segunda-feira, março 30, 2026

Cedro testa caminhão 100% elétrico na mineração para a descarbonização da frota

Veículo basculante 8×4 da XCMG entra em operação assistida na Mina do Gama, em Nova Lima, para transporte interno de minério com capacidade
de até 45 toneladas

A Cedro Mineração iniciou uma operação assistida de um caminhão basculante 8×4 100% elétrico na Mina do Gama, em Nova Lima. O veículo será empregado no transporte interno de minério e poderá movimentar até 45 toneladas por ciclo, em rotas previamente definidas dentro da operação de lavra.

O modelo escolhido para os testes é o XCMG E7 8×4, caminhão elétrico com autonomia média de até 150 quilômetros — ou cerca de oito horas de operação por ciclo — sem necessidade de recarga intermediária. O preço estimado do modelo é de R$ 1,5 milhão.

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Segundo a companhia, a bateria pode ser recarregada integralmente em aproximadamente uma hora. O conjunto ainda conta com sistema de regeneração de energia durante frenagens e desacelerações, recurso que contribui para ampliar a eficiência ao longo da jornada operacional.

Com 490 cavalos de potência e capacidade total de 45 toneladas, o caminhão será monitorado por sistemas de telemetria durante todo o período de testes. A Cedro acompanhará indicadores como tempo de ciclo, produtividade, consumo energético e autonomia em diferentes condições de carga e percurso, buscando mapear o comportamento do veículo em ambiente severo de mineração.

A análise técnica também incluirá a viabilidade econômica da solução frente à frota convencional a diesel. Entram nessa conta fatores como menor nível de ruído, redução da demanda por manutenção e eliminação das emissões diretas de carbono no uso diário dentro da mina.

Para Wanderley Santo, vice-presidente de Operações da Cedro Mineração, a adoção do caminhão elétrico reflete uma agenda prática de transformação da operação.

Estratégia vai além da eletrificação

O teste com o caminhão elétrico se soma a outras iniciativas da companhia voltadas à descarbonização da frota e da operação mineral. Em 2025, a holding firmou parceria com a Gás Verde, apontada pela Cedro como a maior produtora de biometano da América Latina, para um projeto piloto de redução de emissões no transporte de minério.

Na primeira fase dessa estratégia, a empresa utilizou um caminhão movido a Gás Natural Veicular (GNV) no transporte de minério de ferro entre Mariana e o Terminal Fazendão, da Vale. Nesse modelo, as emissões do veículo são neutralizadas por meio do Certificado de Garantia de Origem do Biometano (CGOB), fornecido pela Gás Verde.

 

Segundo a companhia, esse teste permitiu aferir a eficiência energética da rota e funcionou como etapa inicial do processo de transição. O próximo movimento será a adoção de caminhões movidos a biometano, combustível renovável obtido a partir da purificação do biogás gerado na decomposição de matéria orgânica, com potencial de reduzir ainda mais a pegada de carbono em comparação ao GNV de origem fóssil.

A Cedro destaca ainda que a regulamentação da Lei do Combustível do Futuro reconheceu o CGOB como instrumento apto a comprovar a neutralização de emissões, fortalecendo o cumprimento das metas ambientais corporativas.

“Esses projetos fazem parte da estratégia da Cedro, em alinhamento com a Agenda 2030. Temos avançado em várias frentes, como o reaproveitamento de água nos processos produtivos, a adoção do empilhamento a seco e a incorporação de tecnologias que reduzem a dependência de insumos fósseis e ampliam a eficiência ambiental da operação”, completa Wanderley Santo.

Saiba mais: Caminhão a gás
Cedro
Scania G 460 6×4 com mochilão

A Cedro Mineração e a Gás Verde iniciaram, em 2025, um projeto‑piloto para testar um caminhão Scania GH 460 6×4 movido a GNV e/ou biometano no transporte de minério entre Mariana e o Terminal Fazendão. O modelo é mais potente que o Scania 410 testado pela Gerdau em 2020, oferecendo maior torque e autonomia, o que o torna mais adequado para operações severas típicas da mineração. A principal diferença entre os testes está no combustível: enquanto a Gerdau utilizou GNV de origem fóssil, a Cedro aposta no biometano e no uso do Certificado de Garantia de Origem do Biometano (CGOB), que permite neutralizar emissões mesmo quando o gás consumido não é 100% renovável.

A iniciativa é apresentada como o primeiro passo de um plano de descarbonização da logística da Cedro, alinhado ao avanço regulatório do biometano no Brasil. As empresas estimam redução de até 99% das emissões da operação e neutralização de cerca de 11 mil toneladas de CO₂ por ano, embora esses números dependam de metodologia clara e da distinção entre redução física e compensação via certificados. O projeto ganha relevância no setor mineral por testar alternativas de menor carbono e por levantar discussões sobre transparência, impacto real e riscos de greenwashing quando a neutralização depende mais de certificados do que da troca efetiva de combustível.

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Marcos Villela Hochreiter
Marcos Villela Hochreiterhttps://www.frotanews.com.br
Atuo como jornalista no setor da mobilidade desde 1989 em diversas redações. Também nas áreas de comunicação da Fiat e da TV Globo, e depois como editor da revista Transporte Mundial por 22 anos, e diretor de redação de núcleo da Motor Press Brasil. Desde 2018, represento o Brasil no grupo do International Truck of the Year (IToY), associação de jornalistas de transporte rodoviário de 34 países. Desde 2021, também atuo como colaborador na Fabet (Fundação Adolpho Bósio de Educação no Transporte, entidade educacional sem fins lucrativos). Em 2023, fundei a plataforma de notícias de transporte e logística Frota News, com objetivo de focar nos temas que desafiam as soluções para gestão de frotas.
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