domingo, abril 12, 2026

Caminhões avançam 31,9% em março e ônibus sobem 50%; produção sinaliza maior oferta em abril

Emplacamentos de caminhões sobem 31,9% sobre fevereiro e ônibus avançam 50%, mas acumulado do ano ainda mostra retração nos dois segmentos;
produção reforça recuperação parcial

O mercado brasileiro de veículos pesados voltou a mostrar reação em março, com melhora importante tanto em caminhões quanto em ônibus, segundo os dados apresentados pela Anfavea na coletiva de abril. O avanço mensal dos emplacamentos trouxe alívio para a cadeia automotiva e para o setor de transporte, mas o quadro ainda está longe de uma retomada consolidada: no acumulado do primeiro trimestre, os dois segmentos seguem no vermelho.

Nos caminhões, os emplacamentos chegaram a 8,8 mil unidades em março, alta de 31,9% sobre fevereiro, quando o mercado havia registrado 6,7 mil unidades. Mesmo com a reação, o resultado ainda ficou 6,2% abaixo de março de 2025, quando foram licenciados 9,4 mil caminhões. No acumulado de janeiro a março, o setor soma 21,9 mil unidades, contra 27,7 mil no mesmo período do ano passado — uma retração de 21,1%.

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Nos ônibus, o movimento de março foi ainda mais forte na comparação mensal. O segmento emplacou 2 mil unidades, avanço de 50% sobre fevereiro, quando haviam sido registradas 1,3 mil unidades. Na comparação com março do ano passado, quando o mercado havia somado 1,8 mil unidades, o crescimento foi de 9,3%. Ainda assim, o acumulado do trimestre mostra 4,4 mil unidades, abaixo das 5,5 mil de igual período de 2025, o que representa queda de 19,6%.

Nota do editor: Vale lembrar que há um intervalo entre a venda e o emplacamento necessário para implementação da carroceria. Este intervalo pode levar de 30 a 90 dias, dependendo da complexidade. Portanto, os emplacamentos de março representam vendas realizadas em dezembro de 2025, e janeiro e fevereiro de 2026. 

Caminhões

O gráfico de trajetória do acumulado apresentado pela entidade evidencia que a queda era de 31,5% em janeiro, passou para 28,7% no bimestre e fechou março em -21,1%. Ou seja: houve melhora, mas a recuperação ainda é parcial.

Outro ponto importante é que o avanço não ficou restrito ao total do mercado. A Anfavea também destaca a recuperação dos caminhões pesados, que costumam refletir mais diretamente o humor do transporte de longa distância e da renovação de frota em operações de maior escala. Os cavalos mecânicos são emplacados em um tempo menor do que os modelos chassi rígido.

Ônibus

No caso dos ônibus, o comportamento de março foi mais favorável que o dos caminhões em duas frentes: o segmento cresceu tanto frente a fevereiro quanto em relação ao mesmo mês de 2025.

O salto de 50% no comparativo mensal e de 9,3% sobre março do ano passado indica um ritmo mais forte de entregas ou liberações de carrocerias no mês, algo que pode estar associado à retomada pontual de compras por operadores urbanos, rodoviários, fretamento ou programas de renovação localizados nos últimos três meses. Ainda assim, o trimestre permanece negativo em 19,6%.

Produção de pesados melhora em março e dá suporte ao mercado

Se os emplacamentos mostraram reação, a produção de veículos pesados também trouxe sinais concretos de aquecimento industrial em março. A produção é um sinalizador mais significativo sobre tendência, pois, boa parte é reflexo da volta dos transportadores às compras.

Na linha de caminhões, a produção chegou a 11,1 mil unidades, alta de 42,8% sobre fevereiro, quando foram produzidas 7,8 mil unidades. Apesar da forte recuperação mensal, o volume ainda ficou 5% abaixo de março de 2025, quando a indústria havia montado 11,7 mil caminhões. No acumulado do trimestre, a produção somou 25,7 mil unidades, contra 31,7 mil em igual período do ano passado, queda de 18,9%.

Nos ônibus, a produção alcançou 3,1 mil unidades em março, crescimento de 13,7% sobre fevereiro, quando foram produzidas 2,7 mil unidades. Na comparação com março de 2025, o avanço foi de 6,7%, já que naquele período haviam sido montadas 2,9 mil unidades. No acumulado de janeiro a março, o segmento mostra 7,6 mil unidades, acima das 7,2 mil do primeiro trimestre do ano passado, uma alta de 5,9%.

Exportações também pesam no humor do setor

Outro dado que ajuda a entender a cautela do mercado de pesados está no desempenho das exportações. No consolidado de caminhões e ônibus, as exportações de autoveículos pesados recuaram de 7,4 mil unidades no primeiro trimestre de 2025 para 5,7 mil unidades em igual período de 2026, uma queda de aproximadamente 23%.

A própria apresentação da Anfavea detalha que, dentro do recorte trimestral, as exportações de caminhões caíram de 9,4 mil para 5,9 mil unidades, retração de 37,7%, enquanto as de ônibus avançaram de 6,2 mil para 7,5 mil unidades, alta de 21,5%.

Projeção da Anfavea para 2026

Mesmo com a melhora de março, a própria Anfavea mantém uma visão prudente para o ano. Nas projeções de 2026 apresentadas na coletiva, a entidade estima 137 mil emplacamentos de veículos pesados, praticamente estáveis frente aos 136 mil de 2025, o que representa variação de 2,8%. No recorte consolidado de pesados, a previsão é de 154 mil unidades produzidas, avanço de 1,4% sobre as 152 mil do ano anterior. Já nas exportações, a projeção é de 33 mil unidades, alta de 1,5%.

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