Expansão do uso de biometano acelera descarbonização e economia circular da coleta de lixo na capital paulista
A cidade de São Paulo avança em ritmo acelerado na transição energética da frota de coleta de resíduos. Com a recente aquisição de 56 caminhões VW Constellation 26.280 pela Logística Ambiental de São Paulo S/A (Loga), o município se aproxima da marca de 250 veículos movidos a gás em operação, somando as duas concessionárias responsáveis pelo serviço.
O movimento fortalece o modelo de economia circular adotado pela capital e reforça o compromisso da Prefeitura com as metas do PlanClimaSP, que estabelece metas ousadas para a redução de emissões no transporte e na gestão de resíduos, com o objetivo de zerar as emissões líquidas de gases de efeito estufa (GEE) até 2050 e promover reduções progressivas nas metas intermediárias de 2030
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A expansão é impulsionada pelo uso de biometano, combustível renovável produzido a partir da purificação do biogás gerado pela decomposição dos resíduos na Central de Tratamento de Resíduos Leste (CTL), em São Mateus. O processo eleva o teor de metano a mais de 95%, tornando o biometano equivalente ao GNV em eficiência energética, porém mais competitivo e ambientalmente vantajoso. O resultado é uma operação que transforma o lixo urbano em solução logística e energética.
Segundo a Prefeitura, a substituição do diesel por biometano já evita a emissão anual de 17,4 mil toneladas de CO₂ e reduz o consumo de cerca de 7 milhões de litros de combustível fóssil. Parte do biogás também é convertida em energia elétrica, ampliando a autonomia do sistema de resíduos.
A Ecourbis Ambiental, responsável pelas zonas Sul e Leste, foi pioneira na adoção de caminhões a gás. Entre o fim de 2024 e o início de 2025, incorporou lotes expressivos de veículos Scania e iniciou testes com o VW Constellation 26.280 Biometano. A meta da concessionária é operar mais de 120 unidades abastecidas diretamente pelo combustível produzido no Ecoparque / Aterro São Mateus.
Já a Loga, que atua nas zonas Norte e Central, vinha operando com unidades pontuais e lotes de testes. A compra das 56 unidades da VWCO representa o maior salto de renovação da frota a biometano na área de cobertura da empresa. Até então, a Scania era a única fornecedora de caminhões para esse tipo de operação. A entrada da Volkswagen Caminhões e Ônibus inaugura um novo cenário competitivo no segmento.
Rodrigo Chaves, vice-presidente de Engenharia da VWCO, afirma que o Constellation Biometano já demonstrou capacidade para operar em condições severas de coleta urbana. Segundo ele, a chegada do modelo à Loga permitirá avaliar novas rotinas e reforçar atributos como eficiência, autonomia e baixa emissão.
O caminhão foi desenvolvido com base na linha vocacional Compactor, tradicional em operações de coleta. Os tanques de aço carbono têm capacidade total de 240 m³ (960 litros), o maior volume do segmento, garantindo autonomia de até 250 km — suficiente para a rotina diária na Grande São Paulo sem reabastecimentos frequentes.
Ricardo Alouche, vice-presidente da VWCO, destaca que a empresa acompanha de perto as transformações do mercado e aposta na sustentabilidade como eixo estratégico. Para ele, o Constellation Biometano representa um marco na oferta de soluções que unem eficiência operacional e liderança no setor de coleta de resíduos.
Além da redução de emissões, os caminhões a gás oferecem operação mais silenciosa — fator relevante em serviços que começam cedo e circulam em áreas residenciais. Embora os modelos elétricos sejam ainda mais silenciosos, seu custo é quase três vezes maior que o de um caminhão diesel. Já os veículos a gás têm preço cerca de 20% superior ao convencional, tornando-se alternativa viável para a transição energética.
Com a meta de substituir toda a frota municipal de 600 caminhões até 2027, São Paulo transforma a coleta de resíduos em vitrine de sua agenda climática e consolida o biometano como combustível estratégico para o transporte urbano sustentável.