O programa Move Brasil, lançado pelo governo federal para estimular a renovação da frota com juros mais competitivos, já provoca efeitos concretos no mercado de transporte rodoviário de cargas. Em entrevista à Frota News, Marcello Larussa, diretor comercial do Banco Mercedes-Benz, detalha como a iniciativa reacendeu a demanda por crédito, avalia o cenário macroeconômico e projeta oportunidades para 2026.
Segundo o executivo, o principal gatilho foi o reposicionamento das taxas de juros, que vinham sendo apontadas como a maior barreira para novos investimentos.
“Quando você tem um programa como esse, que reposiciona a taxa de juros, você desperta o interesse daqueles que estavam adormecidos.”
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O banco registrou crescimento de 100% nas solicitações de crédito após o lançamento do programa, com aumento expressivo no volume de propostas. A reação foi especialmente forte no segmento de pequenos negócios, cluster no qual a instituição tem atuação relevante. “O telefone voltou a tocar”, comentou.
Perfil das operações e ticket médio
Embora ainda seja cedo para dimensionar quantos dos proponentes são novos clientes, Larussa confirma a entrada de compradores que nunca haviam financiado com o banco da marca.

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Entre os pequenos negócios, as operações costumam envolver de sete a oito caminhões. Em empresas de maior porte, o volume varia conforme a estratégia de renovação. O ticket médio gira em torno de R$ 500 mil, com mix equilibrado entre as diferentes famílias de produtos da Mercedes-Benz, dos leves Accelo aos extrapesados Actros.
Juros, Selic e ambiente macroeconômico
Larussa acompanha com otimismo a possibilidade de redução da Selic nas próximas reuniões do Copom, alinhado a declarações recentes do vice-presidente Geraldo Alckmin.
“A expectativa é extremamente otimista em relação à redução da taxa de juros.”
Ele pondera que fatores externos, como tensões geopolíticas e oscilações no petróleo, podem interferir no cenário. Ainda assim, a projeção Focus indica taxa próxima de 12% ao fim do ano. Para o executivo, juros menores têm efeito direto sobre bens duráveis — caso típico de caminhões e ônibus —, estimulando decisões de investimento represadas.
2026 no radar: Fenatran e Lat.Bus
A instituição mantém visão positiva para 2026, apoiada nas projeções da Anfavea, que não revisou suas estimativas para o setor.
No calendário, dois eventos estratégicos ganham protagonismo: Fenatran, principal vitrine do transporte rodoviário de cargas na América Latina; e Lat.Bus, focada no segmento de ônibus. A expectativa é que, com crédito mais acessível, os eventos consolidem negócios iniciados ao longo do ano.
Campanhas agressivas e taxa abaixo de 1%
Reconhecido por campanhas comerciais competitivas, o banco reforçou sua estratégia paralelamente ao Move Brasil. Além da taxa de 1,05% oferecida dentro do programa, lançou condição especial de 0,99% para a linha Accelo, mesmo fora do cluster de autônomos.
“O Accelo é um produto de entrada na marca, uma forma de trazer novos consumidores.”
Larussa explica que, no custo efetivo total, as condições entre bancos de montadora e instituições comerciais tendem a se aproximar. A diferença está na sinergia entre fábrica e braço financeiro, que permite subsídios e campanhas conjuntas.
“No final do dia, você tem que prestar contas para o Banco Central. Não tem mágica.”
Clientes já colhem resultados
O ambiente positivo foi reforçado durante evento que reuniu clientes como TF Transportes, Guedes Amorim, Audilene Mendes de Araújo Silva e Just Log, atuantes em segmentos como logística, transporte refrigerado e mineração — todos já com aquisições via Move Brasil.
À frente da TF Transportes, Fábio de Sá atua há 23 anos nos setores de mineração e terraplenagem, com operações em estados como São Paulo, Minas Gerais, Goiás, Paraíba e Ceará. Ele tem proposta aprovada para a compra de cinco Atego 3133 6×4, renovando parte de sua frota de cerca de 80 caminhões, praticamente toda da marca.
“Vejo o Move Brasil como um instrumento positivo para frotistas e autônomos, porque o programa vai alavancar a renovação de frota especialmente pelos juros menores, o que faz o preço de aquisição cair.”
Sobre Marcelo Larussa
Larussa consolidou sua carreira no mercado financeiro brasileiro, com foco em produtos de financiamento, leasing e gestão de frotas corporativas. No Banco Mercedes-Benz, ele tem sido responsável por impulsionar estratégias comerciais alinhadas à montadora, contribuindo para o fortalecimento do ecossistema de mobilidade premium no país.
Sua atuação reflete a integração entre o setor bancário e a indústria automotiva, um modelo de negócio essencial para o financiamento de veículos e inovação em serviços financeiros no Brasil. Sob sua gestão, o Banco Mercedes-Benz tem buscado modernizar processos digitais e ampliar a acessibilidade ao crédito responsável.
Sobre o banco
O Banco Mercedes-Benz, braço financeiro da montadora alemã Mercedes-Benz Group AG, opera no Brasil desde a década de 1990. A instituição é uma das líderes em financiamentos de caminhões, ônibus e automóveis premium, atendendo tanto clientes individuais quanto grandes frotistas empresariais.
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