Solução aerodinâmica com carenagem traseira desenvolvida na FEI diminui o arrasto em 12,6% e ajuda transportadores a reduzir gastos com combustível
O estudo ganhou papel de destaque no INOVAFEI, tradicional evento de apresentação de Trabalhos de Conclusão de Curso (TCC) da instituição. A inovação consiste no acoplamento de uma carenagem na parte traseira do baú do caminhão, estrutura que diminui o arrasto aerodinâmico em 12,6% e proporciona uma economia direta de 6,1% no consumo de diesel por quilômetro rodado em veículos trafegando à velocidade constante de 90 km/h, reduzindo expressivamente os gastos operacionais com combustível.
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A alteração geométrica concebida pelo grupo possui um formato aerodinâmico que se afunila progressivamente em direção à extremidade traseira, apresentando visual similar ao de uma pirâmide de topo plano. O propósito técnico dessa estrutura é mitigar a zona de baixa pressão gerada no vácuo logo atrás do caminhão em movimento, considerada um dos principais fatores responsáveis pela resistência do ar.
Para a confecção física do componente, os estudantes definiram o uso de chapas de policarbonato, material escolhido por ser barato, resistente e de fácil manipulação. O cálculo que atesta a economia de combustível de 6,1% já considera o acréscimo de massa relativo ao componente, que adiciona cerca de 100 quilos ao veículo pesado.
A validação do projeto seguiu rigorosos métodos de engenharia antes dos testes práticos. De acordo com o estudante Enzo Alves Zanatta, diversas geometrias foram inicialmente simuladas em software de simulação fluidodinâmica (CFD), comparando o arrasto dos veículos com e sem a estrutura.
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Os índices obtidos refletem os resultados da melhor geometria identificada durante as simulações digitais. Posteriormente, um modelo reduzido em escala passou por ensaios em túnel de vento, onde a equipe registrou uma diminuição do arrasto aerodinâmico equivalente àquela obtida nos modelos computacionais.
Apesar do desempenho técnico e da eficiência comprovados nos testes, a inserção comercial da tecnologia enfrenta entraves burocráticos na legislação brasileira de trânsito, que fixa limites rígidos para o comprimento máximo total dos caminhões. Como parcela considerável da frota rodoviária nacional já opera no teto dimensional estabelecido por lei, a aplicação imediata da carenagem fica limitada aos veículos que circulam abaixo do tamanho máximo permitido.
Diante desse cenário, o orientador do projeto, professor Rodrigo Bernardello Unzueta, sustenta que o avanço tecnológico serve como embasamento para propor a modernização das normas vigentes. O professor defende que é fundamental apresentar às câmaras legislativas a demonstração prática dos benefícios dessas geometrias, solicitando revisões legais que viabilizem seu uso de forma generalizada.
A mudança normativa permitiria reduzir os custos logísticos no transporte, enxugar o consumo de diesel e diminuir as emissões de gases do efeito estufa. Mesmo com o gargalo regulatório, o baixo custo estimado para a produção da estrutura em policarbonato, quando comparado ao volume financeiro despendido na manutenção e operação de veículos pesados, já chamou a atenção de empresas do setor logístico e de transportes, que iniciaram contatos preliminares com os pesquisadores.
O desenvolvimento do projeto reflete o histórico de tradição da FEI, que soma mais de oito décadas de atuação e contabiliza mais de 60 mil profissionais formados.
Integrante da Companhia de Jesus, a instituição é referência em gestão, inovação e tecnologia, oferecendo graduações em Administração, Ciência da Computação, Ciência de Dados e Inteligência Artificial, além de diversos ramos da Engenharia, incluindo Civil, Automação e Controle, Produção, Elétrica, Química, Mecânica, Mecânica com ênfase Automobilística e a primeira graduação em Engenharia de Robôs do país, que compõe o maior polo educacional de robótica inteligente da América Latina.
Alinhada às transformações globais, a FEI também integrou a formulação das novas Diretrizes Curriculares Nacionais para Engenharia e Administração junto ao Ministério da Educação, incorporando conceitos de interdisciplinaridade e empreendedorismo na formação acadêmica.
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