sexta-feira, março 13, 2026

Gestão de combustível: A ciência por trás da redução de custos na frota 

Para o gestor de frota, o óleo diesel não é apenas um insumo, mas o item que mais consome o orçamento operacional. Recentemente, a ascensão do biodiesel (B15) trouxe desafios químicos que, se ignorados, elevam drasticamente o Custo Total de Propriedade (TCO). A análise técnica de Gilles Laurent Grimberg aponta que a solução não está em “produtos milagrosos”, mas no rigoroso controle da física e da química do combustível. 

  1. O Mito do enxofre e a realidade dalubrificação

Um erro comum entre frotistas é acreditar que o enxofre possui funções “antissépticas” ou de limpeza. Tecnicamente, o enxofre foi reduzido (Diesel S10) para diminuir emissões, mas sua retirada afetou a lubricidade do combustível. 

Análise: O foco do gestor deve estar em garantir que o combustível mantenha as propriedades lubrificantes necessárias para proteger bicos injetores e bombas de alta pressão, que são sensíveis à falta de oleosidade. 

  1. Oinimigo Nº 1: A água no diesel 

A afirmação de Grimberg de que “queimar água no motor é impossível” toca no ponto mais crítico para o transporte de carga: a higroscopia do biodiesel (sua capacidade de atrair umidade). 

Quando a água se mistura ao diesel, ocorrem três problemas graves: 

Oxidação: Corrosão prematura de componentes metálicos. 

Proliferação Bacteriana: A água na interface com o combustível permite o surgimento de colônias de fungos e bactérias (a “borra”). 

Cavitacão: Explosão de microgotas de água sob alta pressão, que pode “escavar” o metal dos injetores. 

  1. Ahierarquia daprevenção: drenagem e filtragem 

A recomendação técnica para gestores é o retorno ao básico com rigor industrial. Omissão de drenagem é apontada como a principal falha de gestão em garagens. 

Drenagem diária: Essencial para remover a água decantada no fundo do tanque antes que ela seja sugada pelo sistema. 

Controle de tanques de estocagem: O cuidado deve começar no tanque da transportadora (TRR). Um diesel que já chega contaminado anula qualquer filtro de alta performance no caminhão. 

  1. O Impacto nobiodiesel (B15)

Com o aumento da porcentagem de biodiesel, o combustível tornou-se mais instável quimicamente. Ele degrada mais rápido (oxidação) se ficar parado. 

Dica para o gestor: Frotas com baixa rotatividade de estoque ou veículos que ficam muito tempo parados devem ter atenção redobrada com a estabilidade do combustível para evitar que o diesel “vença” dentro do tanque, gerando depósitos de polímeros. 

Tabela de verificação técnica para o gestor 

Problema Identificado  Causa Provável  Ação Recomendada 
Filtros obstruídos com frequência  Proliferação microbiana (borra)  Limpeza de tanques e controle de umidade. 
Perda de potência e fumaça preta  Carbonização de bicos injetores  Revisão da qualidade do diesel e filtragem final. 
Corrosão no sistema de injeção  Presença de água livre  Drenagem rigorosa e uso de separadores de água. 

 

Conclusão Técnica 

A análise das informações demonstra que a eficiência da frota depende menos de “aditivos de prateleira” e mais de uma cultura de higiene do combustível. Para o gestor, a transparência técnica significa entender que a química do biodiesel exige processos de filtragem, drenagem e armazenamento muito mais rigorosos do que o diesel puro de décadas atrás. 

Gilles-Laurent Grimberg, CEO da Actioil do Brasil e CTO da Actioil Internacional, é um executivo francês com mais de 32 anos de experiência no Brasil e referência no setor de combustíveis. Com trajetória marcada por inovação e compromisso com a qualidade, Grimberg é membro do Conselho Diretor da AEA (2024–2026), já foi vice-coordenador da Comissão Técnica de Diesel/Biodiesel, lançou a primeira IA sobre combustíveis via WhatsApp e tem contribuído para a formação técnica do setor com cursos pioneiros e palestras em eventos estratégicos.

Leia mais sobre diesel e biodiesel 

Queda externa não garante diesel mais barato no Brasil

A U.S. Energy Information Administration (EIA) projeta que o preço médio do diesel nos Estados Unidos cairá para US$ 3,50 por galão em 2026, cerca de 4% abaixo de 2025, acompanhando a tendência de queda do petróleo. A agência também estima recuo de aproximadamente 20% no preço médio do barril de Brent, para US$ 55, impulsionado pelo aumento dos estoques globais, desaceleração da demanda e ampliação da oferta liderada pela OPEP+. Apesar desse cenário internacional mais favorável, a redução dos preços externos não implica, necessariamente, queda automática do diesel no mercado brasileiro. 

No Brasil, a formação de preços depende de fatores adicionais, com destaque para a política da Petrobras, que desde 2023 abandonou a paridade internacional e adotou critérios próprios, menos previsíveis, incluindo um mecanismo de amortecimento sem regras públicas. Além do petróleo, câmbio, impostos, mistura de biodiesel, estoques, riscos geopolíticos e margens de refino influenciam o valor final ao consumidor. A proximidade do ano eleitoral em 2026 amplia as incertezas sobre possíveis interferências nos preços, reforçando a avaliação de que, mesmo com a tendência de queda internacional, o diesel no Brasil pode não acompanhar esse movimento — e já começa o ano pressionado por um aumento de R$ 0,05 por litro em função do reajuste do ICMS. Fonte: Vitor Sabag, especialista em combustível da Gasola by nstech.

Entidades defendem participação do agro na transição energética

A ABIOVE, a APROBIO e a UBRABIO encaminharam nesta quarta-feira (17) um ofício à Presidência da República defendendo a inclusão do Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA) e do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) na elaboração do mapa do caminho para uma transição energética justa e planejada, em resposta ao despacho publicado no Diário Oficial da União em 8 de dezembro de 2025. No documento, as entidades destacam que a experiência brasileira com biocombustíveis demonstra alto potencial de geração de segurança energética, segurança alimentar e desenvolvimento econômico distribuído, reforçando a necessidade de integrar o setor produtivo primário, a ciência e a inovação no processo.

“É fundamental que o agronegócio, a tecnologia e a inovação estejam representados”, afirmou o presidente da APROBIO, Jerônimo Goergen. As associações também se comprometeram a apresentar propostas e projetos estruturantes baseados no desenvolvimento científico e tecnológico para contribuir com o desenho da transição energética justa no país. 

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