quarta-feira, janeiro 28, 2026

Logística em 2026: tendências em tecnologia, integração e sustentabilidade redefinem a gestão de frotas

Mercado brasileiro de frete e logística entra em um novo ciclo de crescimento e maturidade, pressionando gestores a acelerar investimentos em digitalização, eficiência operacional e ESG

O setor logístico brasileiro atravessa um dos períodos mais relevantes de sua história recente. Estimativas da consultoria Mordor Intelligence indicam que o mercado nacional de frete e logística deve movimentar cerca de R$ 597 bilhões em 2025, avançar para aproximadamente R$ 625 bilhões em 2026 e alcançar em torno de R$ 789 bilhões até 2031, com taxa média de crescimento anual de 4,78%.

Assim, 2026 tende a consolidar um modelo de operação mais conectado, inteligente e sustentável, impulsionado por tecnologia, novas demandas de mercado e pressão crescente por eficiência.

Nos últimos anos, vimos uma aceleração sem precedentes na digitalização das operações, desde a gestão de frotas até o gerenciamento de armazéns. Essa tendência tende a se aprofundar. Empresas que ainda operam processos manuais ou fragmentados correm o risco de perder competitividade”, avalia Kassio Seefeld, CEO da TruckPag.

Um mercado cada vez mais complexo — e rodoviário

Apesar do avanço de outros modais, o transporte rodoviário seguirá dominante, respondendo por 65,8% da receita logística brasileira, reflexo direto da matriz histórica das maiores economias do mundo devido a capilaridade e flexibilidade. O transporte de cargas representa cerca de 61% de todo o mercado, enquanto o segmento CEP (Courier, Express e Parcel) é o que cresce mais rápido, com CAGR (taxa de crescimento no longo prazo) acima de 5,4%, impulsionado pelo e-commerce e pela logística urbana.

Logística
Fonte: Mordor Intelligence

Do ponto de vista setorial, manufatura (38,3%) e comércio atacadista e varejista concentram a maior demanda logística, enquanto o agronegócio continua puxando investimentos em corredores de exportação, armazenagem e integração multimodal.

Esse contexto amplia a pressão sobre as frotas: custos de combustível, manutenção, pedágio, mão de obra e exigências regulatórias crescem, ao mesmo tempo em que clientes exigem prazos menores, rastreabilidade total e menor pegada ambiental. E isso tudo deve acontecer juntamente com renovação de frota, redução de emissões e melhoria da qualidade de trabalho para retenção e atração de motoristas profissionais.

As 5 tendências que devem dominar a logística em 2026

Com base nesse cenário, Kassio Seefeld aponta cinco movimentos estruturais que devem ganhar força já em 2026 e impactar diretamente a tomada de decisão dos gestores de transporte e logística.

1. Gestão de frotas 100% digital e integrada

A digitalização deixou de ser um diferencial competitivo e passou a ser um pré‑requisito para a operação logística. A integração de telemetria, roteirização, manutenção, gestão de abastecimento e controle financeiro vem permitindo às empresas acompanhar em tempo real tanto a frota quanto a carga transportada.

Na prática, organizações que adotam sistemas totalmente integrados registram reduções de consumo de combustível na casa dos dois dígitos percentuais, ampliam a disponibilidade dos veículos, elevam o índice de entregas no prazo (OTIF) e ganham maior previsibilidade sobre custos e margens — um avanço que redefine padrões de eficiência no setor.

Para um setor que opera com margens apertadas, dados consolidados viram vantagem competitiva.

2. Inteligência artificial e automação no centro das decisões

A inteligência artificial deixa de ser conceito e passa a atuar diretamente na operação. Ferramentas de IA já são usadas para previsão de demanda, otimização dinâmica de rotas, manutenção preditiva e gestão de riscos.

A automação, por sua vez, reduz erros humanos, acelera processos administrativos e libera equipes para funções estratégicas. Em um mercado que sofre com escassez de motoristas e mão de obra qualificada, produtividade passa a ser questão de sobrevivência.

