quinta-feira, abril 30, 2026

Citroën “subiu no telhado”: números explicam dependência em um único modelo

A Citroën vive um dos momentos mais delicados de sua história recente. Antes de comprar veículos comerciais da marca — como Jumpy e Jumper — ou mesmo automóveis para frotas, vale entender o que está acontecendo nos bastidores da Stellantis e como isso já se reflete nos números de vendas diretas.

A polêmica ganhou força após o CEO global da Stellantis, Antonio Filosa, deixar claro à imprensa especializada que a Citroën perdeu espaço dentro do grupo sob sua gestão pragmática. O executivo reduziu o foco estratégico a quatro marcas prioritárias: Fiat, Peugeot, Jeep e Ram — as que melhor equilibram interesses globais e têm maior potencial na América do Sul.

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Com isso, a Citroën “subiu no telhado”. Não deve desaparecer globalmente, mas seu futuro no Brasil e na região está ameaçado. A marca não entrega o mesmo retorno que Fiat, Jeep e Ram, nem possui o posicionamento sólido da Peugeot, pesar da contradição nos números.

E não se trata de qualidade mecânica — os modelos compartilham plataformas e componentes com as marcas irmãs. O problema é estratégico, comercial e de marca.

Citroën vende mais que a Peugeot no total, mas perde força entre frotistas

Há um ponto que pode indicar injustiça na avaliação interna da Stellantis: em 2025, somando varejo e vendas diretas, a Citroën emplacou 39.890 veículos, bem acima das 23.125 unidades da Peugeot, segundo a Fenabrave.

Mas quando o recorte é vendas diretas para frotistas, o cenário muda completamente. A Citroën aparece na 9ª posição, com 2,57% de market share em automóveis e participação praticamente nula em comerciais leves.

Citroën perde fôlego nas vendas diretas em 2025, mas Basalt evita queda maior

Os dados da Fenabrave mostram um desempenho desigual: a Citroën ainda tem algum fôlego entre automóveis, sustentada quase exclusivamente pelo Basalt, mas sua presença em comerciais leves é simbólica.

O destaque absoluto da marca em vendas diretas foi o Citroën Basalt, com:

  • 19.379 unidades
  • 17ª posição no ranking geral de automóveis

Logo atrás:

  • Citroën C3 – 10.169 unidades (28º geral)
  • Citroën C3 Aircross – 2.897 unidades (40º geral)

O Basalt responde por mais da metade de todas as vendas diretas da Citroën — uma dependência perigosa.

Comerciais leves: presença quase irrelevante

A Citroën aparece nas últimas posições com seus dois modelos no segmento:

  • Jumper – 83 unidades (36º geral)
  • Jumpy – 79 unidades (37º geral)

Somados, são 162 veículos — um volume que não altera o mercado e deixa a marca muito atrás de Fiat, Volkswagen, Toyota e Renault.

Ranking Citroën – Vendas Diretas 2025

Automóveis
  1. Basalt – 19.379 unidades (17º geral)
  2. C3 – 10.169 unidades (28º geral)
  3. C3 Aircross – 2.897 unidades (40º geral)
Comerciais leves
  1. Jumper – 83 unidades (36º geral)
  2. Jumpy – 79 unidades (37º geral)
Resumo geral da Citroën em vendas diretas (2025)
Categoria Volume total Observações
Automóveis 32.445 unidades Basalt sustenta a marca; C3 moderado; Aircross fraco.
Comerciais leves 162 unidades Participação mínima, sem competitividade real.
Total geral 32.607 unidades Dependência excessiva de um único modelo.

 

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Marcos Villela Hochreiter
Marcos Villela Hochreiterhttps://www.frotanews.com.br
Atuo como jornalista no setor da mobilidade desde 1989 em diversas redações. Também nas áreas de comunicação da Fiat e da TV Globo, e depois como editor da revista Transporte Mundial por 22 anos, e diretor de redação de núcleo da Motor Press Brasil. Desde 2018, represento o Brasil no grupo do International Truck of the Year (IToY), associação de jornalistas de transporte rodoviário de 34 países. Desde 2021, também atuo como colaborador na Fabet (Fundação Adolpho Bósio de Educação no Transporte, entidade educacional sem fins lucrativos). Em 2023, fundei a plataforma de notícias de transporte e logística Frota News, com objetivo de focar nos temas que desafiam as soluções para gestão de frotas.
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