O modelo de pedágio sem cancelas, conhecido como Free Flow, começa a ganhar escala no Brasil impulsionado por soluções desenvolvidas para a realidade do tráfego nacional — marcado por alto volume de veículos comerciais, composições complexas e condições ambientais adversas. No centro desse movimento está a COMPSIS, empresa de São José dos Campos (SP) que estruturou um sistema integrado capaz de identificar e classificar, em tempo real, desde automóveis de passeio até combinações rodoviárias com múltiplos eixos.
O sistema já opera comercialmente no Rodoanel Mário Covas, onde passou por nove meses de testes antes da consolidação do modelo MLFF (Multi-Lane Free Flow).
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Diferentemente de países onde o fluxo é majoritariamente composto por veículos leves, diversas rodovias brasileiras registram até 40% de participação de veículos comerciais pesados. Isso impõe um desafio técnico relevante ao Free Flow: a correta identificação e classificação tarifária.
A diferenciação entre um automóvel de passeio e um caminhão não se limita ao tamanho do veículo. É necessário identificar com precisão o número de eixos, detectar eixos suspensos, reconhecer rodagem dupla e interpretar combinações veiculares — fatores que impactam diretamente o valor da tarifa.
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Integração de sensores, imagem e IA
Para lidar com esse cenário, a COMPSIS estruturou uma arquitetura que combina múltiplas tecnologias embarcadas nos pórticos:
- Sensores a laser para contagem e detecção de eixos
- Câmeras LPR (Leitura Automática de Placas) dianteiras e traseiras
- Antenas RFID para identificação por tags eletrônicas
- Algoritmos de inteligência artificial que cruzam os dados em tempo real
O sistema realiza leituras simultâneas e aplica validação cruzada automática. Caso haja divergência entre as fontes — por exemplo, diferença entre contagem física de eixos e base cadastral — a IA reprocessa os dados antes de encaminhar a transação ao Centro de Controle e Operação (CCO).
Treinamento com dados reais brasileiros
Um dos diferenciais apontados pela empresa é o treinamento da inteligência artificial com milhões de transações captadas em rodovias nacionais. Esse banco de dados inclui cenários de alta complexidade operacional: caminhões com eixos suspensos, composições articuladas, placas parcialmente encobertas por sujeira e condições climáticas como chuva intensa ou reflexos de sol forte.
A integração multimodal — combinando laser, imagem e radiofrequência — permite manter níveis elevados de acurácia mesmo sob baixa luminosidade, alta velocidade ou interferências visuais. Na prática, o sistema identifica se o veículo é um automóvel, um utilitário leve, um caminhão simples ou uma combinação com múltiplos eixos, aplicando a tarifa correspondente sem necessidade de redução de velocidade.
Validação automatizada e redução de intervenção manual
Outro ponto central do modelo é a validação automática das transações por IA, reduzindo significativamente correções manuais nos CCOs das concessionárias. Esse processo impacta diretamente a eficiência operacional e o ciclo financeiro das concessões.
A empresa afirma ser pioneira no Brasil na aplicação de IA nacional para validação automatizada em Free Flow, com certificação ISO 9001 e homologação da ARTESP para atuação em concessões paulistas.
Engenharia de missão crítica aplicada às rodovias

Fundada em 1989 por Ailton Queiroga, ex-engenheiro da Embraer e formado pelo Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), a COMPSIS trouxe para o setor rodoviário conceitos típicos da aviação: redundância, validação contínua e confiabilidade sistêmica.
No Free Flow, esses princípios se traduzem em um ecossistema integrado capaz de operar sem barreiras físicas, mas com alto grau de controle digital. Em um mercado que deve crescer com os novos leilões de concessões rodoviárias, a capacidade de diferenciar com precisão veículos comerciais e de passeio tornou-se um dos pilares técnicos para a expansão sustentável do modelo no Brasil.
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