Enquanto a FedEx anunciou o encerramento gradual de suas operações de transporte doméstico no Brasil, o Grupo DHL fez o movimento inverso. A companhia reuniu hoje (04/03), seus principais executivos regionais em São Paulo para reafirmar investimentos e o compromisso com o mercado brasileiro e com América Latina.
A Frota News participou do encontro, que contou com a presença de Andrew Williams, CEO das Américas da DHL Express; Agustín Croche, CEO da América Latina da DHL Supply Chain; Erik Meade, CEO da DHL Global Forwarding América Latina, Eric Brenner, CEO da DHL Global Forwarding Brasil; Mirele Mautschke, CEO da DHL Express Brasil, e Plinio Battesini Pereira, presidente da DHL Supply Chain Brasil.
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O principal anúncio foi de que o Brasil entrou em uma nova fase de relevância dentro da estratégia global do grupo, com foco em nearshoring, regionalização e fortalecimento da cadeia logística sul-americana.
Brasil como hub regional no movimento de nearshoring
A estratégia de nearshoring — que prioriza a realocação de produção e serviços para países próximos ao mercado consumidor final — ganhou força diante de tensões geopolíticas, custos logísticos elevados e necessidade de resiliência nas cadeias globais.
No entendimento dos executivos da DHL, o Brasil pode deixar de ser apenas destino final de mercadorias e assumir papel de hub regional, conectando fluxos da Ásia e Europa com outros países da América do Sul. A movimentação ocorre justamente no momento em que players globais, como a FedEx, reduzem sua exposição no transporte doméstico brasileiro.
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A decisão da FedEx levanta questionamentos relevantes sobre a complexidade operacional, custos estruturais e desafios regulatórios do mercado nacional. A Frota News embarcadores que esperam, após o encerramento das operações domésticas da FedEx, possam redirecionar contratos e reorganização de malhas logísticas — cenário que abre espaço para concorrentes.
DHL Express: expansão física e apoio às MPEs exportadoras
Responsável pelo mercado doméstico e internacional expresso, a DHL Express já conta com mais de 500 lojas entre próprias e franqueadas no Brasil. O plano prevê a abertura de 75 novas unidades próprias até 2030, com investimento estimado em R$ 118 milhões, além de reforço em gateways aéreos e conectividade doméstica.
Um dos pilares da estratégia é a parceria com o Sebrae, lançada em junho de 2025. A iniciativa oferece capacitação gratuita, consultoria, acesso à plataforma MyDHL+ e descontos de até 65% em fretes internacionais para micro e pequenas empresas.
Embora representem cerca de 96% das empresas brasileiras, as MPEs respondem por apenas 1% das exportações. Segundo Andrew Williams, o Brasil possui forte base industrial e pode ampliar significativamente sua participação internacional — especialmente diante do acordo Mercosul–União Europeia.
Com presença em 220 países, a rede da DHL Express poderá conectar cerca de 22 milhões de micro, pequenas e médias empresas brasileiras ao comércio exterior.
DHL Supply Chain: R$ 950 milhões para ampliar competitividade
A DHL Supply Chain anunciou, em 2023, um plano de investimento de € 500 milhões na América Latina até 2028. Considerando o câmbio médio de R$ 5,70 por euro, o montante totaliza aproximadamente R$ 2,85 bilhões, sendo cerca de um terço destinado ao Brasil — aproximadamente R$ 950 milhões.
Os recursos estão direcionados à expansão da competitividade nos setores de saúde, e-commerce, tecnologia, automotivo e bens de consumo.
Entre os destaques:
- R$ 100 milhões na modernização da frota refrigerada, com foco em produtos farmacêuticos e cargas sensíveis;
- Ampliação da operação em Extrema (MG), com mais 20 mil m² adicionados recentemente;
- Expansão da DHL Fulfillment Network, com novas unidades multiclientes em Cajamar (SP) e Brasília (DF), voltadas ao e-commerce;
- Aquisição de 75 caminhões Mercedes-Benz (25 Actros, 40 Atego e 10 Accelo) para reforço da frota.
“O nosso compromisso é de longo prazo, para uma próxima década de crescimento no País”, afirmou Agustín Croche durante o encontro.
DHL Global Forwarding: 600 voos por mês e meta de +30% até 2026
Especializada em gerenciamento de fretes internacionais aéreos, marítimos e multimodais, a DHL Global Forwarding administra cerca de 600 voos internacionais por mês nos aeroportos de Aeroporto Internacional de Viracopos e Aeroporto Internacional de Guarulhos.
Viracopos concentra volumes elevados, enquanto Guarulhos opera com maior frequência de voos. A meta é ampliar em 30% os volumes consolidados até o fim de 2026, com foco em tecnologia, automotivo e óleo e gás.
Segundo Eric Brenner, o objetivo é fortalecer o Brasil como centro de redistribuição regional, conectando cargas da Ásia e Europa aos demais mercados sul-americanos. Processos digitais vêm sendo implementados para reduzir manipulação de cargas, aumentar eficiência e contribuir com a meta global de neutralidade de emissões até 2050.
O contraste estratégico
O momento marca um contraste relevante no setor. Enquanto a FedEx reduz sua presença doméstica no Brasil, a DHL reforça capilaridade física, amplia investimentos em infraestrutura, frota e tecnologia e aposta na regionalização da cadeia logística.
Para o mercado, o movimento sinaliza duas leituras:
- O ambiente operacional brasileiro continua desafiador;
- Há espaço para crescimento estruturado para quem aposta em integração regional e diversificação de serviços.
A Frota News publicará, ainda nesta semana, reportagens detalhadas sobre cada uma das três divisões, aprofundando estratégias, números e impactos para o transporte e a logística no Brasil.
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