quinta-feira, março 5, 2026

Emplacamentos de caminhões caem 27% no bimestre e setor espera entregas do Move Brasil

O mercado brasileiro de caminhões iniciou 2026 em ritmo mais fraco e vale lembrar que os efeitos do programa de renovação de frota Move Brasil ainda não aparecem de forma consistente nos dados de licenciamentos. Segundo Jefferson Ferrarez, vice-presidente de vendas e marketing de caminhões e ônibus da Mercedes-Benz, as vendas por esse programa devem começar a aparecer a partir de abril, pois os cavalos mecânicos levam dois meses e os rígidos até quatro meses para os emplacamentos.

No acumulado de janeiro e fevereiro, foram emplacadas 12.984 unidades, contra 17.847 no mesmo período de 2025 — retração de 27,25%, segundo dados divulgados pela Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave).

Em fevereiro, o setor registrou 6.611 caminhões licenciados, crescimento de 3,73% em relação a janeiro, quando foram registrados 6.373 veículos. A leve recuperação mensal, porém, não foi suficiente para alterar o cenário de retração. Na comparação com fevereiro do ano passado, quando o mercado emplacou 8.716 unidades, a queda chega a 24,15%.

Os números indicam que, apesar da expectativa em torno do programa federal de renovação de frota, o mercado segue em compasso de espera, ainda pressionado pelo alto custo do crédito e pela cautela nos investimentos em transporte.

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Participação menor no mercado automotivo

Outro indicador que reforça a desaceleração do setor é a perda de participação dos caminhões no mercado total de veículos. O segmento representava 2,54% dos licenciamentos acumulados em 2025 e caiu para 1,75% em 2026, refletindo o ritmo mais lento de renovação e expansão das frotas.

Segundo o presidente da Fenabrave, Arcelio Alceu dos Santos Junior, o desempenho acompanha a sensibilidade histórica do transporte rodoviário às condições macroeconômicas.

Disputa acirrada entre montadoras

Mesmo com o mercado em retração, a disputa entre as montadoras permanece equilibrada no acumulado do ano.

A liderança no primeiro bimestre é da Volkswagen Caminhões e Ônibus, com 3.534 unidades licenciadas e 27,22% de participação. Na sequência aparece a Mercedes-Benz, com 3.481 caminhões (26,81%).

O terceiro lugar é ocupado pela Volvo, com 2.307 unidades e 17,77% de market share.

Na sequência do ranking aparecem:
  • Scania: 1.227 unidades (9,45%)
  • Iveco: 1.222 unidades (9,41%)
  • DAF: 950 unidades (7,32%)
  • Foton: 181 unidades (1,39%)
  • JAC Motors: 32 unidades (0,25%)
  • Agrale: 24 unidades (0,18%)
  • Sany: 3 unidades (0,02%)
  • Hyundai: 2 unidades (0,02%)

Vendas crescem nas concessionárias

Apesar da retração nos emplacamentos, algumas montadoras relatam aumento nas vendas vinculadas ao programa Move Brasil. Segundo o BNDES, já são cerca de 6 mil caminhões (a maioria zero km e uma quantidade menor de seminovos) financiados. Grande parte desse volume deve ser entregue aos clientes nos próximos meses.

De acordo com Jefferson Ferrarez, a Mercedes-Benz já comercializou cerca de 400 caminhões dentro da iniciativa. Outras fabricantes também começaram a divulgar números preliminares de adesão ao programa. A Iveco informou cerca de 300 operações fechadas, a Scania aproximadamente 280 contratos e a DAF cerca de 117 financiamentos nessa fase inicial.

Efeito do programa deve aparecer a partir de abril

O programa Move Brasil prevê a liberação de até R$ 10 bilhões em crédito para renovação de frota, dos quais cerca de R$ 4,2 bilhões já foram contratados até agora. Desse total, R$ 48 milhões foram para seminovos Euro 5.

O vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, tem articulado com instituições financeiras a criação de um fundo garantidor para ampliar o alcance do programa, em parceria com a Petrobras e o Ministério dos Transportes. A iniciativa busca facilitar o acesso ao financiamento principalmente para pequenos e médios transportadores.

Crédito continua sendo o principal entrave

Mesmo com os estímulos, o custo do financiamento segue como principal obstáculo para a retomada do mercado.

Segundo Ferrarez, taxas entre 11% e 12% ainda são consideradas elevadas para operações de longo prazo no transporte. Em um caminhão que pode custar cerca de R$ 700 mil, cada ponto percentual de redução nos juros pode representar impacto superior a R$ 140 mil no custo total do veículo ao longo do ciclo operacional.

Nesse contexto, grande parte das vendas atuais está ligada à compras adiadas de 2025 e antecipação de compras neste ano. Dessa forma, caminhões seminovos estão sendo substituídos por novos, e modelos anteriores ao Euro 5 (iniciado em 2012) por seminovos entre 2012 e 2022.

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Marcos Villela Hochreiter
Marcos Villela Hochreiterhttps://www.frotanews.com.br
Atuo como jornalista no setor da mobilidade desde 1989 em diversas redações. Também nas áreas de comunicação da Fiat e da TV Globo, e depois como editor da revista Transporte Mundial por 22 anos, e diretor de redação de núcleo da Motor Press Brasil. Desde 2018, represento o Brasil no grupo do International Truck of the Year (IToY), associação de jornalistas de transporte rodoviário de 34 países. Desde 2021, também atuo como colaborador na Fabet (Fundação Adolpho Bósio de Educação no Transporte, entidade educacional sem fins lucrativos). Em 2023, fundei a plataforma de notícias de transporte e logística Frota News, com objetivo de focar nos temas que desafiam as soluções para gestão de frotas.
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