O mercado brasileiro de caminhões iniciou 2026 em ritmo mais fraco e vale lembrar que os efeitos do programa de renovação de frota Move Brasil ainda não aparecem de forma consistente nos dados de licenciamentos. Segundo Jefferson Ferrarez, vice-presidente de vendas e marketing de caminhões e ônibus da Mercedes-Benz, as vendas por esse programa devem começar a aparecer a partir de abril, pois os cavalos mecânicos levam dois meses e os rígidos até quatro meses para os emplacamentos.
No acumulado de janeiro e fevereiro, foram emplacadas 12.984 unidades, contra 17.847 no mesmo período de 2025 — retração de 27,25%, segundo dados divulgados pela Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave).
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Em fevereiro, o setor registrou 6.611 caminhões licenciados, crescimento de 3,73% em relação a janeiro, quando foram registrados 6.373 veículos. A leve recuperação mensal, porém, não foi suficiente para alterar o cenário de retração. Na comparação com fevereiro do ano passado, quando o mercado emplacou 8.716 unidades, a queda chega a 24,15%.
Os números indicam que, apesar da expectativa em torno do programa federal de renovação de frota, o mercado segue em compasso de espera, ainda pressionado pelo alto custo do crédito e pela cautela nos investimentos em transporte.

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Participação menor no mercado automotivo
Outro indicador que reforça a desaceleração do setor é a perda de participação dos caminhões no mercado total de veículos. O segmento representava 2,54% dos licenciamentos acumulados em 2025 e caiu para 1,75% em 2026, refletindo o ritmo mais lento de renovação e expansão das frotas.
Segundo o presidente da Fenabrave, Arcelio Alceu dos Santos Junior, o desempenho acompanha a sensibilidade histórica do transporte rodoviário às condições macroeconômicas.
Disputa acirrada entre montadoras
Mesmo com o mercado em retração, a disputa entre as montadoras permanece equilibrada no acumulado do ano.
A liderança no primeiro bimestre é da Volkswagen Caminhões e Ônibus, com 3.534 unidades licenciadas e 27,22% de participação. Na sequência aparece a Mercedes-Benz, com 3.481 caminhões (26,81%).
O terceiro lugar é ocupado pela Volvo, com 2.307 unidades e 17,77% de market share.
Na sequência do ranking aparecem:
- Scania: 1.227 unidades (9,45%)
- Iveco: 1.222 unidades (9,41%)
- DAF: 950 unidades (7,32%)
- Foton: 181 unidades (1,39%)
- JAC Motors: 32 unidades (0,25%)
- Agrale: 24 unidades (0,18%)
- Sany: 3 unidades (0,02%)
- Hyundai: 2 unidades (0,02%)
Vendas crescem nas concessionárias
Apesar da retração nos emplacamentos, algumas montadoras relatam aumento nas vendas vinculadas ao programa Move Brasil. Segundo o BNDES, já são cerca de 6 mil caminhões (a maioria zero km e uma quantidade menor de seminovos) financiados. Grande parte desse volume deve ser entregue aos clientes nos próximos meses.
De acordo com Jefferson Ferrarez, a Mercedes-Benz já comercializou cerca de 400 caminhões dentro da iniciativa. Outras fabricantes também começaram a divulgar números preliminares de adesão ao programa. A Iveco informou cerca de 300 operações fechadas, a Scania aproximadamente 280 contratos e a DAF cerca de 117 financiamentos nessa fase inicial.
Efeito do programa deve aparecer a partir de abril
O programa Move Brasil prevê a liberação de até R$ 10 bilhões em crédito para renovação de frota, dos quais cerca de R$ 4,2 bilhões já foram contratados até agora. Desse total, R$ 48 milhões foram para seminovos Euro 5.
O vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, tem articulado com instituições financeiras a criação de um fundo garantidor para ampliar o alcance do programa, em parceria com a Petrobras e o Ministério dos Transportes. A iniciativa busca facilitar o acesso ao financiamento principalmente para pequenos e médios transportadores.
Crédito continua sendo o principal entrave
Mesmo com os estímulos, o custo do financiamento segue como principal obstáculo para a retomada do mercado.
Segundo Ferrarez, taxas entre 11% e 12% ainda são consideradas elevadas para operações de longo prazo no transporte. Em um caminhão que pode custar cerca de R$ 700 mil, cada ponto percentual de redução nos juros pode representar impacto superior a R$ 140 mil no custo total do veículo ao longo do ciclo operacional.
Nesse contexto, grande parte das vendas atuais está ligada à compras adiadas de 2025 e antecipação de compras neste ano. Dessa forma, caminhões seminovos estão sendo substituídos por novos, e modelos anteriores ao Euro 5 (iniciado em 2012) por seminovos entre 2012 e 2022.
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