Dados dos dois fabricantes esclarecem pontos sobre potência, baterias, autonomia e recarga, destacando abordagens distintas entre Volvo e Scania para o mercado brasileiro
A análise técnica mais recente dos chassis urbanos Volvo BZR Electric 6×2 e Scania K 300 6×2*4, apresentados na Lat.Bus 2026, permitem uma comparação mais precisa entre os modelos. A principal diferença entre esses chassis em relação aos elétricos já oferecidos poe elas é o perceiro eixo direcional por meio de sistema eletro-hidráulico. No Volvo, ele está posicionado na terceira posição, ficando a segunda para o eixo de tração. No chassi Scania, essas posição se invertem.
O Volvo BZR Electric 6×2 conta com dois motores elétricos EPT802 que entregam 400 kW (544 cv) de potência máxima e 334 kW (454) de potência contínua por 30 minutos, conforme ciclo R85. O Scania K 300 6×2*4, equipado com um motor elétrico C1-4, oferece 300 kW (408 cv) de potência máxima. Embora o Volvo apresente maior potência de pico, especialistas destacam que desempenho e consumo dependem também de calibração dos motores, relação do eixo, transmissão, peso total e gerenciamento energético.
A capacidade energética do Volvo BZR 6×2 varia entre 450 e 540 kWh, dependendo da configuração com cinco ou seis baterias de 90 kWh cada, todas com química íon‑lítio NCA e 535 kg por módulo. No Scania K 300 6×2\*4, as opções são de 356 kWh brutos (320 kWh úteis) ou 445 kWh brutos (400 kWh úteis), utilizando baterias NMC. Diferentemente da Scania, que informa a capacidade total e a porção efetivamente utilizável, a Volvo divulga apenas o valor total disponível.

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A autonomia dos modelos também exige atenção. No caso da Volvo, a ficha técnica oficial não apresenta um alcance estimado, embora a marca utilize em sua comunicação comercial o número de até 300 km para o BZR 6×2. Já a Scania divulga em seus dados técnicos uma autonomia entre 250 e 300 km. Para o jornalismo especializado, é fundamental diferenciar o que é informação oficial — validada pela engenharia — do que é apenas material promocional destinado ao mercado.
Na recarga, o Volvo oferece duas alternativas: CCS2 com potência de até 250 kW e tempo de recarga em até duas horas, e OppCharge com até 450 kW. Vale ressaltar que o tempo de recarga vai depender da potência disponível, da temperatura e da configuração de baterias. O Scania divulga tempos estimados de 62 minutos para quatro baterias e 73 minutos para cinco, números que não podem ser comparados diretamente sem conhecer a curva de carregamento de cada modelo.
Outros elementos técnicos também diferenciam os chassis. O Scania utiliza transmissão de quatro marchas e estreia o eixo traseiro R886, enquanto o Volvo adota transmissão automatizada de duas marchas e eixo RS1228C. Na capacidade de passageiros, o Volvo indica até 110 pessoas na aplicação de 15 metros, enquanto o Scania informa cerca de 105.
Segundo André Marques, presidente da Volvo Buses na América Latina, este lançamento é um avanço importante na linha de produtos para eletromobilidade, já que o BZR era oferecido apenas na plataforma de eixos 4×2. O novo modelo é adequado para cidades que pretendem zerar suas emissões no transporte com ônibus de grande capacidade, mas não têm demanda de passageiros para uso de veículos articulados.
Pela Scania, Mauricio Lucena, novo gerente de Vendas de Soluções para Mobilidade da Scania Operações Comerciais Brasil, acrescenta que o Scania elétrico K 300 6×2*4 com 15 metros de comprimento foi um sucesso absoluto na Lat.Bus, com procura por informações muito intensa pelos clientes e que o produto já está disponível para as vendas.
O balanço técnico mostra que o Volvo BZR Electric 6×2 oferece maior potência, maior capacidade energética e recarga de oportunidade mais robusta. O Scania K 300 6×2*4, por outro lado, apresenta autonomia oficialmente divulgada, maior detalhamento comercial e configurações energéticas modulares. A comparação mais adequada não aponta superioridade absoluta, mas sim propostas distintas: o Volvo prioriza reserva de potência e energia, enquanto o Scania foca na adequação do pacote ao serviço e na transparência dos dados operacionais.
As fichas técnicas
| Característica | Scania K 300 6×2*4 | Volvo BZR Electric 6×2 |
| Aplicação | Urbana | Urbana |
| Comprimento do chassi | Para carroceria de 15 metros | De 12.480 a 14.960 mm, conforme a carroceria |
| Configuração | 6×24 | 6×2 |
| Terceiro eixo | Direcional | Direcional |
| Capacidade | Cerca de 105 passageiros | Depende da carroceria; a Volvo divulgou até 110 passageiros para a aplicação de 15 metros |
| Motores | Um motor elétrico C1-4 | Dois motores elétricos EPT802 |
| Potência máxima | 300 kW, cerca de 410 cv | 400 kW |
| Potência contínua | Não informada | 334 kW por 30 minutos, conforme ciclo R85 |
| Torque máximo do motor | Não informado na ficha apresentada | 850 Nm |
| Torque máximo nas rodas | Não informado | 31.000 Nm |
| Transmissão | Câmbio de quatro marchas | Transmissão automatizada de duas marchas |
| Baterias | Quatro ou cinco pacotes | Cinco ou seis baterias de 90 kWh |
| Química das baterias | NMC | Íon-lítio NCA |
| Capacidade energética | 356 kWh brutos/320 kWh úteis ou 445 kWh brutos/400 kWh úteis | 450 ou 540 kWh |
| Massa por bateria | Não informada | 535 kg |
| Autonomia anunciada | 250 a 300 km | Não consta na ficha técnica oficial |
| Recarga CCS2 | Tempos divulgados de aproximadamente 62 ou 73 minutos | Até 250 kW |
| Recarga de oportunidade | Não informada | OppCharge, até 450 kW |
| Eixo traseiro | Novo R886, relação 4,56:1 | Volvo RS1228C |
| Peso bruto total | Não informado | 27.200 kg |
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