Fabricante anuncia produção da nova transmissão automatizada em Sorocaba a partir de 2027, expansão da remanufatura em Araraquara e novos componentes desenvolvidos para o mercado brasileiro durante a Fenatran
A ZF apresentará na Fenatran, que acontece de 9 a 13 de novembro, um pacote de novidades para o mercado de veículos comerciais da América do Sul, incluindo a nacionalização da transmissão automatizada TraXon 2, a expansão da remanufatura do sistema ConAct e o lançamento de novos componentes desenvolvidos ou adaptados para a região. A produção da nova geração da transmissão para caminhões pesados está prevista para começar em meados de 2027 em Sorocaba (SP), enquanto a remanufatura do ConAct será iniciada na unidade de Araraquara (SP). Os projetos integram a estratégia da empresa de ampliar a oferta local de tecnologias voltadas ao transporte rodoviário.
Além da TraXon 2, a empresa levará à feira uma transmissão automatizada de nove marchas para caminhões médios e semipesados, desenvolvida pela engenharia brasileira, e a nova embreagem TD285, destinada a aplicações equipadas com motores Euro 6.
“Trabalhamos muito próximos dos usuários finais e, naturalmente, também das montadoras”, afirmou Sílvio Furtado, vice-presidente de negócios da ZF América do Sul.
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A nacionalização da TraXon 2 representa um dos principais movimentos industriais da empresa para os próximos anos. Segundo a ZF, a transmissão começará a ser produzida em Sorocaba a partir de meados de 2027. A fabricante já possui contratos de fornecimento firmados com duas montadoras, cujos nomes não foram divulgados. Uma delas deverá iniciar a utilização da transmissão já no próximo ano, enquanto a segunda adotará a tecnologia posteriormente.
Atualmente, a TraXon 1 equipa as principais linhas de caminhões pesados da Volkswagen e da DAF. Na montadora alemã, o componente — frequentemente batizado comercialmente como V-Tronic — é o coração do trem de força da linha VW Meteor e de versões selecionadas da família Constellation. Já na fabricante de origem holandesa DAF, a caixa de câmbio de 12 velocidades atua de forma padronizada em praticamente todo o portfólio nacional, integrando desde os robustos modelos das linhas XF 480 e 530 até as versáteis configurações rodoviárias, rígidas e fora de estrada da família CF.
A nova geração sucede uma plataforma que já acumula 1,5 milhão de unidades produzidas no mundo e cerca de 120 mil unidades fornecidas para a América Latina. De acordo com Furtado, a produção ocorrerá em uma linha flexível, preparada para fabricar simultaneamente a atual TraXon 1 e a nova TraXon 2.
Nova geração da TraXon amplia conectividade e prepara caminhões para arquitetura baseada em software
A TraXon 2 incorpora uma nova arquitetura eletrônica e uma unidade de controle eletrônico desenvolvida pela própria ZF. A transmissão foi concebida para atuar de forma integrada aos demais sistemas embarcados do veículo, ampliando a capacidade de processamento de dados e permitindo futuras atualizações remotas de software por meio da tecnologia Flash Over The Air (FOTA).
Entre as funcionalidades estão recursos como PreVision, ECO-Roll e integração ampliada com sistemas de freios ABS e EBS. A plataforma também atende aos requisitos de cibersegurança previstos pela norma internacional ISO/SAE 21434.
Segundo a fabricante, dependendo da aplicação, a nova geração pode proporcionar redução de até 1,7% no consumo de combustível e nas emissões de CO₂ em comparação com a geração anterior. A transmissão também servirá de base para futuras versões híbridas destinadas ao transporte pesado.
Carlos Delich, presidente da ZF América do Sul, destacou que a localização da produção busca reduzir a exposição da operação às variações cambiais e fortalecer a cadeia regional de fornecimento.
“Evitar os riscos relacionados às políticas cambiais e alcançar o que chamamos de hedge natural, ou seja, equilibrar os volumes de exportações e importações. Como não temos um volume considerável de exportações é sempre vantajoso ampliar a localização da produção o máximo possível”, afirmou.
Além disso, a ZF retomou o desenvolvimento da TraXon 2 Hybrid, uma versão eletrificada e projetada para caminhões para tornar caminhões pesados e ônibus em híbridos, com lançamento, talvez, até 2029. Ela integra um motor elétrico de até 190 kW, inversor SiC, estágio adicional de marcha e controle dedicado à caixa, permitindo tração elétrica, frenagem regenerativa e gestão inteligente entre o motor a combustão e o elétrico.
A ZF afirma que a solução pode reduzir o consumo e as emissões de CO2 em até 40% em aplicações plug-in, dependendo da bateria, do ciclo de uso e da infraestrutura de recarga; em versão híbrida convencional, cita economia de até 14% em curta distância e 9% em longa distância. Com até 80 km de autonomia elétrica e operação sem emissões locais a até 80 km/h na configuração PHEV, a transmissão se apresenta como uma alternativa de transição para descarbonizar frotas sem depender integralmente de caminhões 100% elétricos.

1. TraXon 2 (superior esquerda): Nova geração da transmissão automatizada para caminhões pesados, que passará a ser produzida em Sorocaba (SP) a partir de 2027. A plataforma incorpora nova arquitetura eletrônica, recursos de conectividade, cibersegurança e preparação para futuras atualizações remotas de software.
2. TD285 (superior direita): Nova geração de disco de embreagem com amortecedor torcional, desenvolvida pela engenharia brasileira da ZF para caminhões e ônibus pesados equipados com motores Euro 6 e futuras gerações de powertrains de baixas emissões.
