Comercial leve de 3,5 t chega com 1.740 kg de carga, 15 m³ e autonomia de até 300 km para operações de última milha
A Farizon, marca de veículos comerciais de novas energias do Grupo Geely representada no Brasil pelo Grupo Timber, avança mais um passo decisivo na eletrificação do transporte urbano brasileiro. Após meses de estudos, homologação e testes locais, a empresa lança oficialmente o F3E, o utilitário 100% elétrico de 3,5 toneladas que chega para atender operações de distribuição urbana, e-commerce, serviços e last mile — segmento que cresce a dois dígitos ao ano.
O modelo foi apresentado por Rodrigo Pikussa, diretor executivo da Unidade de Veículos Elétricos da Farizon no Brasil, em entrevista à Frota News. O executivo destacou que o F3E inaugura uma nova fase da marca no País, ampliando o portfólio e oferecendo ao mercado uma solução elétrica com autonomia competitiva, maior capacidade de carga e pacote de segurança superior ao padrão atual do segmento.
Pikussa afirma que o mercado vive uma transição acelerada: “Definitivamente agora o veículo elétrico já é viável. Já tem paridade de custo operacional com o veículo a combustão”, disse o executivo.
Segundo ele, essa paridade já é observada nos veículos de passageiros e começa a se consolidar nos comerciais leves — justamente o nicho onde o F3E foi desenvolvido para atuar.
Preço e características técnicas
Com o preço público sugerido de R$ 240 mil, o caminhão chega ao mercado com custo total de operação equivalente ao diesel em rotas urbanas de 100 a 120 km por dia, faixa típica das operações de e-commerce em cidades como São Paulo.
O F3E foi projetado desde a origem para aplicações urbanas e last mile. Ele combina PBT de 3.495 kg, capacidade de carga de até 1.740 kg e possibilidade de receber implementos de até 15 m³, ampliando o alcance para diferentes operações.
Com bateria de 72,84 kWh e lançamento previsto para o mercado brasileiro, o utilitário elétrico Farizon F3E deverá registrar uma autonomia projetada de aproximadamente 220 km segundo os parâmetros do Programa Brasileiro de Etiquetagem Veicular (PBEV). Ao aplicar o habitual deságio de 30% do Inmetro sobre o ciclo global WLTP — de forma a simular condições reais de uso comercial e severo —, o modelo da marca deve atingir um consumo energético estimado entre 30 e 33 kWh/100 km (equivalente a 1,08 a 1,18 MJ/km), com a marcação final oscilando a depender da implementação instalada sobre o chassi e da carga transportada.
A capacidade da bateria do Farizon é superior à de concorrentes diretos no mercado — como o JAC E-JT 3.5 (63,75 kWh) e o BYD T35 (63 kWh). Essa vantagem em densidade energética reflete-se diretamente na autonomia estimada no padrão Inmetro: enquanto os rivais projetam alcance ao redor dos 160 km a 180 km nas medições brasileiras (considerando o deságio sobre os ciclos internacionais), o F3E deve registrar entre 210 km e 220 km por carga. Como o padrão PBEV do Inmetro é muito rigoroso, a Farizon Brasil trabalha com estimativa de autonomia entre 250 km e 300 km.
O motor elétrico integrado ao eixo traseiro entrega 110 kW (150 cv) de potência e 300 Nm de torque, proporcionando respostas rápidas e boa capacidade de aceleração mesmo com o veículo carregado. O entre‑eixos de 3.700 mm permite maior estabilidade e possibilita implementos de até 15 m³, ampliando a versatilidade do caminhão em diferentes aplicações logísticas.
Para recarga, o F3E suporta carregamento em corrente alternada (AC) de até 11 kW, ideal para abastecimento noturno, e carregamento rápido em corrente contínua (DC) de até 100 kW no padrão CCS2, permitindo recuperar grande parte da autonomia em poucos minutos. O modelo também oferece dois modos de condução: o Eco, que limita a velocidade a 80 km/h para maximizar a eficiência, e o Normal, que permite atingir até 90 km/h, equilibrando desempenho e economia conforme a necessidade da operação.
O entre-eixos maior permite baús mais volumosos e com centro de gravidade mais baixo, aumentando a estabilidade — ponto destacado por Pikussa como diferencial importante:
“Hoje você vê na rua baús extremamente altos, o que compromete a segurança. Buscamos uma configuração que oferecesse estabilidade e eficiência energética.”
Energia para implementos e função V2L ampliam aplicações
O F3E oferece uma saída de alta tensão de 10 kW, capaz de alimentar implementos como: sistemas de refrigeração, plataformas elevatórias, bombas hidráulicas.
Além disso, incorpora a função V2L (Vehicle to Load), que permite usar a bateria do veículo para alimentar equipamentos externos com potência de até 3,3 kW — recurso útil para operações de campo, serviços técnicos e apoio operacional.
O caminhão chega com um pacote de segurança ativa e passiva incomum entre veículos semileves no Brasil: Frenagem autônoma de emergência (AEB), Alerta de colisão frontal (FCW), Alerta de saída involuntária de faixa (LDW), Controle eletrônico de estabilidade (ESC), Frenagem eletro-hidráulica (EHB), Freio de estacionamento eletrônico (EPB), Monitoramento da pressão dos pneus (TPMS), Airbags para motorista e passageiro, Câmera de ré HD e quatro sensores traseiros, Iluminação full LED com DRL e faróis automáticos. “É um veículo com a medida certa de tecnologia, sem exageros que atrapalham a operação”, afirmou Pikussa.



