sob uma única identidade. A empresa investirá cerca de três milhões de euros nos próximos anos para expandir engenharia, manufatura, vendas e serviços, com a meta de atingir €1 bilhão em receita de defesa até 2028. Atualmente, cerca de 1.000 funcionários atuam no segmento, impulsionado principalmente pelo polo de Wörth, na Alemanha.
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Segundo Karin Rådström, CEO da Daimler Truck, a defesa é um pilar fundamental da estratégia de crescimento da Daimler Truck. Já Dennis Kinzelmann, CEO da Daimler Truck Defence, reforça que a demanda global por mobilidade militar confiável cresce rapidamente e que a empresa está preparada para entregar soluções “em escala e com altos padrões”.
A nova marca amplia o portfólio para além dos caminhões Mercedes-Benz, incorporando plataformas de outras marcas do grupo e explorando sinergias industriais. A estratégia inclui programas de frota, sustentação logística, integração de sistemas e expansão da rede global de serviços, que já conta com 5.000 unidades em mais de 160 países.
Na Eurosatory 2026, realizada de 15 a 19 de junho em Paris, a Daimler Truck apresentou um conjunto robusto de veículos militares, incluindo versões do Arocs, Zetros, Unimog U 5023 e o chassi especial FGA 14.8, além do UGV GEREON, desenvolvido pela ARX Robotics. Entre as soluções exibidas estavam cabines blindadas, sistemas de armas remotos, plataformas para defesa antiaérea, integração de drones e tecnologias de manutenção digital.
Renault

A feira também marcou uma série de estreias globais de outras montadoras. A Renault, em parceria com a Thales, apresentou o 4 TROOP, um veículo tático híbrido baseado no SUV Rafale, com integração de drones, IA e comunicações seguras. A parceria entre as duas empresas ainda resultou no anúncio da produção conjunta da munição operada remotamente TOUTATIS, com capacidade inicial de 1.000 unidades por mês a partir de 2027.
IDV
A IDV (Grupo Leonardo, antes Iveco Group) lançou sua linha de UGVs de combate, incluindo o VIKING 2.4 e o CL2X, enquanto a Leonardo Rheinmetall Military Vehicles apresentou o novo carro de combate NMBT, baseado no KF-51 Panther, com 69,5 toneladas e sistemas avançados de proteção e combate antidrone.
Sprinter e Classe G
A Mercedes-Benz exibiu a nova G-Class Governmental, adaptada para operações de segurança e emergências, enquanto empresas como Plasan, Hanwha, Otokar e Scania revelaram soluções de blindagem, artilharia, veículos táticos e caminhões híbridos.
Tatra Trucks

A Tatra, do grupo Tatra Defence/CSG, protagonizou duas estreias mundiais: o Tadeas 4×4, veículo de comando com proteção STANAG 4569 nível 4, e o Tatra Force 8×8 Gen 3, plataforma hook-loader com cabine blindada de terceira geração.
Espaço Brasil
O Brasil teve a maior participação na Eurosatory 2026 com 24 empresas brasileiras. A iniciativa, coordenada pela ABIMDE em parceria com a ApexBrasil e com apoio dos Ministérios da Defesa e das Relações Exteriores, reuniu 19 empresas no Espaço Brasil — incluindo IMBEL, AEL Sistemas, XMobots, Kryptus e CBC — e 5 empresas com estandes próprios: Embraer, Condor Tecnologias Não Letais, CBC, Taurus e Mac Jee.
Com investimentos bilionários em curso — como o plano australiano de R$ 2,2 trilhões e o programa brasileiro de R$ 30 bilhões entre 2026 e 2031 —, a Eurosatory 2026 consolidou a tendência de militarização tecnológica, marcada por eletrificação, modularidade, integração de sistemas autônomos e cadeias industriais mais resilientes.
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