Apesar do aumento de 39,4% nos roubos de caminhões registrado em agosto de 2025, o Estado de São Paulo apresenta queda no acumulado do ano, segundo o Boletim Tracker-Fecap. Entre janeiro e agosto, foram contabilizados 766 roubos, número 3,8% menor que o do mesmo período de 2024, o que indica que, embora o crime tenha voltado a crescer pontualmente, o cenário geral ainda aponta tendência de estabilização. O boletim foi elaborado e divulgado pela Fundação Escola de Comércio Álvares Penteado (FECAP), com base nos dados da Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo.
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Fernão Dias, Régis Bittencourt e Anhanguera concentram os ataques
A criminalidade contra o transporte de cargas segue um padrão bem definido: as ações se concentram em rodovias estratégicas e zonas logísticas de grande fluxo. As rodovias Fernão Dias, Régis Bittencourt e Anhanguera aparecem como os principais pontos de risco.
A Fernão Dias, que liga São Paulo ao sul de Minas Gerais, lidera o ranking em três trechos distintos — Guarulhos, São Paulo e Mairiporã —, consolidando-se como a mais perigosa do Estado. A seguir vêm a Régis Bittencourt, entre São Paulo e Itapecerica da Serra, e a Anhanguera, especialmente na altura de Araras e Limeira.
“As ocorrências estão sempre próximas de rotas de transporte de carga e zonas industriais, o que reforça a relação direta entre o crime e o fluxo de mercadorias”, explica Vitor Corrêa, gerente de Comando e Monitoramento do Grupo Tracker.
Cidades com mais casos
Os municípios de São Paulo, Guarulhos, Itapecerica da Serra, Itatiba, São Bernardo do Campo, Limeira, Itaquaquecetuba, Campinas, Jundiaí e Embu das Artes concentram os maiores índices de roubo e furto de caminhões.
A entrada de Itatiba, São Bernardo, Limeira, Itaquaquecetuba e Jundiaí no ranking de 2025 preocupa as autoridades e os analistas, pois revela o avanço de novas rotas criminosas associadas ao crescimento logístico do Estado.
Nos bairros com mais registros, destacam-se Cumbica (26 ocorrências), em Guarulhos, São Mateus (18) e Jaçanã (17), na capital.
Top 10 logradouros mais perigosos de SP
| Posição | Cidade | Logradouro | Ocorrências |
|---|---|---|---|
| 1 | Guarulhos | Rodovia Fernão Dias | 20 |
| 2 | São Paulo | Rodovia Fernão Dias | 17 |
| 3 | Itapecerica da Serra | Rodovia Régis Bittencourt | 11 |
| 4 | São Paulo | Retorno Rodovia Fernão Dias | 10 |
| 5 | Araras | Rodovia Anhanguera | 9 |
| 6 | Itatiba | Rodovia Dom Pedro I | 8 |
| 7 | São Paulo | Rua Lua | 8 |
| 8 | Mairiporã | Rodovia Fernão Dias | 8 |
| 9 | Jundiaí | Rodovia dos Bandeirantes | 7 |
| 10 | Limeira | Avenida Rodovia Anhanguera | 6 |
Os dados mostram que 74,6% dos crimes ocorrem em vias públicas, seguidos de rodovias e estradas (9,9%) e locais de comércio e serviços (8,9%), principalmente durante operações de carga e descarga.
As terças, quartas e quintas-feiras concentram 57% das ocorrências, com pico na terça-feira. O comportamento coincide com o maior volume de entregas e movimentação de mercadorias.
“Os picos de eventos coincidem com o pico das operações logísticas. Esse dado orienta o reforço do monitoramento em horários e rotas críticas, aumentando as chances de recuperação”, detalha Corrêa.
Caminhões mais visados
Os modelos Volvo FH e Scania Série R lideram o ranking de roubos e furtos entre janeiro e agosto de 2025. Ambos são caminhões-tratores usados em transporte de longa distância e operações de alto valor, o que os torna alvos preferenciais das quadrilhas.
| Posição | Modelo | Tipo | Ocorrências |
|---|---|---|---|
| 1 | Volvo FH 540 6x4T | Caminhão trator | 75 |
| 2 | Scania R450 A6x2 | Caminhão trator | 61 |
| 3 | Volvo FH 460 6x2T | Caminhão trator | 55 |
| 4 | VW 24.280 CRM 6×2 | Caminhão | 34 |
| 5 | VW 24.250 CNC 6×2 | Caminhão | 28 |
| 6 | Volvo FH 500 6x2T | Caminhão trator | 22 |
| 7 | Mercedes-Benz Sprinter 416 CDI | Caminhão | 21 |
| 8 | Scania R540 A6x4 | Caminhão trator | 21 |
| 9 | Ford F-4000 | Caminhão | 20 |
| 10 | Mercedes-Benz L 1113 | Caminhão | 16 |
“Há uma clara tendência de maior incidência de roubos em caminhões modernos, reforçando que o valor de revenda de peças e componentes é um dos principais motivadores”, afirma Erivaldo Vieira, pesquisador da FECAP.
Rota do crime segue o eixo logístico paulista
O estudo aponta que a logística paulista se organiza em torno de cinco grandes eixos de transporte, todos com registro de ocorrências:
- Anhanguera–Bandeirantes (capital – Campinas)
- Dutra–Fernão Dias (São Paulo – Vale do Paraíba – Minas Gerais)
- Régis Bittencourt (São Paulo – Paraná)
- Anchieta–Imigrantes (São Paulo – Porto de Santos)
- Dom Pedro I (Campinas – Jacareí)
Essas rotas concentram o maior fluxo de cargas e também o maior risco de interceptações.
Combate depende de integração e rastreamento
Para os especialistas, o enfrentamento ao roubo de caminhões exige integração de dados entre Detrans, seguradoras e empresas de rastreamento, além de uma fiscalização orientada por inteligência.
“Por trás de cada peça sem nota fiscal pode haver um caminhão roubado e uma família afetada. O combate a essa rede invisível não é tarefa apenas das autoridades — começa com o consumidor”, conclui Vieira.


