Com 76% da categoria nas mãos do Mounjaro, evento discute impactos tributários e operacionais até 2027
O Mounjaro, da Lilly, tornou-se o principal medicamento da categoria GLP-1 — mais conhecido como canetas emagrecedoras — no Brasil ao concentrar 76% da demanda nacional, superando o Ozempic, que caiu de 73% de participação em 2022 para 13% em 2026. Os dados foram apresentados em 17 de setembro, no Trio One, em São Paulo, durante a 4ª edição do Temp Log Xperience, encontro promovido pela Temp Log para discutir transformações do mercado farmacêutico. A virada, classificada pela IQVIA como “brutal, não gradual”, foi detalhada por meio de análises exclusivas sobre vendas, comportamento de usuários e projeções para o setor.
A IQVIA, responsável por monitorar 98% das vendas farmacêuticas no país, mostrou que a área de análogos de GLP-1 quase quintuplicou em cinco anos, passando de R$ 2 bilhões para R$ 9 bilhões, com CAGR de 44%. Segundo a consultoria, sem a molécula emagrecedora, o crescimento do varejo de medicamentos em 2026 seria 4,9 pontos percentuais menor. O Mounjaro lidera o ranking nacional de comercialização, com faturamento de R$ 6,8 bilhões.
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Durante o evento, Paula Mello, Engagement Manager da IQVIA, apresentou uma pesquisa inédita realizada entre fevereiro e março com 432 usuários de canetas injetáveis. O levantamento revelou que consumidores de marcas como Mounjaro e Ozempic combinam motivações clínicas e estéticas, utilizando o produto para tratar diabetes, emagrecer e realizar procedimentos voltados à beleza. Já quem opta por versões manipuladas demonstra perfil mais comportamental, buscando controle da compulsão alimentar e redução de gordura visceral, com menor intermediação médica do que se supunha.

Outro dado destacado foi a baixa adesão ao tratamento: apenas 16% dos pacientes permanecem utilizando GLP-1 após 11 meses, independentemente da marca. Para os participantes do encontro, o índice indica um desafio estrutural para toda a cadeia de distribuição. Os efeitos da categoria também se estendem ao consumo alimentar. Metade dos entrevistados relatou ter abandonado produtos como fast food (51%), açúcar de mesa (50%) e chocolates (48%), sinalizando possíveis impactos futuros na indústria de alimentos e bebidas.
Ricardo Canteras, diretor Comercial e de Operações da Temp Log, avaliou que o Xperience ofereceu uma visão ampla sobre o momento do setor. Segundo ele, o acesso a métricas atualizadas e análises aprofundadas sobre comportamento do usuário e efeitos dos GLP-1 contribuiu para orientar decisões das empresas presentes.
A programação também abordou a Reforma Tributária. Mariana Carneiro e Simone Furegato, sócias da área tributária da PwC, explicaram o cronograma de transição e os efeitos práticos para o mercado farmacêutico. A cobrança efetiva começa em 2027, e fármacos registrados na Anvisa — incluindo manipulados — terão redução de 60% nas alíquotas de IBS e CBS. Para linhas terapêuticas específicas, a alíquota será zerada. As especialistas destacaram que a mudança afetará precificação, contratos, rebates e créditos tributários, reforçando que empresas que não iniciarem a adaptação imediata podem enfrentar falta de governança sobre seus números no início da vigência.
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