A mobilidade urbana no transporte público passa a utilizar biodiesel de nova geração em Passo Fundo (RS). A parceria firmada entre a Be8, empresa gaúcha de energias renováveis, e a Coleurb, operadora do transporte coletivo urbano da cidade há mais de 60 anos, marca um avanço concreto na agenda de descarbonização do transporte coletivo de passageiros no Brasil.
Anunciada em 13 de janeiro de 2026, a iniciativa prevê o uso de 100% do biocombustível Be8 BeVant em parte da frota de ônibus urbanos, com potencial de reduzir em até 99% as emissões de Gases de Efeito Estufa (GEE) ao longo do ciclo de uso. Trata-se do primeiro projeto do país a empregar um biocombustível renovável puro (drop-in) em operação regular no transporte coletivo urbano.
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Nesta primeira fase, dois ônibus — um Mercedes-Benz e um Volkswagen — passam a operar com o Be8 BeVant. O contrato inicial tem duração de seis meses e funcionará como um projeto-piloto para avaliação técnica, ambiental e operacional, criando uma base de dados concreta para a possível expansão da solução a toda a frota da Coleurb.
Atualmente, a Coleurb conta com 90 veículos, sendo que 60% da frota foi renovada nos últimos dois anos, todos com acessibilidade e tecnologia Euro 6, conforme determina a legislação atual.
Para gestores de frotas, o projeto chama atenção por um ponto central: a transição energética ocorre sem ruptura operacional. O Be8 BeVant pode ser utilizado 100% puro em motores a diesel, sem necessidade de adaptações técnicas ou investimentos adicionais em infraestrutura, mantendo o mesmo desempenho operacional do combustível convencional.
Biocombustível como solução imediata para a descarbonização
Segundo Erasmo Carlos Battistella, presidente da Be8, a parceria vai além de um contrato comercial. “O Be8 BeVant mostra que é possível reduzir imediatamente as emissões sem comprometer a eficiência operacional do transporte. Estamos democratizando o acesso a soluções sustentáveis que já estão disponíveis hoje”, afirma. Battistella destaca ainda o simbolismo do projeto para a empresa, já que o combustível foi desenvolvido e patenteado pela engenharia da fábrica da Be8 em Passo Fundo.
Do ponto de vista técnico, a compatibilidade do combustível com diferentes marcas de chassis mostra o potencial de escala da solução. “Ao ser utilizado em veículos Mercedes-Benz e Volkswagen, o Be8 BeVant demonstra compatibilidade com todos os tipos de veículos e marcas”, ressalta Camilo Adas, diretor de Transição Energética e Relações Institucionais da Be8.
Sustentabilidade integrada à estratégia de gestão da frota
“A Coleurb entende a sustentabilidade como um compromisso real com o futuro da mobilidade urbana. Ao iniciar essa parceria com a Be8, passamos a integrar um projeto inovador, que alia tecnologia, responsabilidade ambiental e eficiência operacional”, afirma Carlos Henrique Pereira, diretor da Coleurb.
Produção de biodiesel bate recorde em 2025 e setor deve crescer em 2026
O ano de 2025 marcou um ponto de inflexão para o mercado brasileiro de biodiesel. De acordo com a equipe de Inteligência de Mercado da StoneX, a consolidação do mandato obrigatório de mistura B15, em vigor desde agosto, foi determinante para que a produção nacional atingisse níveis recordes.
Após anos de instabilidade provocados por fatores econômicos e pelos impactos da pandemia, o setor voltou a crescer de forma consistente. A sanção da Lei do Combustível do Futuro reforçou esse movimento ao estabelecer metas de aumento gradual da mistura até o B20 em 2030, oferecendo previsibilidade regulatória para produtores, investidores e operadores de transporte.
Dados da ANP indicam que, em 2025, o consumo de óleo de soja — principal insumo do biodiesel — chegou a 7,9 milhões de toneladas. O setor também avançou na diversificação de matérias-primas, com maior uso de sebo bovino, gordura suína e óleos residuais. A capacidade produtiva instalada alcançou 42,6 mil m³/dia, com mais de 70% concentrada nas regiões Centro-Oeste e Sul.
Para 2026, as perspectivas seguem positivas. A StoneX projeta uma demanda de até 10,5 milhões de toneladas de biodiesel com a manutenção do B15 ao longo do ano. Caso o mandato avance para B16 a partir de março, o consumo pode superar 11 milhões de m³, exigindo cerca de 8,9 milhões de toneladas de óleo de soja.
Com a capacidade industrial utilizada entre 57% e 64,5%, o setor já se prepara para novos investimentos, ampliação de usinas e entrada de novos players. Para o transporte e a logística, esse cenário reforça o papel do biodiesel e de biocombustíveis avançados como pilares estratégicos da transição energética no Brasil.



