Seleção do Cortes do Villela de hoje: A Daimler Truck AG revisa suas projeções para cima no segundo semestre impulsionada pela América Norte; a disputa esquenta no mercado de consórcios de pesados; o Grupo EPR assume a Rodovia Régis Bittencourt com o desafio de entregar investimentos estruturais; a ApexBrasil financia a participação de fabricantes brasileiros na feira YugAgro para renovar a frota agrícola russa; e a restrição a divulgação dos dados do setor de caminhões.
A revisão para cima das projeções da Daimler Truck AG para 2026 — prevendo receita de 43 bilhões a 47 bilhões de euros (cerca de R$ 251,5 bilhões a R$ 274,8 bilhões, na cotação atual) e vendas de até 370 mil unidades — revela a aposta da multinacional em um segundo semestre robusto, alavancada pelo desempenho na América do Norte. Como destaca Karin Rådström CEO da companhia, os resultados fortes da operação norte-americana e a redução nos impactos tarifários sustentam essa elevação do guidance.
Sob a ótica do mercado brasileiro, o cenário expõe um paradoxo: enquanto a divisão Daimler Buses GmbH manteve rentabilidade sólida (ROS ajustado de 9,6% e receita de 1,55 bilhão de euros / R$ 9,06 bilhões), a América Latina e o México registraram queda nas vendas unitárias, perda compensada por reajustes de preço e efeitos cambiais. No consolidado, o lucro líquido do grupo saltou 374% no trimestre, atingindo 1,5 bilhão de euros (R$ 8,77 bilhões).
Essa robustez operacional é respaldada pela política de retorno ao acionista: a CFO Eva Scherer confirmou que a forte posição de liquidez garantirá o lançamento imediato da segunda etapa do programa de recompra de ações — de até € 1,1 bilhão (R$ 6,43 bilhões) —, mostrando que a disciplina financeira e os ganhos de margem no exterior continuam blindando a empresa contra a volatilidade pontual dos mercados emergentes.
Setor de transportes aquecido no consórcio com taxas que já foram de 5,5%
A disputa no mercado de consórcios de pesados segue acirrada. Dados da Associação Brasileira das Administradoras de Consórcios (ABAC) mostram que, nos primeiros seis meses de 2026, o segmento de veículos pesados, que reúne ônibus, caminhões, tratores, implementos rodoviários e agrícolas, disponibilizou mais de R$ 12 bilhões em créditos, o que aponta 12,7% a mais em relação ao mesmo período de 2025.
E na Lat.Bus, de um lado, a Ademicon opera no modelo white label (Consortium as a Service) administrando com exclusividade o Consórcio IVECO, com taxas de administração praticadas a partir de 15%.
Do outro lado, o Consórcio Maggi vem ampliando sua presença no setor. Na feira, a Volkswagen Caminhões e Ônibus anunciou que a parceira passa a atender também o segmento de ônibus da montadora, inaugurando o primeiro grupo da marca exclusivo para o setor. Paralelamente, o Consórcio Maggi mantém sua tradicional parceria com o SETCESP, oferecendo condições diferenciadas para os transportadores associados renovarem e ampliarem suas frotas.
Enquanto no passado os grupos exclusivos da entidade contaram com taxas agressivas na casa dos 5,5%, as tabelas para as novas cotas de pesados da Maggi atualmente giram entre 8% e 15% totais, a depender do prazo e da composição do grupo. A contratação para os filiados segue disponível diretamente pelos canais do sindicato.
A régua alta da Régis Bittencourt
O desconto agressivo de 22,53% oferecido pela Grupo EPR Participações para arrematar os 383 quilômetros da Rodovia Régis Bittencourt (BR-116) atende ao apelo político de modicidade tarifária, mas coloca a nova concessão sob o olhar atento do setor produtivo. Com a promessa de investir R$ 7,2 bilhões até 2041 — verba essencial para financiar 69 quilômetros de duplicações e obras operacionais —, a viabilidade do projeto dependerá da velocidade em destravar gargalos históricos, como a geometria travada da Serra do Cafezal, a escassez de terceiras faixas e a falta de pátios de descanso seguros no Vale do Ribeira.
