O crescimento da atividade econômica, impulsionado pelo avanço do comércio eletrônico e pelo aumento do consumo nas regiões metropolitanas, tem pressionado a logística urbana no Brasil. Embora o transporte rodoviário responda por cerca de 63% da movimentação de cargas em longa distância, segundo o Instituto de Logística e Supply Chain (Ilos), ele é de 100% na logística urbana. A infraestrutura disponível não acompanhou essa expansão, criando gargalos que afetam diretamente a eficiência das operações.
Em 2025, os custos logísticos atingiram 15,5% do PIB, reflexo da ausência de investimentos estruturais e da baixa integração entre os entes públicos. Nas cidades, o cenário é agravado por regras de circulação distintas entre municípios, como rodízios, zonas restritivas e horários operacionais que não dialogam entre si.
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A Frota News recebeu esta sugestão de pauta da assessoria de imprensa da FETCESP (Federação das Empresas de Transportes de Cargas do Estado de São Paulo), checou as informações e ampliou a análise, trazendo a Região Metropolitana de São Paulo (RMSP) como exemplo de “burrice” regulatória, que aumenta custos e burocracias, com a conta, claro, paga pelo consumidor final.
A RMSP tem 39 municípios e 39 regras diferentes para caminhões. Cada cidade tem suas restrições próprias, além das normas estaduais e federais de trânsito. Na capital, por exemplo, há zonas e horários específicos de restrição — como a ZMRC, que limita a circulação de caminhões de segunda a sexta das 5h às 21h e aos sábados das 10h às 14h — então quem opera na RMSP precisa checar município por município e também as vias com restrição antes de rodar.
Para o presidente da FETCESP, Carlos Panzan, confirma o problema. Ele pontua que a questão se intensifica exatamente nas áreas metropolitanas, que concentram 75% da população e 83% do PIB paulista, mas ainda operam sob um modelo fragmentado. “Embora a legislação estabeleça o transporte como função pública de interesse comum, a execução integrada entre Estado e municípios ainda é limitada, o que gera um descompasso estrutural”, afirma.
Padronização para reduzir custos
Segundo Panzan, a ausência de padronização obriga as empresas a adaptarem suas operações cidade a cidade, lidando com diferentes horários, critérios de circulação e exigências específicas. O impacto recai sobre toda a cadeia de abastecimento, elevando custos e reduzindo a produtividade. “Isso aumenta o tempo de operação, reduz a produtividade dos ativos e eleva custos diretos e indiretos. Na prática, o transporte deixa de ser uma operação integrada e passa a ser fragmentado, comprometendo a eficiência logística”, destaca.
Diante desse cenário, a FETCESP defende a criação de uma governança metropolitana efetiva, baseada em planejamento integrado, padronização de regras e maior coordenação entre Estado e municípios. A entidade alerta que a falta de avanços pode ampliar riscos como perda de previsibilidade no abastecimento, aumento de preços ao consumidor e maior exposição a vulnerabilidades operacionais, incluindo o roubo de cargas.
Para Panzan, o caminho passa por reconhecer a logística como função pública essencial, exigindo cooperação entre poder público e setor produtivo. “A integração é fundamental para garantir eficiência, segurança e abastecimento nas grandes cidades”, conclui.



