Sistema utiliza georreferenciamento para reduzir desvios operacionais e minimizar danos aos brotos durante a colheita mecanizada
A Adecoagro, uma das maiores empresas agroindustriais da América do Sul, passou a utilizar o caminhão semiautônomo VW Constellation 31.280 8×4 Agronomous nas operações de transbordo de cana-de-açúcar da safra 2026-2027, com o objetivo de aumentar a precisão logística da colheita mecanizada e reduzir danos aos brotos da cultura.
Desenvolvido pela BMB Mode Center, do Grupo VAMOS, o veículo opera em rotas predefinidas por meio de sistema de georreferenciamento, buscando evitar desvios e o pisoteio de brotações no canavial. Construído sobre uma plataforma 8×4 e equipado com pneus de alta flutuação para reduzir a compactação do solo, o modelo é empregado em um cenário de expectativa de crescimento da produção sucroenergética no Centro-Sul, onde a moagem deve alcançar 629 milhões de toneladas na safra 2026-2027, segundo a SCA Brasil.
Para José Geraldo Júnior, vice-presidente da VAMOS, o uso do equipamento reflete o avanço da automação nas operações agrícolas, enquanto Bernardo Balbinot, diretor de Operações da BMB Mode Center, destaca a aplicação da tecnologia para reduzir impactos operacionais e preservar o potencial produtivo dos canaviais ao longo das safras.

Saiba mais sobre os caminhões autônomos para o agro
Conheça o novo Volvo FMX 8×4 autônomo para colheita de cana-de-açúcar
A Volvo Caminhões foi a pioneira no desenvolvimento de caminhões autônomos para a colheita de cana-de-açúcar. Isso foi em 2017, o desenvolvimento foi feito utilizando o modelo VM para a Usina Santa Teresinha, de Maringá (PR). Então agora, conheça o FMX 8×4 autônomo. A Volvo e a TMA Máquinas, empresa de Ribeirão Preto especializada na mecanização do segmento sucroalcooleiro, certamente, uniram forças para criar um avanço significativo na agricultura de precisão: o caminhão autônomo Stark.
Este veículo é baseado no fora de estrada FMX 380R (380 cavalos de potência e chassi rígido) e foi desenvolvido para otimizar o transbordo da cana-de-açúcar durante a colheita.
O projeto Stark surgiu como uma resposta às mudanças nas práticas agrícolas, especificamente, com a adoção de um novo espaçamento entre as linhas de plantio de cana-de-açúcar, que visa aumentar a produtividade das lavouras. Jeseniel Valerio, gerente de engenharia de vendas da Volvo Caminhões, destaca que a nova configuração de cultivo foi um fator determinante para o desenvolvimento do caminhão autônomo.
O Stark é um veículo de nível 2 de autonomia, o que significa que ele consegue realizar várias funções de condução de forma independente, mas ainda requer supervisão humana. No entanto, o que realmente distingue o Stark é sua tecnologia de georreferenciamento de alta precisão, que permite uma direção extremamente precisa, evitando danos aos brotos remanescentes da cana e garantindo uma colheita subsequente mais produtiva.
Além disso, o Stark foi projetado para atender às demandas específicas do setor sucroalcooleiro. O caminhão é uma solução mais eficiente em comparação com os métodos tradicionais de transbordo, ou seja, um trator rebocando um implemento de transbordo.
Com uma capacidade de carga de 50 m³ e um peso bruto total técnico de 58 toneladas, o FMX tem força para tracionar um reboque ao mesmo tempo, formando uma composição “romeu-e-julieta”. É importante lembrar que a capacidade técnica de PBT sobre o chassi de 58 toneladas destina-se ao uso em ambientes privados. Em vias públicas, mesmo não pavimentadas, o limite é estabelecido pela Lei da Balança, sendo o PBT legal de 29 toneladas.
Já a capacidade de tração máxima do Volvo FMX começa em 100.000 kg. No entanto, pode chegar a 130.000 kg ou até 150.000 kg sob customização de eixo e caixa pela engenharia da Volvo. Ou seja, este Volvo FMX conta com força de sobra para trabalhar também com composição “romeu-e-julieta”, ou seja, tracionando um reboque, além do peso sobre o chassi.
O mercado de caminhões autônomos
A TMA, responsável pela venda do veículo, argumenta que as vantagens superam o custo inicial mais alto. Entre elas, a velocidade operacional, a economia de combustível e a perspectiva de uma safra mais produtiva justificam o investimento. Além disso, o caminhão pode atender outras operações trocando o implemento sobre chassi ou como rebocador. E, no momento da renovação de frota, possui um valor maior de mercado.

A Stark apresentou o modelo na Agrishow 2024 e já está causando um grande impacto no mercado.
No mercado brasileiro, o Volvo Stark concorrerá com modelos da Mercedes-Benz, customizados para a mesma atividade pela Grunner. Além dele, há o da Volkswagen Caminhões, o Constellation 31.280 8×4. A Scania está prestes a lançar em breve o Scania P 280 8×4. Segundo a Scania Brasil, o projeto continua em desenvolvimento e a Scania segue ouvindo os clientes e estudando o mercado para oferecer o melhor produto e a solução ideal para as demandas e oportunidades.
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