Para o transporte rodoviário de cargas, elo que sustenta o fluxo logístico entre o Paraná e São Paulo, o grande xadrez da concessão não está na assinatura do contrato, mas na execução física do cronograma. Como destacou Luiz Gustavo Peres Nery, vice-presidente do Setcepar, prejuízos com consumo de combustível, perda de janelas de entrega e roubos de carga exigem respostas além do recapeamento asfáltico trivial. O recado das transportadoras à Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) e ao Tribunal de Contas da União (TCU) é o seguinte: a fiscalização precisa de métricas públicas e rigorosas para evitar que a promessa de um pedágio mais barato se desdobre na velha novela de obras atrasadas.
Operação Rússia: ApexBrasil financia 90% para máquinas brasileiras renovarem frota soviética
O setor de equipamentos agrícolas brasileiro ganha um atalho para abocanhar uma fatia das importações russas de maquinário — mercado que movimenta mais de US$ 1,2 bilhão. De 17 a 20 de novembro, Krasnodar sedia a 33ª YugAgro, com a ApexBrasil e o ITE Group garantindo até 90% de subsídio para a exposição de fabricantes nacionais.
O cenário em números e fatos:
- Frota sucateada:Mais de 50% dos tratores e colheitadeiras em operação na Rússia têm mais de dez anos de uso, criando uma demanda urgente por peças, renovação e tecnologia.
- Acesso direto: Segundo Dmitry Zavgorodniy, CEO do ITE Group, a feira é a ponte decisiva para conectar soluções brasileiras a grandes distribuidores e agroholdings locais — com tração estendida pelo ecossistema digital YugAgro Connect.
- Audiente qualificada:O evento atrai mais de 19,7 mil compradores internacionais de 40 países.
Transparência para leves, sigilo para pesados
A divulgado dos dados de Pesados na pesquisa “A Voz do Concessionário” — distribuídos pela Fenabrave apenas às associações de marca (como ABRACAM, ASSODAF e representantes de Volvo, Scania, Iveco e VW) — expõe dúvidas da relação entre montadoras e distribuidores. A preservação desses indicadores contrasta diretamente com a visibilidade dada ao segmento de automóveis. Por que a Fenabrave divulga o resultado da pesquisa A Voz do Concessionáriono segmento de automóveis e esconde os resultados no segmento de caminhões? É só uma pergunta que já foi enviada para assessoria de imprensa da Fenabrave.
Cortes do Villela #352: A CEVA Logistics reduz a rotatividade ouvindo as demandas operacionais dos motoristas, enquanto a Braspress Transportes Urgentes realiza um mutirão de empregos em Guarulhos para atender à alta demanda do transporte fracionado. Em Foz do Iguaçu, o setor discute a aplicação da DUIMP no transporte rodoviário para simplificar processos de importação, e o reconhecimento da Scania Brasil no Rio Grande do Sul reafirma o peso do suporte de pós-venda na preferência dos transportadores. Por fim, a falta de divulgação dos dados do segmento de pesados pela Fenabrave suscita questionamentos sobre a transparência na relação entre montadoras e concessionárias.
Cortes do Villela #351: Com o início da corrida eleitoral de 2026, a FETCESP abre agenda de reuniões com presidenciáveis e tem o ex-governador Ronaldo Caiado como primeiro convidado. A Transportadora Sulista nomeou Ronaldo Lemes como novo CEO para impulsionar a metas de crescimento da empresa. A Volkswagen Camiones y Buses México aplicou bônus no Constellation 18.260 manual, reduzindo seu valor e tornando o modelo R$ 69 mil mais barato que no Brasil. A indústria de implementos rodoviários atingiu 15.173 emplacamentos em julho de 2026, registrando o melhor mês do ano apesar de acumular queda no ano.
Cortes do Villela #350 traz os seguintes destaques: A produção de biometano no Brasil cresceu 75% em 2025 e será pauta do 13º Fórum do Biogás em agosto. A Localiza Seminovos Caminhões inaugurou sua primeira unidade na região Sul, localizada em Maringá (PR). A Santos Brasil abriu 39 vagas para seu Programa de Estágio 2026 em diversas localidades. A 99Entrega lançou a campanha institucional “No ritmo que seu negócio pede” com foco nas PMEs. A FedEx reciclou 4,2 toneladas de uniformes no Brasil para a produção e doação de 5 mil cobertores.
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