Entidade do setor automotivo avalia que acordo anunciado pela Comissão Europeia e pela China pode contribuir para uma transição ordenada da presença de fabricantes chineses no mercado europeu
A Associação Europeia de Fabricantes de Automóveis (ACEA) informou nesta sexta-feira (9) que considera positivo o anúncio de um acordo provisório entre a Comissão Europeia e a China para tratar desequilíbrios comerciais considerados críticos entre os dois mercados. Segundo a entidade, a medida pode contribuir para a redução das tensões comerciais e para uma transição mais ordenada da presença de fabricantes chineses no mercado automotivo europeu.
A manifestação da ACEA ocorre em meio ao crescimento das importações de veículos híbridos elétricos (HEVs) e híbridos elétricos plug-in (PHEVs) produzidos na China. De acordo com a entidade, esse avanço tem provocado impactos no equilíbrio do mercado automotivo europeu.
Dados apresentados pela associação mostram que, no primeiro semestre de 2026, as marcas chinesas alcançaram participação de 14% no mercado europeu de veículos híbridos elétricos, ante 2% registrados em 2024. No segmento de híbridos plug-in, a participação chegou a 25%, também acima dos 2% observados em 2024.
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Impactos no mercado europeu
Para a ACEA, a rápida expansão das importações chinesas pode gerar efeitos relevantes sobre a indústria e a economia europeias. A entidade afirma que o setor automotivo do continente se desenvolveu ao longo das últimas décadas em um ambiente de competição aberta e considerada justa.
Segundo Sigrid de Vries, diretora-geral da ACEA, uma mudança abrupta nas condições de mercado poderia ampliar as pressões sobre a indústria europeia. “Uma desestabilização acentuada e repentina do mercado europeu, juntamente com guerras de preços que refletem a situação atual do mercado na China, seria altamente disruptiva para a economia europeia como um todo”, afirmou.
Ainda de acordo com a executiva, o anúncio pode favorecer uma adaptação gradual do mercado europeu ao aumento da presença de fabricantes chineses. “O anúncio de hoje pode ajudar a facilitar a transição para uma nova era de presença chinesa no mercado europeu de forma ordenada, e isso é do interesse de longo prazo de todas as partes”, declarou.
Próximas discussões
Apesar da avaliação positiva sobre o acordo provisório, a ACEA ressalta que outras questões relacionadas ao comércio entre Europa e China deverão continuar em debate. Entre os temas citados pela entidade estão os possíveis impactos das importações em segmentos como ônibus e caminhões.
A associação informou que ainda aguarda a divulgação completa dos detalhes do entendimento firmado entre a Comissão Europeia e a China para avaliar seus efeitos sobre o setor automotivo europeu e sobre os demais segmentos da indústria de veículos comerciais.
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