A eletrificação da logística urbana começa a ganhar tração nas ruas — e em ritmo acelerado. É o caso da Grilo Mobilidade, empresa brasileira especializada em entregas sustentáveis de curta distância, que conduz testes operacionais com seis modelos 100% elétricos de duas, três e quatro rodas em operações reais nos estados do Rio Grande do Sul e de São Paulo.
O objetivo avaliar desempenho, autonomia, capacidade de carga e eficiência operacional em segmentos críticos da logística urbana, como varejo alimentar, farmacêutico e e-commerce.
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Até agora, os números chamam atenção. A empresa já realizou mais de 245 mil deslocamentos sustentáveis. “Nosso objetivo é entender, na prática, como diferentes modelos de veículos elétricos se comportam em operações reais dos nossos clientes na logística urbana. Não se trata apenas de sustentabilidade ambiental, mas também de eficiência operacional, segurança, redução de custos e escalabilidade”, afirma Carlos Novaes, CEO da Grilo Mobilidade.
Comparativo técnico: do elétrico leve ao “minicaminhão”
Os testes envolvem modelos de diferentes fabricantes e propostas construtivas. A estratégia da Grilo é avaliar qual configuração se adapta melhor a cada perfil de entrega.
| Veículo | Rodas | Autonomia (km) | Capacidade de Carga | Volume | Velocidade Máx. |
|---|---|---|---|---|---|
| BYD Dolphin Mini Cargo | 4 | 280 | 289 kg | 2.100 L | 130 km/h |
| Mileto Raiden | 2 | 130 | 150 kg | N/D | 90 km/h |
| Mileto Trix | 3 | 115–200 | ~300 kg | 937 L | 45 km/h |
| HITECH-e New Delivery | 4 | 200–260 | 500 kg | 3.000 L | 70–75 km/h |
| Fever Rap FR 250 Box | 3 | 110 | 250 kg | 1.600 L | 45 km/h |
| Fever Nextem FN1000 High Box | 4 | 200 | 1.000 kg | 5.200 L | N/D |
Observação: as autonomias podem variar conforme carga transportada, topografia e condições reais de tráfego.
Desempenho urbano em escala real
BYD Dolphin Mini Cargo
Adaptado da versão de passeio importado da China, o modelo Cargo foi utilizado em operações de e-commerce e varejo alimentar. Segundo a Grilo, o modelo atende operações que exigem maior estabilidade, conforto ao condutor e previsibilidade de autonomia.
HITECH-e New Delivery
Produzido no Brasil, o utilitário elétrico de quatro rodas amplia o espectro de carga: até 500 kg e 3.000 litros de volume, com autonomia entre 200 km e 260 km. Nos testes, foi aplicado principalmente no varejo alimentar e no e-commerce. A robustez estrutural e a estabilidade em vias urbanas congestionadas foram diferenciais apontados pela empresa.
Mileto Raiden
Voltada à última milha farmacêutica, a moto elétrica destacou-se pela agilidade em curtas distâncias. Com autonomia de até 130 km e capacidade para 150 kg, é indicada para entregas rápidas, com alta rotatividade e necessidade de manobrabilidade extrema.
Mileto Trix
O triciclo elétrico combina boa capacidade volumétrica (937 litros) com autonomia entre 115 km e 200 km, dependendo da configuração de bateria. Foi utilizado tanto em farmácias quanto no varejo alimentar, mostrando equilíbrio entre volume e facilidade de circulação.
Fever Rap FR 250 Box
Com capacidade para 250 kg ou 1.600 litros, o triciclo da Fever foi direcionado às operações farmacêuticas. A autonomia de até 110 km atende rotas concentradas, especialmente em regiões centrais.
Fever Nextem FN1000 High Box
O modelo mais robusto da frota em teste oferece até 1.000 kg de capacidade e 5,2 m³ de volume, com autonomia de até 200 km. Voltado ao e-commerce de maior porte, aproxima-se da proposta de um “minicaminhão” urbano elétrico, ampliando o raio de atuação sustentável.
Competitividade
Além da redução comprovada de emissões, os testes também avaliam: Custo por quilômetro rodado; tempo de recarga; disponibilidade operacional; fadiga do condutor; e adaptação à infraestrutura urbana.
“À medida que as cidades demandam melhores condições ambientais e o custo do combustível fóssil se torna mais imprevisível, a logística elétrica deixa de ser um diferencial e passa a ser uma estratégia competitiva”, afirma Carlos Novaes.
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