A Scania encerrou o segundo trimestre de 2026 com resultados que refletem não apenas a resiliência operacional da montadora sueca, mas também a atuação focada em mercados emergentes e na transição energético-tecnológica. O balanço divulgado hoje (23/07) na Suécia mostra uma receita de vendas de SEK 53,1 bilhões (cerca de R$ 27,6 bilhões na cotação atual), alta de 6% em relação aos SEK 49,9 bilhões (aproximadamente R$ 26,0 bilhões) do mesmo período do ano passado, além de uma margem operacional ajustada de 11,6% — um salto substancial ante os 9,8% registrados no mid-2025.
O motor desse crescimento não veio do mercado europeu tradicional, mas da América Latina e da Ásia. No Brasil, o programa de financiamento Move Brasil injetou liquidez no setor de transporte de carga, alavancando a entrada de novos pedidos da fabricante em expressivos 41% no trimestre (totalizando 28.743 unidades). O apetite do agronegócio e da logística brasileira por renovação de frota provou ser um amortecedor vital contra a desaceleração de outros mercados.
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Paralelamente, a operação na China começou a maturar. A aceleração da produção (ramp-up) do polo industrial chinês e a boa aceitação da linha de cavalos mecânicos NEXT ERA mostram que a Scania está conseguindo fincar pé no maior mercado de caminhões do mundo, compensando os custos iniciais pesados dessa expansão e do aumento de aportes em P&D, segundo o relatório divulgado aos acionistas.
Do ponto de vista financeiro e de produto, Christian Levin, presidente d CEO da Scania e TRATON Group, destacou dois pontos estruturais:
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A ‘tranquilidade’ dos serviços: A divisão de serviços e pós-venda continua ganhando peso na receita total. Trata-se de uma receita recorrente e de alta margem, que estabiliza o caixa da empresa e reduz a vulnerabilidade às oscilações cíclicas da venda de ativos pesados.
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A transição energética em ritmo controlado: Embora o volume absoluto ainda seja modesto, as entregas de Veículos de Emissão Zero (ZEV) mais que dobraram no período, saltando de 117 para 265 unidades, enquanto os novos pedidos subiram para 321 unidades. A expansão da frota elétrica sinaliza que, apesar das incertezas infraestruturais globais, a migração para frotas descarbonizadas começa a sair da fase teórica e a entrar nas planilhas de compras dos grandes operadores logísticos.
Em suma, ao combinar disciplina de custos no centro corporativo com flexibilidade comercial nas pontas — aproveitando o crédito subsidiado/fomentado no Brasil e a escala chinesa —, a Scania demonstra flexibilidade financeira para navegar no atual cenário macroeconômico global, marcado por incertezas geopolíticas e juros ainda restritivos nas economias centrais.
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Scania entrega primeiro caminhão híbrido elétrico-diesel militar, e lança cabine blindada
A Scania realizou a entrega do primeiro de três caminhões híbridos adquiridos pela FMV (Administração Sueca de Material de Defesa), em um projeto conjunto que visa ampliar o conhecimento sobre o uso de tecnologias eletrificadas em aplicações militares. A transferência inicial ocorreu durante o Eurosatory, em Paris, um dos principais eventos globais de defesa.
Os veículos serão testados pelos três ramos das Forças Armadas Suecas, permitindo avaliar como a tecnologia híbrida pode atender às exigências operacionais modernas — que incluem maior eficiência energética, mobilidade aprimorada e fornecimento silencioso de energia em campo.
Segundo a FMV, o objetivo é desenvolver a tecnologia em estreita colaboração entre indústria, autoridade e usuários finais, garantindo que as soluções atendam às necessidades reais das operações militares.
Mobilidade silenciosa e plataforma de energia móvel
O caminhão híbrido utiliza um sistema híbrido paralelo plug-in, no qual motor elétrico e motor de combustão podem atuar de forma independente ou combinada. O motor elétrico oferece torque instantâneo, maior controle em baixas velocidades e capacidade de deslocamento silencioso por períodos limitados — recurso essencial em missões que exigem baixa presença acústica.
O alcance elétrico varia entre 70 e 80 quilômetros, dependendo das condições de uso. A bateria de 208 kWh permite ainda que o veículo funcione como uma plataforma móvel de energia, fornecendo eletricidade a postos de comando, sensores, sistemas de comunicação e acampamentos temporários. Em torno de 75% de carga, são cerca de 156 kWh disponíveis, suficientes para aproximadamente quatro horas de alimentação contínua em corrente alternada.
O carregamento completo da bateria pode ser realizado pelo próprio motor de combustão em 45 a 60 minutos em marcha lenta, ampliando a autonomia energética em campo sem depender de geradores externos.
Vantagens operacionais e redução de ruído

Hoje, geradores a diesel são amplamente utilizados para alimentar equipamentos militares, mas produzem ruído e aumentam o risco de detecção. A solução híbrida da Scania permite fornecimento de energia totalmente silencioso, ampliando a segurança em operações sensíveis.
O veículo oferece tomadas de 400 V e 230 V CA, além de permitir uso da tomada de força (PTO) durante carregamento, manobras e condução, com até 60 kW de energia elétrica e até 220 kW de potência mecânica.
Stefano Fedel, chefe da Scania Commercial, ressalta que o setor de defesa passa por uma transformação acelerada, impulsionada por novas demandas de energia, mobilidade e flexibilidade. Ele afirma que a cooperação com a FMV permite desenvolver e avaliar a tecnologia híbrida em condições reais de operação, ao mesmo tempo em que evidencia como a capacidade industrial da Scania pode contribuir para soluções de defesa mais avançadas.
Paralelamente, a empresa estuda como industrializar a produção de caminhão híbrido para uso militar, integrando-os ao sistema modular da marca e possibilitando adaptações conforme diferentes missões e requisitos estratégicos.
Scania lança solução blindada para logística de defesa com modularidade avançada
A Scania ampliou sua atuação no setor de defesa ao apresentar, no Eurosatory 2026, em Paris, uma nova cabine modular protegida desenvolvida para operações militares críticas. A solução permite que forças armadas configurem veículos blindados sem migrar para plataformas exclusivas, mantendo a arquitetura modular da marca. Segundo Stefano Fedel, chefe da Scania Commercial, a proposta combina proteção balística e contra explosões com mobilidade, disponibilidade operacional e o ecossistema global de suporte já consolidado da empresa.
Projetada para missões em terrenos desafiadores, clima adverso e uso contínuo, a cabine oferece níveis de proteção configuráveis conforme o STANAG 4569 (Níveis 1 a 3). O interior foi desenvolvido para maximizar alerta, ergonomia e controle do motorista, preservando a familiaridade dos caminhões Scania. A solução também facilita a integração de sistemas e carrocerias específicas de missão, além de permitir configurações 4×4, 6×6 e 8×8, atendendo requisitos estratégicos como o perfil ferroviário UIC GA.
Fabricada na Suécia e integrada ao fluxo regular de produção da Scania, a cabine protegida mantém comunalidade de peças, manutenção e interfaces, reduzindo custos de ciclo de vida e fortalecendo a disponibilidade operacional. De acordo com Sara Forsberg, CTO e chefe de P&D da Scania, o conceito não é uma plataforma separada, mas uma evolução do sistema modular da marca, oferecendo escalabilidade e suporte de longo prazo. Com mais de um século fornecendo soluções de defesa a países da OTAN e aliados, a Scania reforça sua posição como parceira estratégica para operações militares modernas.
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