quarta-feira, janeiro 28, 2026

Crescimento do Mercado Farmacêutico acelera demanda por transporte especializado

O mercado farmacêutico brasileiro deve movimentar US$ 43,9 bilhões até 2026, segundo o relatório Tendências Farma 2026, da consultoria Mintel. O avanço é impulsionado pelo envelhecimento populacional, pela expansão dos medicamentos biológicos e genéricos e pela popularização de novas classes terapêuticas — como os medicamentos à base de GLP-1, categoria que inclui as conhecidas “canetas emagrecedoras”.

Com o volume crescente de medicamentos e insumos circulando entre fábricas, centros de distribuição, hospitais e o varejo, a logística farmacêutica se consolida como um dos setores de mais oportunidades no transporte de cargas especializado. Produtos sensíveis, como vacinas e biofármacos, exigem controle rigoroso de temperatura e rastreabilidade total, o que eleva a exigência técnica e regulatória do setor.

Mudança nos canais de distribuição

De acordo com a Mintel, 41% do volume de medicamentos já é destinado a hospitais, governo e compras institucionais, deslocando o foco tradicional do varejo para entregas em larga escala e regiões remotas, especialmente no Norte e Nordeste. Isso exige soluções logísticas com maior capilaridade e monitoramento em tempo real via GPS.

Quando pensamos em uma maior procura de hospitais e órgãos governamentais, temos como consequência a necessidade de atender com mais agilidade — principalmente em questões de saúde pública —, ampliar a capilaridade e focar nas normas aplicadas pelas agências regulatórias. Já o varejo exige atenção redobrada na última milha. São dois cenários diferentes, mas ambos requerem trabalho altamente especializado”, afirma Ricardo Canteras, diretor Operacional e de Tecnologia da Temp Log.

O impacto da categoria de medicamentos para obesidade e diabetes reforça esse novo momento do mercado. Entre agosto de 2024 e agosto de 2025, o segmento movimentou R$ 13,2 bilhões, com R$ 7,1 bilhões apenas em semaglutida, princípio ativo de medicamentos como o Ozempic, cuja patente expira em março de 2026 no Brasil. A entrada de genéricos e similares tende a aquecer ainda mais o transporte farmacêutico nos próximos anos.

Desafios logísticos e infraestrutura

Entre os principais gargalos enfrentados pelo setor estão a infraestrutura precária — estradas deterioradas e portos congestionados — e a burocracia da Anvisa, que pode gerar atrasos na cadeia fria. Além disso, condições climáticas severas e dependência de insumos importados pressionam o transporte de medicamentos perecíveis, exigindo frotas refrigeradas, data loggers e monitoramento contínuo de temperatura.

Inovações e oportunidades de crescimento

A expansão do setor vem abrindo espaço para transportadoras especializadas, integrando tecnologias de inteligência artificial para otimizar rotas e soluções multimodais que unem os modais rodoviário e ferroviário. Essas estratégias reduzem custos e fortalecem a eficiência operacional.

Segundo dados da cadeia logística farmacêutica, aproximadamente 850 empresas possuem certificações para atuar nesse segmento no Brasil — um número pequeno quando comparado às 291 mil transportadoras em operação nacionalmente, segundo o SETCESP (Sindicato das Empresas de Transporte de Carga de São Paulo). Apenas uma fração cumpre os rigorosos protocolos da Anvisa, que regulamenta o transporte por meio das RDC 304/2019 (Boas Práticas de Distribuição, Armazenagem e Transporte) e RDC 430/2020.

No total, o país conta com cerca de 4.500 distribuidoras farmacêuticas, segundo a Abrafama. Muitas delas atuando também como operadores logísticos integrados. O setor, porém, é concentrado — 80% das operações estão nas mãos de 20% dos operadores certificados. Empresas como Ativa Logística, com 24 centros de distribuição, e a BBM Logística figuram entre os principais players do mercado.

Certificações

Para operar no transporte de medicamentos, as empresas precisam cumprir uma série de exigências legais e sanitárias:

Autorização de Funcionamento de Empresa (AFE): garante a permissão para transporte de medicamentos comuns, mediante cadastro na Anvisa e plano de boas práticas.

Autorização Especial (AE): exigida para fármacos controlados, com farmacêutico responsável pela operação.

Alvará Sanitário: emitido pela Vigilância Sanitária local após vistoria de veículos e instalações.

Boas práticas

Além das autorizações, as transportadoras precisam manter controle contínuo da temperatura, veículos higienizados, rastreabilidade total e planos de contingência para qualquer desvio. A frota refrigerada nacional contabiliza 447 mil veículos, sendo 22,3% certificados, número considerado estratégico para o crescimento projetado até 2026.

“São os operadores logísticos que vão garantir que todo esse medicamento produzido, vendido e consumido saia da origem ao destino final em segurança, com suas propriedades físico-químicas preservadas. E o crescimento do mercado acarreta uma demanda crescente por serviços personalizados, especialmente no transporte de medicamentos de prescrição (RX) e insumos da indústria de saúde e estética”, conclui Canteras.

O dinamismo do mercado farmacêutico evidencia um novo ciclo de oportunidades para o transporte de alto valor agregado. Para quem investir em tecnologia, qualificação e conformidade regulatória, 2026 promete ser um ano de consolidação e expansão sem precedentes no setor.

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Marcos Villela Hochreiter
Marcos Villela Hochreiterhttps://www.frotanews.com.br
Atuo como jornalista no setor da mobilidade desde 1989 em diversas redações. Também nas áreas de comunicação da Fiat e da TV Globo, e depois como editor da revista Transporte Mundial por 22 anos, e diretor de redação de núcleo da Motor Press Brasil. Desde 2018, represento o Brasil no grupo do International Truck of the Year (IToY), associação de jornalistas de transporte rodoviário de 34 países. Desde 2021, também atuo como colaborador na Fabet (Fundação Adolpho Bósio de Educação no Transporte, entidade educacional sem fins lucrativos). Em 2023, fundei a plataforma de notícias de transporte e logística Frota News, com objetivo de focar nos temas que desafiam as soluções para gestão de frotas.
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