3. ConAct (inferior direita): Atuador pneumático de embreagem utilizado em transmissões automatizadas de veículos comerciais pesados. O sistema começará a ser remanufaturado pela ZF em Araraquara (SP), inicialmente voltado ao mercado de reposição.
4. 9AS EcoTronic (inferior esquerda): Transmissão automatizada de nove marchas para caminhões médios e semipesados, agora equipada com a funcionalidade PreVision, que utiliza dados de GPS para antecipar trocas de marcha e otimizar a operação do veículo.
Empresa avalia fabricar novas tecnologias no Brasil
Além da TraXon 2, a ZF estuda ampliar a nacionalização de outras tecnologias já comercializadas na América do Sul. Entre os sistemas avaliados estão freios para veículos elétricos, tecnologias de assistência ao motorista para caminhões, compressores de ar elétricos e transmissões automáticas para caminhões e ônibus.
Segundo Delich, a decisão dependerá de fatores econômicos, regulatórios e da infraestrutura disponível no País. “Dependerá da legislação, das condições econômicas dos clientes finais para que possam pagar por estas tecnologias e também da infraestrutura que o País terá disponível”, declarou.
O executivo explicou que a estratégia da companhia prioriza inicialmente a adaptação dos produtos às condições operacionais da região antes de avançar para a produção local.
Nova embreagem TD285 foi desenvolvida para motores Euro 6
Entre os lançamentos está também a TD285, nova geração de discos de embreagem com amortecedor torcional desenvolvida pela engenharia brasileira da empresa.
O componente foi projetado para caminhões e ônibus pesados equipados com motores Euro 6 e destinado a aplicações com discos de 430 milímetros de diâmetro. A embreagem é compatível com transmissões manuais e automatizadas e está disponível para motores com torque de até 3.500 Nm.
Segundo a fabricante, o produto foi desenvolvido para reduzir vibrações torcionais e melhorar o comportamento do sistema de transmissão em condições severas de operação.
ConAct amplia estratégia de remanufatura da ZF
Outra frente de investimento envolve a remanufatura do ConAct, sistema automatizado de acionamento da embreagem utilizado em transmissões automatizadas de veículos comerciais pesados.
A operação começará em Araraquara voltada inicialmente para o mercado de reposição. Nesta primeira etapa, a unidade recuperará componentes reutilizáveis e substituirá itens sujeitos a desgaste, realizando posteriormente testes e validações conforme os padrões da fabricante. A empresa prevê evoluir futuramente para a produção local de componentes novos.
O processo contemplará inicialmente 63% dos componentes sujeitos a desgaste do sistema. Segundo a ZF, o ConAct possui mais de 6 milhões de unidades em operação no mercado mundial e, quando utilizado em conjunto com transmissões automatizadas, pode elevar em até 30% a vida útil da embreagem.
A remanufatura já possui participação relevante nas operações regionais da companhia. Atualmente, ela responde por 3,5% das vendas totais da ZF na América do Sul. No segmento de embreagens, a participação é significativamente maior.
“Se considerarmos especificamente as embreagens o volume é considerável. Praticamente 25% das embreagens que comercializamos são remanufaturadas”, informou a empresa.
Engenharia brasileira amplia funcionalidades da 9AS EcoTronic
A ZF também apresentará uma nova funcionalidade para a transmissão automatizada 9AS EcoTronic, voltada aos segmentos de caminhões médios e semipesados.
Desenvolvido pela engenharia brasileira, o recurso PreVision utiliza informações de GPS para antecipar trocas de marcha de acordo com o relevo e as características da rota. A solução foi adaptada para aplicações extrapesadas do mercado brasileiro, onde composições podem transportar cargas de até 74 toneladas, realidade diferente da observada em mercados europeus.
A tecnologia utiliza a mesma base de software empregada na família TraXon e busca otimizar o gerenciamento da transmissão em diferentes condições operacionais.
Investimentos e cenário do mercado de caminhões
As iniciativas fazem parte do plano global de investimentos de R$ 1 bilhão anunciado pela ZF para o período entre 2025 e 2030. Segundo a empresa, os recursos estão destinados não apenas ao desenvolvimento de produtos, mas também à modernização das fábricas e ao aumento da produtividade.
Em 2025, a ZF registrou vendas consolidadas de R$ 7,9 bilhões na América do Sul. No mesmo período, foram destinados R$ 198,2 milhões para pesquisa, desenvolvimento e investimentos. A operação regional reúne 5.354 colaboradores, treze localidades e oito unidades de manufatura, sendo sete no Brasil e uma na Argentina.
Para 2026, a expectativa da companhia é de crescimento de 3% nas vendas da região. No entanto, o cenário de juros elevados continua afetando o mercado de caminhões. Segundo Delich, as vendas do setor recuaram em 2025 em comparação com 2024 e voltaram a registrar queda em 2026, mesmo com iniciativas de estímulo como o programa Move Brasil.
“Diferentemente dos automóveis o caminhão é um bem de negócio, um instrumento de trabalho. Com os juros ainda elevados acredito que essa recuperação demorará”, afirmou. Na avaliação do executivo, a postergação da renovação das frotas deverá resultar em uma recomposição gradual da demanda, sem repetir os picos de vendas registrados em ciclos anteriores.
“Estes veículos que deixam de ser renovados no curto prazo serão substituídos mais adiante. Isso não é muito positivo, porque não devemos ter picos de demanda como os que tivemos anteriormente.” A ZF projeta encerrar 2026 com crescimento global de aproximadamente 5% nas vendas em relação ao ano anterior, percentual inferior à expectativa inicial da companhia, que era de cerca de 8%.
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