quarta-feira, janeiro 28, 2026

Fernão Dias lidera ranking de roubo de caminhões em SP; Volvo FH e Scania R são os mais visados

Apesar do aumento de 39,4% nos roubos de caminhões registrado em agosto de 2025, o Estado de São Paulo apresenta queda no acumulado do ano, segundo o Boletim Tracker-Fecap. Entre janeiro e agosto, foram contabilizados 766 roubos, número 3,8% menor que o do mesmo período de 2024, o que indica que, embora o crime tenha voltado a crescer pontualmente, o cenário geral ainda aponta tendência de estabilização. O boletim foi elaborado e divulgado pela Fundação Escola de Comércio Álvares Penteado (FECAP), com base nos dados da Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo.

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Fernão Dias, Régis Bittencourt e Anhanguera concentram os ataques

A criminalidade contra o transporte de cargas segue um padrão bem definido: as ações se concentram em rodovias estratégicas e zonas logísticas de grande fluxo. As rodovias Fernão Dias, Régis Bittencourt e Anhanguera aparecem como os principais pontos de risco.

A Fernão Dias, que liga São Paulo ao sul de Minas Gerais, lidera o ranking em três trechos distintos — Guarulhos, São Paulo e Mairiporã —, consolidando-se como a mais perigosa do Estado. A seguir vêm a Régis Bittencourt, entre São Paulo e Itapecerica da Serra, e a Anhanguera, especialmente na altura de Araras e Limeira.

“As ocorrências estão sempre próximas de rotas de transporte de carga e zonas industriais, o que reforça a relação direta entre o crime e o fluxo de mercadorias”, explica Vitor Corrêa, gerente de Comando e Monitoramento do Grupo Tracker.

Cidades com mais casos

Os municípios de São Paulo, Guarulhos, Itapecerica da Serra, Itatiba, São Bernardo do Campo, Limeira, Itaquaquecetuba, Campinas, Jundiaí e Embu das Artes concentram os maiores índices de roubo e furto de caminhões.

A entrada de Itatiba, São Bernardo, Limeira, Itaquaquecetuba e Jundiaí no ranking de 2025 preocupa as autoridades e os analistas, pois revela o avanço de novas rotas criminosas associadas ao crescimento logístico do Estado.

Nos bairros com mais registros, destacam-se Cumbica (26 ocorrências), em Guarulhos, São Mateus (18) e Jaçanã (17), na capital.

Top 10 logradouros mais perigosos de SP

Posição Cidade Logradouro Ocorrências
1 Guarulhos Rodovia Fernão Dias 20
2 São Paulo Rodovia Fernão Dias 17
3 Itapecerica da Serra Rodovia Régis Bittencourt 11
4 São Paulo Retorno Rodovia Fernão Dias 10
5 Araras Rodovia Anhanguera 9
6 Itatiba Rodovia Dom Pedro I 8
7 São Paulo Rua Lua 8
8 Mairiporã Rodovia Fernão Dias 8
9 Jundiaí Rodovia dos Bandeirantes 7
10 Limeira Avenida Rodovia Anhanguera 6

Os dados mostram que 74,6% dos crimes ocorrem em vias públicas, seguidos de rodovias e estradas (9,9%) e locais de comércio e serviços (8,9%), principalmente durante operações de carga e descarga.

As terças, quartas e quintas-feiras concentram 57% das ocorrências, com pico na terça-feira. O comportamento coincide com o maior volume de entregas e movimentação de mercadorias.

“Os picos de eventos coincidem com o pico das operações logísticas. Esse dado orienta o reforço do monitoramento em horários e rotas críticas, aumentando as chances de recuperação”, detalha Corrêa.

Caminhões mais visados

Os modelos Volvo FH e Scania Série R lideram o ranking de roubos e furtos entre janeiro e agosto de 2025. Ambos são caminhões-tratores usados em transporte de longa distância e operações de alto valor, o que os torna alvos preferenciais das quadrilhas.

Posição Modelo Tipo Ocorrências
1 Volvo FH 540 6x4T Caminhão trator 75
2 Scania R450 A6x2 Caminhão trator 61
3 Volvo FH 460 6x2T Caminhão trator 55
4 VW 24.280 CRM 6×2 Caminhão 34
5 VW 24.250 CNC 6×2 Caminhão 28
6 Volvo FH 500 6x2T Caminhão trator 22
7 Mercedes-Benz Sprinter 416 CDI Caminhão 21
8 Scania R540 A6x4 Caminhão trator 21
9 Ford F-4000 Caminhão 20
10 Mercedes-Benz L 1113 Caminhão 16

“Há uma clara tendência de maior incidência de roubos em caminhões modernos, reforçando que o valor de revenda de peças e componentes é um dos principais motivadores”, afirma Erivaldo Vieira, pesquisador da FECAP.

Rota do crime segue o eixo logístico paulista

O estudo aponta que a logística paulista se organiza em torno de cinco grandes eixos de transporte, todos com registro de ocorrências:

  • Anhanguera–Bandeirantes (capital – Campinas)
  • Dutra–Fernão Dias (São Paulo – Vale do Paraíba – Minas Gerais)
  • Régis Bittencourt (São Paulo – Paraná)
  • Anchieta–Imigrantes (São Paulo – Porto de Santos)
  • Dom Pedro I (Campinas – Jacareí)

Essas rotas concentram o maior fluxo de cargas e também o maior risco de interceptações.

Combate depende de integração e rastreamento

Para os especialistas, o enfrentamento ao roubo de caminhões exige integração de dados entre Detrans, seguradoras e empresas de rastreamento, além de uma fiscalização orientada por inteligência.

“Por trás de cada peça sem nota fiscal pode haver um caminhão roubado e uma família afetada. O combate a essa rede invisível não é tarefa apenas das autoridades — começa com o consumidor”, conclui Vieira.

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