Preço do frete rodoviário sobe 13% no terceiro trimestre de 2026, aponta Frete.com

Levantamento mostra aumento anual nas tarifas, queda no volume de fretes em relação a 2025 e concentração das operações no agronegócio e na Região Sudeste

O preço médio do frete rodoviário no mercado spot brasileiro alcançou R$ 0,396 por tonelada transportada por quilômetro rodado no terceiro trimestre de 2026, alta de 13% em comparação com o mesmo período de 2025. Na comparação com o segundo trimestre deste ano, entretanto, houve recuo de 5,2%. Os dados são do Índice Frete.com de Preços (IFP), divulgado no relatório Frete Insights, que analisou o comportamento das tarifas, do volume de cargas e da dinâmica regional do transporte rodoviário de cargas no período.

No terceiro trimestre de 2026, a quantidade de fretes publicados na plataforma Frete.com caiu 18% em relação ao mesmo período do ano anterior. Em contrapartida, o volume cresceu 19% frente ao segundo trimestre de 2026. Segundo o levantamento, o agronegócio respondeu por 47,3% dos fretes publicados, enquanto os estados de São Paulo, Minas Gerais e Goiás concentraram 51% das operações registradas.

A comparação anual ocorre sobre uma base considerada baixa pelo estudo, já que o terceiro trimestre de 2025 registrou o menor patamar recente do indicador. Após a elevação observada no fim de 2025, os preços permaneceram em níveis mais altos ao longo de 2026.

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Diesel avança mais que o frete

Entre os fatores acompanhados pelo estudo está o aumento do preço do diesel S-10. O combustível apresentou valor médio de R$ 7,01 por litro no terceiro trimestre de 2026, ante R$ 6,09 no mesmo período de 2025, uma alta de 15,1%. O percentual superou a variação anual registrada no frete, de 13,1%.

Na comparação com o segundo trimestre de 2026, o diesel manteve estabilidade, com recuo de 0,6%, enquanto o preço médio do frete caiu 5,2%. De acordo com o relatório, o movimento indica redução das margens operacionais dos transportadores autônomos.

Ao longo do trimestre, o ritmo de crescimento anual das tarifas perdeu força. A alta foi de 17% em julho, 12% em agosto e 10% em setembro. Em valores absolutos, o frete médio ficou em R$ 0,403 por tonelada por quilômetro em julho, caiu para R$ 0,391 em agosto e encerrou setembro em R$ 0,394.

Agronegócio lidera movimentação de cargas

A retração anual no volume de fretes esteve concentrada principalmente no agronegócio e na Região Sul. O levantamento atribui esse movimento ao encerramento da principal janela de escoamento da soja.

Mesmo assim, o agronegócio manteve a liderança, respondendo por 47,3% dos fretes publicados na plataforma. O setor registrou queda de 27,1% na comparação anual, mas avançou 31,1% frente ao trimestre anterior. O desempenho foi impulsionado pelo crescimento dos fretes de milho, que subiram 165,3%, e de fertilizantes, com alta de 108,2% em relação ao segundo trimestre. Já os fretes de soja recuaram 40% no mesmo comparativo.

A indústria representou 20,8% do volume total de fretes publicados, com queda de 8,5% frente ao terceiro trimestre de 2025 e crescimento de 8,3% sobre o trimestre anterior. O segmento da construção respondeu por 7,7% do total, registrando retração anual de 26% e avanço trimestral de 8,2%. As cargas diversas concentraram 24,2% das operações e foram o único grupo a apresentar crescimento na comparação anual, com alta de 1,6%.

Sudeste amplia participação no mercado

Todas as regiões brasileiras registraram redução no volume de fretes em relação ao terceiro trimestre de 2025. O Sul apresentou a maior queda, de 36%, seguido pelo Norte, com retração de 33%. Centro-Oeste e Nordeste recuaram 19% cada.

O Sudeste teve redução de 4,4%, mas ampliou sua participação no total monitorado, passando de 37% para 43%. Em relação ao segundo trimestre de 2026, Sul e Nordeste cresceram 28%, enquanto o Sudeste avançou 20% e o Centro-Oeste, 10%. O Norte foi a única região com retração no período, de 13%.

São Paulo liderou o ranking de fretes publicados, com participação de 21,83%, seguido por Minas Gerais, com 18,13%, e Goiás, com 11,04%. O Paraná ocupou a quarta posição, com 10,55%, enquanto Mato Grosso ficou em quinto lugar, com 7,94%. No Rio Grande do Sul, o volume recuou 63% na comparação anual.

Caçamba registra maior valorização

Na análise por tipo de carroceria, todas as categorias apresentaram aumento de preços em relação ao terceiro trimestre de 2025. A carroceria Caçamba registrou a maior alta, de 21,5%, alcançando R$ 0,322 por tonelada por quilômetro. Em seguida apareceu o Graneleiro, com valorização de 15,2% e cotação de R$ 0,349 por tonelada por quilômetro.

No comparativo com o trimestre anterior, as maiores reduções ocorreram nas carrocerias utilizadas para produtos industrializados. O Baú recuou 7,3%, para R$ 0,612 por tonelada por quilômetro, enquanto o Sider caiu 7,6%, para R$ 0,512.

Minas Gerais lidera demanda por caminhões

O indicador de Carga por Caminhão apontou Minas Gerais como o estado com maior intensidade de demanda em relação à frota disponível no terceiro trimestre de 2026, com média de 5,58 solicitações por motorista. São Paulo apareceu em seguida, com 5,06 solicitações, e Goiás, com 4,84.

Entre os corredores de transporte analisados, a rota entre Unaí (MG) e Araguari (MG) apresentou a maior densidade de demanda, alcançando 9,16 solicitações por veículo.

O relatório também destaca que análises baseadas apenas em médias estaduais podem levar a distorções na precificação dos fretes. Segundo o estudo, embora São Paulo apresente elevada demanda agregada, rotas com destino ao Nordeste registram maior oferta de veículos e tarifas em acomodação.

O Frete Insights analisa operações de transporte rodoviário de cargas no mercado spot, em contratações de carga cheia (FTL). O levantamento considera preços publicados para motoristas autônomos e inclui custos de pedágio, seguro e taxas operacionais. O estudo abrange cargas gerais e a granel, excluindo cargas especiais, como produtos tóxicos, refrigerados e vivos. Os indicadores de volume têm como base as movimentações registradas na plataforma Frete.com.

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