Os emplacamentos de caminhões e ônibus nos primeiros dois meses de 2026 ainda são reflexos da retração das vendas no último bimestre de 2025. Após a venda, o licenciamento pode demorar de dois a quatro meses dependendo do tipo de carroceria.
Dados divulgados pela Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores) mostram que os emplacamentos de veículos pesados registraram queda de 29,4% no primeiro bimestre de 2026 em comparação com o mesmo período do ano passado.
Segundo o presidente da entidade, Igor Calvet, a expectativa é de que programas voltados ao financiamento e à renovação de frota Move Brasil contribuam para reaquecer o mercado ao longo de 2026.
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No segmento de caminhões, o acumulado de emplacamentos até fevereiro de 2026 chegou a 13.109 unidades, o que representa uma retração de 28,7% frente às 18.377 unidades registradas no mesmo período de 2025.
A liderança no período ficou com a Volkswagen Caminhões e Ônibus, que emplacou 3.547 unidades, seguida por Mercedes-Benz, com 3.213 veículos. Na sequência aparecem Volvo Trucks, com 2.310 unidades, Scania, com 1.228, e Iveco, com 1.211 caminhões emplacados no período.
Entre as principais fabricantes, a maior retração proporcional foi registrada pela Scania, com queda de 52,3% no bimestre.
| Categoria / Empresa | Acumulado 2026 (C) | Acumulado 2025 (E) |
|---|---|---|
| Caminhões – Total | 13.109 | 18.377 |
| Empresas associadas | 12.878 | 18.213 |
| Agrale | 24 | 16 |
| Caoa (Hyundai) | 2 | 3 |
| DAF | 950 | 1.465 |
| FCA (Dodge) | 110 | 515 |
| Ford | 21 | 36 |
| Iveco | 1.211 | 1.500 |
| Volkswagen Caminhões e Ônibus | 3.547 | 4.397 |
| Mercedes-Benz | 3.213 | 4.166 |
| Mercedes-Benz Cars & Vans | 249 | 308 |
| Peugeot | 13 | 5 |
| Citroën | 0 | 5 |
| Renault | 0 | 0 |
| Scania | 1.228 | 2.577 |
| Volvo | 2.310 | 3.220 |
| Outras empresas | 231 | 164 |
Outras empresas são importadoras, como Foton, JAC Caminhões, Sany, XCMG, entre outras.
Ônibus recuam mais de 30% no início do ano
O segmento de ônibus apresentou retração ainda mais intensa no início de 2026. Os emplacamentos acumulados no primeiro bimestre somaram 2.486 unidades, queda de 33,4% frente às 3.735 unidades registradas em jan-fev de 2025.
Entre as montadoras associadas à Anfavea, foram 2.323 veículos emplacados, recuo de 36,4% na comparação anual.
A liderança ficou com a Mercedes-Benz do Brasil, com 991 unidades, seguida pela Volkswagen Caminhões e Ônibus, com 712 ônibus.
Na sequência aparecem Agrale, com 360 unidades, Volvo Buses, com 66, e Scania, com 30 veículos.
| Categoria / Empresa | Acumulado 2026 (C) | Acumulado 2025 (E) |
|---|---|---|
| Ônibus – Total | 2.486 | 3.735 |
| Empresas associadas | 2.323 | 3.654 |
| Agrale | 360 | 571 |
| Iveco | 164 | 471 |
| Volkswagen Caminhões e Ônibus | 712 | 980 |
| Mercedes-Benz | 991 | 1.414 |
| Scania | 30 | 100 |
| Volvo | 66 | 118 |
| Outras empresas | 163 | 81 |
Mercado interno de veículos mantém resiliência
Enquanto o segmento de pesados enfrenta retração, o mercado brasileiro de automóveis como um todo segue mostrando resiliência em 2026.
No primeiro bimestre do ano, foram 355,7 mil unidades emplacadas, repetindo o bom desempenho observado no mesmo período de 2025.
Fevereiro apresentou um resultado particularmente positivo, com média diária de 10,3 mil veículos vendidos, acima das 8,1 mil unidades registradas em janeiro e das 9,2 mil unidades de fevereiro do ano passado. O resultado representa a segunda melhor média diária para o mês nos últimos dez anos, segundo a Anfavea.
Grande parte desse desempenho foi puxada pelos segmentos de automóveis e comerciais leves, cujos emplacamentos cresceram 18% no bimestre na comparação anual.

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Produção recua com queda nas exportações
Apesar do bom ritmo do mercado interno, a produção nacional apresentou retração no início do ano.
A indústria automotiva brasileira fabricou 338 mil autoveículos no primeiro bimestre de 2026, volume 8,9% inferior ao registrado no mesmo período do ano passado.
O principal fator por trás da queda foi o recuo nas exportações. Nos dois primeiros meses do ano, 59,4 mil veículos foram enviados ao exterior, retração de 28% na comparação anual.
Eletrificados avançam no Brasil
Outro destaque do mercado automotivo brasileiro é o avanço dos veículos eletrificados. Em fevereiro, 28.120 unidades de modelos híbridos e elétricos foram emplacadas, representando 15,9% do total de veículos leves vendidos no país.
Um dado relevante é o crescimento da participação de modelos produzidos localmente: 43% dos eletrificados vendidos no país já são fabricados no Brasil, a maior participação da série histórica da Anfavea.
No entanto, os híbridos com motores elétricos que também tracionam as rodas ainda são importados. Os números híbridos apresentados acima são, na sua maioria, híbridos leves, como o Fiat Pulse Hybrid. O motor elétrico funciona apenas como assistente do motor a combustão: ele atua como gerador e auxiliar de torque (start-stop mais suave, pequenas ajudas em arrancadas e retomadas), recupera energia nas frenagens, melhora um pouco o consumo e as emissões.
Desafios geopolíticos seguem no radar da indústria
Mesmo com sinais de resiliência do mercado interno, a indústria acompanha com atenção o cenário internacional.
Entre os fatores de risco apontados estão as tensões geopolíticas, os impactos sobre cadeias logísticas globais e a volatilidade cambial. A alta do petróleo e do dólar, impulsionada por conflitos no Oriente Médio, também pressiona os custos de transporte e produção.
No cenário doméstico, os juros elevados continuam sendo um desafio adicional para a renovação de frota. A projeção de crescimento do PIB brasileiro é de 1,8% em 2026, enquanto a taxa Selic permanece em 15% ao ano, patamar que encarece o crédito e pode adiar decisões de investimento por parte das empresas.
Ainda assim, a avaliação da indústria é de que a cadeia automotiva brasileira mantém capacidade de adaptação e segue comprometida com novos investimentos, inovação tecnológica e a modernização da frota nacional.
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