3. Sustentabilidade e logística verde como estratégia de negócio

A agenda ESG passou a exercer influência concreta sobre a logística brasileira. A redução de emissões de CO₂, o controle do consumo de combustível, o uso de biocombustíveis, a eletrificação gradual das frotas e o monitoramento ambiental já impactam diretamente contratos, condições de financiamento e o acesso a grandes embarcadores. Veja no artigo abaixo, o caso da contratação da Reiter Log pela Coca-Cola Femsa colocando a adoção de caminhões a gás biometano como condição contratual:

Descarbonização vira critério na contratação da Reiter Log pela Coca-Cola FEMSA Brasil

Além da pressão regulatória, empresas que adotam práticas sustentáveis conseguem reduzir custos operacionais no médio prazo, ampliar o acesso a crédito e seguros e conquistar vantagem competitiva em cadeias globais. Nesse cenário, a chamada logística verde deixa de ser apenas um discurso corporativo e se consolida como uma decisão econômica racional.

4. Robótica e automação

A robótica aplicada à logística avança rapidamente, sobretudo em centros de distribuição, cross-docking e operações de e-commerce. Robôs colaborativos, sistemas automatizados de separação e carregamento reduzem erros, aumentam velocidade e melhoram a segurança operacional.

Para grandes operadores, a robótica viabiliza escala sem crescimento proporcional de custos, algo essencial em um mercado cada vez mais volátil.

5. Logística colaborativa e plataformas integradas

Modelos colaborativos vêm ganhando espaço como resposta direta à ociosidade de frotas e à forte fragmentação do setor. Plataformas que conectam transportadores, embarcadores e fornecedores possibilitam o compartilhamento de capacidade, rotas e informações, criando um ambiente mais integrado e eficiente. Esse movimento resulta em melhor aproveitamento dos veículos, redução do custo por quilômetro rodado, diminuição de viagens vazias e cadeias logísticas mais resilientes — um avanço que reposiciona a colaboração como pilar estratégico da competitividade no transporte de cargas.

O desafio para gestores: sair do discurso e ir para a execução

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Kassio Seefeld, CEO da TruckPag. Crédito da imagem: Mariana Gurgacz

O crescimento do mercado logístico brasileiro não elimina seus desafios estruturais: dependência do modal rodoviário para cargas de grande volume entre única origem e único destino, infraestrutura desigual, complexidade tributária e pressão constante sobre custos. Justamente por isso, tecnologia, integração e sustentabilidade deixam de ser tendência e se tornam condição básica de competitividade.

O futuro da logística no Brasil é de integração, inteligência e responsabilidade. As empresas que conseguirem unir tecnologia, processos otimizados e visão estratégica estarão prontas para se diferenciar e capturar valor de forma consistente”, conclui Kassio Seefeld.

Para gestores de frotas e operadores logísticos, 2026 não será apenas mais um ano de crescimento — será o momento decisivo entre liderar a transformação ou ficar para trás em um setor cada vez mais orientado por dados, eficiência e colaboração.

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Marcos Villela Hochreiter
Marcos Villela Hochreiterhttps://www.frotanews.com.br
Atuo como jornalista no setor da mobilidade desde 1989 em diversas redações. Também nas áreas de comunicação da Fiat e da TV Globo, e depois como editor da revista Transporte Mundial por 22 anos, e diretor de redação de núcleo da Motor Press Brasil. Desde 2018, represento o Brasil no grupo do International Truck of the Year (IToY), associação de jornalistas de transporte rodoviário de 34 países. Desde 2021, também atuo como colaborador na Fabet (Fundação Adolpho Bósio de Educação no Transporte, entidade educacional sem fins lucrativos). Em 2023, fundei a plataforma de notícias de transporte e logística Frota News, com objetivo de focar nos temas que desafiam as soluções para gestão de frotas.
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