Os custos logísticos no Brasil alcançaram 15,5% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2025, segundo o estudo anual “Custos Logísticos e o Impacto nas Empresas Brasileiras”, elaborado há mais de duas décadas pelo Instituto de Logística e Supply Chain (ILOS). Em 2014, essa participação era de 10,4%. A escalada coloca o País em um patamar elevado quando comparado às principais economias globais.
A Frota News também pesquisou levantamentos internacionais consolidados por instituições como a Organisation for Economic Co-operation and Development (OCDE) e análises acadêmicas sobre logística e desenvolvimento econômico, o custo logístico nas economias avançadas costuma variar entre 8% e 10% do PIB. Já nos grandes emergentes, a faixa típica situa-se entre 12% e 15%. Ou seja, o índice brasileiro de 15,5% posiciona o País acima da média dos desenvolvidos e ligeiramente acima de muitos emergentes de grande porte, aproximando-se do limite superior observado internacionalmente — e raramente ultrapassado de forma consistente.
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Segundo o sócio-diretor do ILOS e responsável pelo estudo, Maurício Lima, nos últimos dez anos o Brasil transportou cerca de 25% a mais em volume de carga utilizando praticamente a mesma infraestrutura logística.
“Os investimentos não acompanharam o desempenho do setor. Esse descompasso pressiona os custos e faz com que os gastos aumentem gradativamente. O País não tem como crescer a taxas elevadas quando o custo logístico sobe dessa forma”, afirma.

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O transporte — principal componente da conta logística nacional — continua fortemente concentrado no modal rodoviário, enquanto os modais ferroviário, aquaviário, dutoviário e aéreo avançam em ritmo inferior ao necessário para equilibrar a matriz.
Estoques mais caros e juros elevados
O estudo do ILOS aponta ainda que as despesas com estoque passaram de 3% para 5% do PIB desde 2014. A elevação da taxa básica de juros nos últimos anos intensificou o custo do capital imobilizado, tornando mais onerosa a manutenção de inventários.
De acordo com Lima, os quatro anos em que a relação entre Selic e estoque foi mais pesada sobre o PIB concentram-se entre 2022 e 2025 — período marcado por crédito mais caro e maior pressão financeira sobre empresas industriais, comerciais e de distribuição.
Esse efeito financeiro amplia o peso estrutural da logística na economia brasileira, impactando margens e competitividade.
Comparação internacional: onde o Brasil se posiciona
A diferença brasileira torna-se mais evidente quando observada à luz de grandes economias individuais:
- Estados Unidos: cerca de 8,8% do PIB (2024), alinhado ao padrão de economias avançadas eficientes.
- Alemanha: aproximadamente 8,7% do PIB, em linha com o perfil industrial avançado europeu.
- Japão: cerca de 3,8% do PIB, um dos sistemas logísticos mais eficientes do mundo.
- China: em torno de 14,4% do PIB, patamar elevado, mas ainda ligeiramente abaixo do índice brasileiro.
- Índia: aproximadamente 13% do PIB, com meta oficial de redução para 8–9% nos próximos anos.
Os países do G7 operam, de modo geral, com custos logísticos relativos significativamente menores que os do Brasil. Mesmo grandes emergentes, como China e Índia, situam-se em uma faixa entre 13% e 14%, o que reforça a percepção de que 15,5% representa um patamar elevado para uma das maiores economias do mundo.
Margem comprimida e risco de desequilíbrio
O estudo também revela uma contradição preocupante. Para embarcadores, o transporte é visto como caro. Para transportadoras, no entanto, os valores praticados não têm sido suficientes para recompor o aumento dos custos operacionais.
Entre 2023 e 2024, as despesas das empresas de transporte cresceram sem repasse proporcional ao frete. Em 2025, os preços permaneceram praticamente estáveis em relação ao ano anterior.
À primeira vista, isso pode parecer positivo para contratantes. No entanto, segundo Maurício Lima, há um risco latente. “Muitos operadores logísticos estão deixando de atuar em determinados setores porque a margem não compensa. Isso ocorre inclusive no segmento de granéis agrícolas, que cresceu cerca de 17% em produção em 2025.”
A saída de operadores de nichos estratégicos pode gerar desequilíbrio de oferta no médio prazo, pressionando preços e comprometendo a regularidade das operações. A FedEx é uma das empresas que deixou de atuar na logística interna no Brasil.
Um gargalo ao crescimento
Realizada desde 2004 — inicialmente de forma bienal e, a partir de 2014, anualmente — a pesquisa do ILOS analisa transporte, estoques, armazenagem e despesas administrativas sob a ótica macroeconômica.
Com mais de 30 anos de experiência e mais de 400 projetos desenvolvidos, o Instituto consolidou-se como referência nacional em planejamento e implementação de projetos de Logística e Supply Chain.
Os números de 2025 deixam um recado claro: com custo logístico equivalente a 15,5% do PIB, o Brasil opera acima da média das economias avançadas e no limite superior dos grandes emergentes. Sem investimentos estruturantes, ambiente macroeconômico mais estável e maior eficiência sistêmica, a logística continuará sendo um dos principais freios à competitividade e ao crescimento sustentável do País.
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