quarta-feira, abril 1, 2026

Com a Rota das Gerais, EcoRodovias soma 13 concessões em eixos onde pesados respondem por até 82% do pedágio

Concessionária assume 735 km das BR-251/MG e BR-116/MG por 30 anos, com previsão de R$ 13 bilhões em investimentos; movimento reforça estratégia
de expansão em corredores logísticos, com conta com até 82% do pedágio
pago por veículos pesados

A EcoRodovias avançou no mercado brasileiro de infraestrutura logística. Na terça-feira (31/03), durante leilão realizado na Bolsa de Valores B3 pelo Ministério dos Transportes e pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), a EcoRodovias Concessões e Serviços S.A. foi declarada vencedora da concessão do sistema rodoviário formado por trechos das BR-251/MG e BR-116/MG, empreendimento batizado de Rota das Gerais.

A companhia apresentou desconto de 19% sobre a tarifa básica de pedágio, garantindo o direito de operar, recuperar, ampliar e manter aproximadamente 735 quilômetros de rodovias federais em Minas Gerais pelos próximos 30 anos.

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Investimento vs. faturamento estimado

O contrato prevê investimentos da ordem de R$ 13 bilhões, somando CAPEX e OPEX ao longo de toda a concessão. Os recursos serão direcionados para recuperação e manutenção do pavimento, duplicações, implantação de faixas adicionais, acostamentos, reforço da sinalização, dispositivos de segurança viária e serviços operacionais aos usuários. Na prática, a nova concessão reforça o avanço da EcoRodovias sobre corredores logísticos de alta relevância e amplia ainda mais sua exposição a rotas com forte presença do transporte rodoviário de cargas.

Com as tarifas definidas no edital — R$ 0,102 por km em pista simples e R$ 0,143 por km em pista dupla, já considerando o desconto de 19% oferecido pela EcoRodovias — e um volume diário estimado entre 15 mil e 20 mil veículos, o faturamento inicial da concessão Rota das Gerais deve ficar entre R$ 200 milhões e R$ 250 milhões por ano nos primeiros cinco anos.

O cálculo considera os 735 km das BR-116 e BR-251 em Minas Gerais e um crescimento de tráfego projetado de 2,1% ao ano.

Na fase intermediária do contrato, a receita anual tende a subir para R$ 300 milhões a R$ 400 milhões. Nos anos finais, pode alcançar entre R$ 450 milhões e R$ 600 milhões. Esses valores acompanham a TIR real alavancada de 22,1% e o VPL de R$ 1,1 bilhão estimado pelo Banco Safra.

A EcoRodovias, porém, só deve divulgar números oficiais em fatos relevantes na B3 após a assinatura do contrato com a ANTT, prevista para maio ou junho de 2026.

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As concessões da EcoRodovias já possui no Brasil

A empresa entrou em 2026 com um portfólio robusto: 12 concessões rodoviárias, mais de 4.800 quilômetros de extensão em oito estados brasileiros e um ativo portuário. Nos últimos 12 meses encerrados em 30 de setembro de 2025, a companhia reportou receita líquida ajustada de R$ 7,2 bilhões, EBITDA ajustado de R$ 5,4 bilhões e lucro líquido de R$ 923 milhões atribuível aos acionistas controladores.

EcoRodovias
Fonte: EcoRodovias

A EcoRodovias (ECOR3) tem hoje uma estrutura acionária marcada por controle internacional e base relevante de investidores em bolsa: o grupo italiano ASTM detém 52,7% das ações e mantém o comando da concessionária, enquanto 47,3% estão em free float na B3 (grupo formato por acionistas minoritários).

Esse desempenho financeiro é acompanhado por um avanço operacional relevante. Em 2025, o volume consolidado de tráfego atingiu 764,2 milhões de veículos equivalentes pagantes, alta de 22% em relação a 2024. Mesmo no recorte comparável — desconsiderando efeitos de novas praças e novas concessões — o crescimento permaneceu forte, em 3,9%.

Para o setor de transporte rodoviário de cargas, esse dado é especialmente significativo porque o crescimento foi puxado, em boa medida, pelos veículos pesados, que avançaram 16,7% no período. Já os leves cresceram 30,4%, e o mix consolidado do ano ficou em 58,5% de pesados e 41,5% de leves. Em outras palavras: a EcoRodovias continua profundamente conectada ao pulso real da logística brasileira.

