terça-feira, março 31, 2026

Caminhões rodam até 106 mil km por ano no Brasil, aponta estudo inédito da CNT sobre uso real da frota

Levantamento com mais de 1,4 milhão de avaliações do Despoluir mostra alta intensidade de operação nos primeiros anos de vida dos veículos pesados

O transporte rodoviário brasileiro acaba de ganhar um retrato inédito sobre o uso real da frota pesada no país. Estudo da Confederação Nacional do Transporte (CNT), que será divulgado nesta semana, revela que caminhões pesados podem rodar pouco mais de 100 mil quilômetros por ano logo no primeiro ano de operação, evidenciando a elevada intensidade de uso desses ativos.

Intitulada “Transporte em Foco – Quanto rodam os veículos pesados no Brasil?”, a publicação traz, pela primeira vez em mais de uma década, uma análise detalhada da quilometragem anual percorrida por caminhões e ônibus no Brasil. O levantamento foi construído com base em mais de 1,4 milhão de avaliações veiculares ambientais realizadas entre 2022 e 2025, abrangendo 207.827 veículos pesados em todas as regiões do país. Os dados foram extraídos do Programa Ambiental do Transporte Despoluir.

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Os resultados mostram que os veículos mais novos concentram o maior volume de operação. No caso dos caminhões pesados, a quilometragem anual no início da vida útil chega a cerca de 106 mil km por ano. Já os ônibus urbanos podem superar 75 mil km anuais nos primeiros anos de atividade.

O dado reforça o peso do modal rodoviário na matriz de transporte brasileira. Hoje, as estradas respondem por cerca de 65% das cargas e 95% dos passageiros transportados no país. Mais do que um indicador operacional, o estudo se apresenta como uma ferramenta de gestão com potencial para apoiar decisões sobre manutenção, renovação de frota, alocação de veículos por tipo de operação e avaliação econômica de ativos.

Quilometragem cai com a idade, mas veículos antigos seguem produtivos

Um dos principais achados do levantamento está no comportamento da frota ao longo da vida útil. De forma geral, a intensidade de uso diminui à medida que os veículos envelhecem — mas a queda ocorre de forma gradual, e não abrupta.

Nos caminhões pesados, por exemplo, a quilometragem anual recua de aproximadamente 106 mil km no primeiro ano para cerca de 74 mil km no sexto ano, seguindo em trajetória de redução mais suave nos anos posteriores. Ainda assim, mesmo com menor intensidade, os veículos mais antigos permanecem em atividade, frequentemente realocados para rotas de menor distância, operações regionais ou funções de apoio.

Esse padrão revela dois aspectos importantes do transporte brasileiro: de um lado, a capacidade das transportadoras e operadores em extrair valor dos ativos por longos períodos, maximizando o aproveitamento da frota; de outro, evidencia a necessidade de maiores incentivos à renovação, especialmente em um mercado marcado por elevada idade média dos veículos.

Para a diretora executiva da CNT, Fernanda Rezende, o estudo traz implicações diretas para a eficiência operacional e para a sustentabilidade do setor.

Caminhão pesado pode superar 1,8 milhão de km em 30 anos

Outro dado que chama atenção é a longevidade operacional da frota pesada brasileira. De acordo com as curvas de uso apuradas pela CNT, um caminhão pesado pode acumular mais de 790 mil quilômetros já no décimo ano de vida e ultrapassar 1,8 milhão de quilômetros ao longo de 30 anos de operação.

No transporte de passageiros, a lógica é semelhante. Um ônibus urbano pode atingir cerca de 640 mil quilômetros acumulados em dez anos, mesmo considerando a redução gradual do ritmo de utilização com o passar do tempo.

Idade avançada da frota autônoma reforça urgência da renovação

O estudo ganha ainda mais relevância quando confrontado com a realidade da frota nacional. Hoje, somente o transporte autônomo de cargas reúne mais de 769 mil veículos, com idade média de 22 anos. Trata-se de um universo expressivo de ativos com longa trajetória operacional, alto desgaste acumulado e, muitas vezes, desafios crescentes em segurança, eficiência energética e conformidade ambiental.

Nesse contexto, a CNT defende que a renovação de frota seja planejada com base em metas tecnicamente embasadas, que considerem não apenas a idade cronológica dos veículos, mas também o nível real de utilização por categoria e perfil de operação. A entidade também destaca a importância de ampliar a transparência no mercado de usados, com referências mais precisas de quilometragem por idade, o que pode tornar mais seguras as decisões de compra, venda e avaliação de ativos.

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