Chevrolet Onix 2027: as versões Log e ECO para desafiar o BYD Dolphin no mercado de frotas urbanas

Com as versões Log e ECO, o Chevrolet Onix linha 2027 aposta em baixo custo operacional e sustentabilidade para atrair frotistas

O mercado brasileiro de frotas e e-commerce de última milha consolida o renascimento de uma tendência histórica de baixo custo operacional, agora dividida entre a eficiência da eletrificação e a robustez do motor a combustão tradicional. A estratégia da BYD de converter o compacto Dolphin Mini em um veículo de carga urbana revisita uma fórmula consagrada no mercado nacional em 1978 pela Fiat, pioneira com a 147 Furgoneta e o icônico Uno Furgão, que ditaram a regra de retirar os bancos traseiros de hatchbacks para o trabalho logístico. Essa tradicional receita de adaptação de veículos de passeio ganha um novo competidor na linha 2027 do Chevrolet Onix.

A Chevrolet apresenta a linha 2027 do Onix como a mais abrangente já oferecida pela marca no Brasil. Reunindo pela primeira vez opções que vão do uso profissional a configurações com apelo crossover, esportivo e sustentável, a família é composta por carrocerias hatch e sedã com vocações distintas.

O hatch é voltado a quem busca dirigibilidade ágil e versatilidade no uso urbano, enquanto o Onix Plus atua como o único sedã da gama Chevrolet no país, priorizando conforto e uso familiar com entre-eixos de 2.600 mm e porta-malas de até 500 litros. O desenvolvimento da gama contou com melhorias na suspensão, motor e o sistema de climatização.

As versões mais caras e de passeio contam com o motor de 115 cv com consumo de até 17,7 km/l de gasolina pelo ciclo do Inmetro. As versões de entrada contam o motor 1.0 aspirado de 82 cv se abastecido com etanol e 80 cv, se abastecido com gasolina e um consumo maior: 9,6 km/l (Etanol) no ciclo urbano. O modelo é mais econômico se abastecido com gasolina (13,8 km/l), porém, o uso de combustível fóssil tem sido, cada vez mais, evitado pelas frotas com foco em ESG.

Onix Log

Onix
Modelo tem capacidade para 375 kg e 1.045 litros em volume

Para o segmento de logística leve, a fabricante desenvolveu o Onix Log, uma série com vocação profissional e corporativa. Sem demandar grande trabalho de engenharia, a versão foi criada a partir da remoção do banco traseiro para a instalação de uma estrutura dedicada à acomodação e ao isolamento da carga, unindo capacidade de até 375 kg ou 1.045 litros em volume. Ele está disponível somente com a motorização 1.0 aspirado, sem oferecer a opção turbo, ou com o motor turbo exclusivamente a etanol, que desponta como a opção mais indicada para o perfil de frotas.

Complementando a estratégia corporativa, a linha 2027 introduz o Onix ECO, disponível nas carrocerias hatch e sedã e projetado para rodar exclusivamente com combustível de origem vegetal. O modelo é o primeiro a resgatar a proposta de motorização dedicada ao etanol desde a popularização do sistema Flex há cerca de duas décadas, permitindo ao consumidor se beneficiar dos incentivos fiscais do decreto federal de julho de 2025 e trafegar com emissão zero de CO2 fóssil, segundo o Inmetro.

A opção mais sustentável

Correios
O Dolphin Mini Cargo, veículo 100% elétrico da BYD, começa a ser testado pelos Correios em Guarulhos (SP). Compacto, com autonomia de 280 km e espaço adaptado para entregas urbanas, o modelo reforça a aposta da estatal em uma frota mais limpa, moderna e eficiente

O movimento da General Motors desafia diretamente o BYD Dolphin Mini Cargo, que também resgata o conceito de furgoneta derivada de automóvel focado na logística urbana de última milha.

A fabricante chinesa removeu completamente os bancos traseiros do compacto e instalou uma grade divisória regulamentar, gerando um compartimento de 2,1 m³ (2.100 litros) de volume útil e capacidade para até 289 kg de carga total. Preservando o conjunto original com motor elétrico de 75 cv e bateria Blade de 30,08 kWh, o Dolphin Mini Cargo oferece autonomia urbana de 280 km pelo ciclo Inmetro e recarga rápida de até 40 kW (DC).

O compacto elétrico destaca-se pelo baixo custo por quilômetro rodado e pela tecnologia VTOL, que transforma a bateria em fonte de energia móvel para alimentar dispositivos externos durante as operações de entrega em centros urbanos.

Para um operador de frota focado na logística urbana, o custo por quilômetro rodado é uma das métricas mais sensíveis na planilha de despesas. Tomando como base o consumo do Onix ECO 1.0 Turbo rodando a etanol (9,6 km/l) e os dados de eficiência energética do BYD Dolphin Mini Cargo, veja o comparativo direto de gastos para cada 100 quilômetros rodados.

Para este cálculo, consideram-se os valores médios de mercado praticados em São Paulo em julho de 2026, tomando como base o preço médio do etanol de R$ 3,99 por litro, segundo dados da ANP, e a tarifa média pós-reajuste da Enel de R$ 0,75 por kWh para o segmento comercial/residencial B1.

Sob essas condições, o Chevrolet Onix ECO, registrando um consumo estabelecido de 9,6 km/litro com etanol, necessita de 10,41 litros para cobrir 100 km, o que resulta em um custo de R$ 41,53 por trecho e R$ 0,41 por quilômetro rodado. Em contrapartida, o BYD Dolphin Mini Cargo, que utiliza sua bateria de 30,08 kWh de capacidade para entregar uma autonomia urbana de 280 km pelo Inmetro, apresenta um consumo energético de 10,74 kWh a cada 100 km, gerando um gasto de apenas R$ 8,05 para a mesma distância e um custo por quilômetro rodado de R$ 0,08.

Resumo do comparativo (a cada 100 km)

Modelo Combustível/Energia Consumo energético Gasto a cada 100 km
BYD Dolphin Mini Cargo Elétrico 10,74 kWh / 100 km R$ 8,05
Chevrolet Onix ECO Etanol 10,41 litros / 100 km R$ 41,53

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Marcos Villela Hochreiter
Marcos Villela Hochreiterhttps://www.frotanews.com.br
Atuo como jornalista no setor da mobilidade desde 1989 em diversas redações. Também nas áreas de comunicação da Fiat e da TV Globo, e depois como editor da revista Transporte Mundial por 22 anos, e diretor de redação de núcleo da Motor Press Brasil. Desde 2018, represento o Brasil no grupo do International Truck of the Year (IToY), associação de jornalistas de transporte rodoviário de 34 países. Desde 2021, também atuo como colaborador na Fabet (Fundação Adolpho Bósio de Educação no Transporte, entidade educacional sem fins lucrativos). Em 2023, fundei a plataforma de notícias de transporte e logística Frota News, com objetivo de focar nos temas que desafiam as soluções para gestão de frotas.
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