O Porto de Santos encerrou 2025 com o melhor resultado de sua história ao movimentar 186,4 milhões de toneladas, alta de 3,6% sobre o recorde anterior. O desempenho reforça o protagonismo da Região Sudeste, que somou 635,3 milhões de toneladas entre janeiro e novembro do ano passado — crescimento de 6,01% — consolidando-se como eixo logístico central do país e sustentação importante da balança comercial brasileira, que acumulou US$ 348 bilhões em exportações entre 2023 e 2025.
Mas, se os números impressionam, a infraestrutura segue sob pressão. No maior porto da América Latina, o modal rodoviário continua sendo o principal elo da cadeia, respondendo por cerca de 58% da movimentação total. O destaque está no fluxo de contêineres e no acesso pelo Sistema Anchieta-Imigrantes (SAI), onde, em determinados horários, circulam mais de 600 caminhões por hora. A sobrecarga expõe limites estruturais que impactam diretamente o transporte rodoviário de cargas (TRC).
-
Leia também:
- Ranking 2025: os 45 caminhões mais vendidos e o que eles revelam sobre as decisões das frotas
- Frota News amplia alcance global ao firmar parceria com a Newstex
- MDF-e na prática: SINDICAMP orienta transportadoras sobre novas exigências da ANTT
“O Porto de Santos mais uma vez demonstra sua força e capacidade operacional. Mas quem vive o dia a dia da operação sabe que cada tonelada movimentada exige um esforço logístico enorme”, afirma Roseneide Fassina, vice-presidente regional da FETCESP e presidente do SINDISAN.
Segundo ela, os gargalos não se restringem às rodovias. “Temos picos de circulação que impactam diretamente a mobilidade da região. Caminhões que chegam antes do horário agendado acabam aguardando, o que gera filas, aumenta custos e traz reflexos para toda a cadeia”, explica. A dirigente destaca ainda que a capacidade estática dos pátios, os sistemas de agendamento e a infraestrutura de apoio precisam evoluir na mesma velocidade que o crescimento do volume.
Ferrovia cresce, mas tem foco em exportadores de commodities
Enquanto o modal rodoviário concentra a maior parte das operações, o ferroviário responde por aproximadamente 30% das cargas — especialmente granéis sólidos como soja, milho e açúcar. Em 2016, a participação das ferrovias era de 26,3% (29 milhões de toneladas), com meta de atingir 40% até 2025. No entanto, dados mais recentes indicam que o índice permanece em torno de 30%.
A capacidade ferroviária atual gira em torno de 51 milhões de toneladas por ano, com planos de expansão para 115 milhões. Para o setor, a ampliação da malha e maior integração entre modais são caminhos estratégicos para reduzir a dependência do transporte rodoviário.
“Se tivéssemos maior integração ferroviária com o transporte rodoviário de cargas, reduziríamos parte dessa pressão sobre os acessos e aumentaríamos a eficiência do sistema como um todo. A integração multimodal traz benefícios econômicos e ambientais”, reforça Fassina.
Expansão territorial como solução estrutural
Além da intermodalidade, a ampliação da área do porto aparece como pauta prioritária. Atualmente, o complexo ocupa cerca de 7,8 milhões de metros quadrados. Com a inclusão de áreas perimetrais na poligonal, esse espaço poderia alcançar 20,4 milhões de metros quadrados — movimento considerado fundamental para garantir capacidade futura e evitar que o crescimento operacional se transforme em gargalo permanente.
Outros modais, como dutovias, completam a matriz de transporte do porto, embora com participação ainda pouco detalhada em dados recentes.
Saiba mais:
Novo reajuste dos pedágios em SP pressiona o transporte e preços ao consumidor
As tarifas de pedágio das rodovias concedidas em São Paulo terão reajuste médio de 5,31% a partir de 1º de julho, seguindo a correção pelo IPCA prevista em contrato. Em alguns trechos, porém, a alta é maior, chegando a 10,7%, como no pedágio de bloqueio de Diadema. Sistemas estratégicos para o escoamento de cargas — como Anchieta-Imigrantes e Anhanguera-Bandeirantes — registram aumentos que pressionam diretamente os custos logísticos. Como São Paulo concentra a maior malha pedagiada do país, o impacto se espalha rapidamente pelo transporte de cargas e passageiros.
Transportadoras já enfrentam custos elevados com diesel, manutenção e mão de obra, e o novo reajuste tende a ser repassado ao frete e, em cadeia, ao preço final das mercadorias. Passageiros de ônibus intermunicipais também devem sentir o aumento, já que as tarifas incluem o custo dos pedágios. O encarecimento do transporte afeta setores produtivos, especialmente agronegócio e indústria, e reforça pressões inflacionárias que chegam ao consumidor, reacendendo o debate sobre o equilíbrio entre investimentos das concessionárias e a acessibilidade da mobilidade no Estado.
Acompanhe nossas redes sociais: LinkedIn, Instagram e Facebook
Inscreva-se no canal do Videocast FrotaCast