Minas Gerais ganha peso ainda maior no portfólio

Com a conquista da Rota das Gerais, Minas Gerais reforça sua importância dentro da malha da concessionária. Nos últimos anos, a EcoRodovias já havia ampliado presença com ativos como Ecovias Minas Goiás, Ecovias Norte Minas e Ecovias Rio Minas, além de outras concessões relevantes em diferentes regiões do País.

Sob a ótica do transporte, isso é especialmente importante. Minas Gerais concentra corredores de ligação entre Sudeste, Centro-Oeste, Nordeste e Norte, além de desempenhar papel central no escoamento de produtos agroindustriais, combustíveis, bens industrializados, mineração, alimentos e insumos para diferentes cadeias produtivas. Ao assumir mais um eixo federal no estado, a EcoRodovias amplia sua influência em rotas que impactam diretamente o custo do frete, o tempo de viagem e a previsibilidade operacional das transportadoras.

Expansão recente mudou o perfil da empresa

Entre 2018 e 2025, a EcoRodovias adicionou sete ativos em sete anos, em um processo que transformou a companhia de forma estrutural. Esse movimento elevou a duração média do portfólio de 10 para mais de 20 anos, alongando a previsibilidade dos contratos e criando uma base mais robusta para sustentar investimentos de longo prazo.

Nesse ciclo, entraram ativos como: Ecovias Cerrado, Ecovias Araguaia, Ecovias Rio Minas, Ecovias Noroeste Paulista, Ecovias Norte Minas, Ecovias Raposo Castello, além da aquisição da antiga MGO, hoje Ecovias Minas Goiás.

Tráfego de pesados confirma vocação logística

Em várias concessões, os veículos pesados representam a maior fatia do tráfego, com participações que chegam a 73%, 75%, 78% e até 82%, dependendo do corredor. Isso reforça o caráter eminentemente logístico de boa parte da malha administrada pela companhia.

EcoRodovias
Fonte: EcoRodovias

A cesta de cargas que circula por esses trechos também ajuda a explicar essa relevância. Entre os principais grupos transportados aparecem: combustíveis, produtos agrícolas, alimentos, veículos, máquinas e equipamentos, metais, produtos industrializados, químicos, bebidas, fertilizantes, além de grãos e sementes, proteína animal, materiais de construção, madeira, minerais e laticínios.

Rodovias digitais entram no centro da estratégia

Se o crescimento físico da EcoRodovias chama atenção, a transformação tecnológica talvez seja o aspecto mais relevante para o futuro do transporte rodoviário.

A empresa vem acelerando uma agenda que atinge diretamente a rotina do transportador e do gestor de frota. Entre os principais movimentos estão:

  • integração com o MDF-e para aprimorar a cobrança de eixos suspensos de caminhões não vazios
  • implantação de pesagem em movimento (WIM), com pesagem de caminhões em velocidade de via e autuações previstas desde dezembro de 2024
  • Como funciona e que estágio está a pesagem em movimento
  • expansão do free flow na Ecovias Noroeste Paulista, com instalação de pórticos em diferentes etapas entre setembro de 2024 e dezembro de 2025
  • consolidação dos Centros de Controle Operacional (CCO) de quatro concessionárias paulistas em um Núcleo São Paulo de Operações, responsável por uma área que concentrou cerca de 49% do tráfego e da receita de pedágio da companhia no 3T25

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Marcos Villela Hochreiter
Marcos Villela Hochreiterhttps://www.frotanews.com.br
Atuo como jornalista no setor da mobilidade desde 1989 em diversas redações. Também nas áreas de comunicação da Fiat e da TV Globo, e depois como editor da revista Transporte Mundial por 22 anos, e diretor de redação de núcleo da Motor Press Brasil. Desde 2018, represento o Brasil no grupo do International Truck of the Year (IToY), associação de jornalistas de transporte rodoviário de 34 países. Desde 2021, também atuo como colaborador na Fabet (Fundação Adolpho Bósio de Educação no Transporte, entidade educacional sem fins lucrativos). Em 2023, fundei a plataforma de notícias de transporte e logística Frota News, com objetivo de focar nos temas que desafiam as soluções para gestão de frotas.
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