quinta-feira, abril 9, 2026

Receita da Scania soma R$ 115 bilhões em 2025 e pedidos avançaram no 4º trimestre

Mesmo em um cenário global marcado por volatilidade cambial, tensões geopolíticas e desaceleração em mercados estratégicos, a Scania encerrou 2025 com desempenho considerado resiliente. A fabricante sueca registrou receita líquida de SEK 198,5 bilhões, o equivalente a aproximadamente R$ 115,2 bilhões, considerando a cotação média de SEK 1 ≈ R$ 0,58.

O resultado representa queda de 8% em relação a 2024, refletindo principalmente a redução no volume de entregas, mas foi parcialmente compensado pela a área de serviços — movimento que reforça a diversificação de receitas em um mercado mais desafiador.

Indicador 2024 2025 Tendência
Receita líquida (SEK bi) 216,1 198,5 -8% aprox.transporttalk+1
Receita líquida (R$ bi) ≈ 125,3 ≈ 115,2 -8% aprox.
Caracterização do ano Recorde histórico de vendas >100 mil veículos entregues Ano de ajuste, com queda de receita mas resiliência operacional

Entregas recuam, mas pedidos avançam

No acumulado do ano, a Scania entregou 94.073 veículos, retração de 8%. Entre eles, 602 unidades foram veículos de emissão zero (ZEV), mais que o dobro do volume registrado no ano anterior. No Brasil, a fabricante registrou uma queda muito mais acentuada, de 30%, saindo de 20.029 para 13.998 veículos. Como resultado, a participação brasileira no volume global recuou de 19,6% em 2024 para 14,9% em 2025, uma perda de 4,7 pontos percentuais.

Frota News
Edição 54

Leia a Revista Frota News Edição 54

Na contramão da queda nas entregas, a entrada de pedidos cresceu 14%, totalizando 92.351 unidades, sinalizando retomada da confiança dos clientes, especialmente na Europa.

No quarto trimestre, a receita foi de SEK 52,8 bilhões (cerca de R$ 30,6 bilhões), também com recuo de 8%. Ainda assim, os pedidos avançaram 9% no período, somando 26.704 veículos.

A margem operacional ajustada fechou o ano em 10,7%, abaixo dos 14,8% de 2024. No quarto trimestre, ficou em 11,0%. Segundo a empresa, se mantidas as taxas de câmbio do mesmo período do ano anterior, a margem teria alcançado 13,5%.

Impacto cambial e pressão de volumes

A valorização da coroa sueca ao longo de 2025 exerceu pressão adicional sobre os resultados. Além disso, a companhia enfrentou custos relacionados à expansão industrial na China e menor volume de vendas em alguns mercados.

Apesar disso, a geração de caixa no quarto trimestre foi considerada forte, sustentada por medidas estruturais de eficiência operacional e controle de custos.

Tenho orgulho de como administramos um ano desafiador. O aumento na entrada de pedidos no quarto trimestre é um sinal encorajador da crescente confiança dos clientes e da força da nossa oferta”, afirmou Christian Levin, presidente e CEO da companhia.

Eletrificação, China e integração global

Em 2025, a Scania avançou na simplificação de sua estrutura organizacional e intensificou investimentos em eletrificação, infraestrutura de recarga e ampliação de capacidades industriais.

Os volumes de vendas de caminhões e ônibus elétricos foram muito baixos: 602 unidades, no entanto, mais do que o dobro ante 2024: 226 unidades.

A fabricante também reforçou sua presença na China, considerada estratégica para crescimento e inovação no longo prazo.

Outro marco foi o fortalecimento da área global de P&D dentro do TRATON Group, movimento que busca acelerar a inovação tecnológica mantendo proximidade com as demandas dos clientes. Isso significa que começará o desenvolvimento de peças ou conjuntos comuns para as quatro marcas do grupo: Scania, Volkswagen Caminhões e Ônibus, MAN Truck & Bus e International.

De São Bernardo à China: como o Brasil lidera a estratégia global da Scania

Brasil e China estão no centro da estratégia global da Scania ao combinar dois papéis complementares: o Brasil como maior mercado mundial e polo industrial consolidado, e a China como núcleo de inovação tecnológica e novo centro produtivo. Em 2024, o Brasil respondeu por cerca de 20% das vendas globais da marca, mantendo uma liderança que não é inédita — já havia ocorrido em ciclos anteriores, como em 2013 e 2018. Mesmo com juros elevados e um ambiente macroeconômico desafiador, a empresa mantém confiança estrutural no mercado brasileiro e vê espaço para ampliar competitividade com avanços em acordos comerciais e políticas de descarbonização.

A fábrica de São Bernardo do Campo sustenta esse protagonismo ao operar como o segundo maior complexo industrial da Scania no mundo, atrás apenas da Suécia. É a única unidade fora da Europa capaz de produzir o conjunto completo — caminhões, ônibus, motores, eixos e transmissões — e funciona como hub exportador para 52 países. Em 2024, atingiu 500 mil caminhões produzidos desde 1957, com capacidade anual de 40 mil motores e exportações que, em picos, já representaram 60% da produção. Essa estrutura reforça o Brasil como base industrial madura e estratégica dentro da rede global.

Enquanto isso, a China emerge como pilar tecnológico da nova geografia industrial da Scania. O hub inaugurado em Rugao, com investimento de 2 bilhões de euros e capacidade para até 50 mil veículos por ano, concentra pesquisa e desenvolvimento em eletrificação, conectividade e soluções digitais. Para o CEO Christian Levin, o ambiente chinês funciona como “escola” de inovação, permitindo que tecnologias desenvolvidas ali sejam adaptadas e escaladas para mercados estratégicos — inclusive o brasileiro, que tende a se beneficiar desse fluxo tecnológico.

A combinação desses dois polos — Brasil e China — desloca o centro de gravidade da Scania para fora da Europa e cria uma estratégia baseada em diversificação geográfica, complementaridade industrial e aceleração tecnológica. Para investidores, isso significa maior resiliência; para clientes, acesso a tecnologias mais avançadas; e para governos, a necessidade de políticas que preservem competitividade e atratividade industrial. Quer que eu reduza ainda mais o texto ou adapte para um estilo mais opinativo?

➡️ Acompanhe nossas redes sociais: LinkedInInstagram e Facebook
➡️ Inscreva-se no canal do Videocast FrotaCast

 

- PUBLICIDADE -
Marcos Villela Hochreiter
Marcos Villela Hochreiterhttps://www.frotanews.com.br
Atuo como jornalista no setor da mobilidade desde 1989 em diversas redações. Também nas áreas de comunicação da Fiat e da TV Globo, e depois como editor da revista Transporte Mundial por 22 anos, e diretor de redação de núcleo da Motor Press Brasil. Desde 2018, represento o Brasil no grupo do International Truck of the Year (IToY), associação de jornalistas de transporte rodoviário de 34 países. Desde 2021, também atuo como colaborador na Fabet (Fundação Adolpho Bósio de Educação no Transporte, entidade educacional sem fins lucrativos). Em 2023, fundei a plataforma de notícias de transporte e logística Frota News, com objetivo de focar nos temas que desafiam as soluções para gestão de frotas.
- Publicidade -

ASSINE NOSSA NEWSLETTER

Últimas notícias
você pode gostar:

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui