Para o Frota News, todos os dias são das mulheres. O Dia Internacional da Mulher, celebrado em 8 de março, é mais do que uma data simbólica: representa um momento de balanço sobre os avanços conquistados e, sobretudo, sobre o que ainda precisa evoluir para ampliar a presença feminina em setores historicamente dominados por homens — como logística e transporte.
Os números mostram que a transformação está em curso, ainda que de forma gradual.
De acordo com a Organização Internacional do Trabalho (OIT), as mulheres representam cerca de 24% da força de trabalho global na logística. No Brasil, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a participação feminina gira em torno de 20%.
Quando se observa a presença nas posições de liderança, o cenário revela desafios ainda maiores. Levantamento realizado em 2025 pelo Instituto Talenses em parceria com o Núcleo de Estudos de Gênero do Insper aponta que apenas 17,4% das empresas brasileiras possuem lideranças femininas.
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Empregos no transporte de cargas mostram mudança histórica
No transporte rodoviário de cargas, um dado recente simboliza esse movimento. Segundo registros do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), 2025 marcou a primeira vez em que o saldo de empregos formais ocupados por mulheres no transporte de cargas superou o dos homens.
- 24.639 vagas foram preenchidas por mulheres
- 22.088 vagas foram ocupadas por homens
O resultado reflete uma tendência construída ao longo dos últimos anos e evidencia a expansão da presença feminina em diversas áreas do setor — do administrativo à gestão, passando também pelas operações.
Na avaliação da NTC&Logística, o avanço é resultado de uma combinação de fatores que inclui programas corporativos de diversidade, iniciativas institucionais e o reconhecimento crescente da capacidade de liderança feminina nas empresas de transporte.
Ainda assim, os desafios permanecem.
O Índice de Equidade no TRC 2024, realizado pelo Instituto Paulista do Transporte de Carga (IPTC), aponta que:
- mulheres representam 26% da força de trabalho no setor
- homens ainda somam 74%
- Em determinadas funções operacionais, a presença feminina continua bastante limitada:
- 3% das mulheres atuam como motoristas
- 3% ocupam cargos de liderança
- Por outro lado, o estudo também indica sinais de transformação estrutural:
- 81% das empresas possuem estratégias para ampliar a contratação de mulheres
- 63% já divulgaram planos para aumentar a presença feminina em cargos de liderança
- 87% afirmaram ter contratado mulheres para posições de liderança no último ano
Além disso, 90% das empresas declararam que o gênero não influencia nos processos de contratação, o que reforça uma mudança de mentalidade dentro do setor.
Outro ponto relevante apontado pelo levantamento é que a presença feminina está associada a benefícios organizacionais como:
- redução de acidentes
- melhoria do ambiente de trabalho
- aumento da produtividade
Lideranças femininas também crescem nas entidades do setor
Nas entidades representativas do transporte, a participação feminina também vem ganhando espaço.
Na própria NTC&Logística, mulheres têm desempenhado papel ativo na construção de agendas estratégicas para o transporte rodoviário de cargas. Entre elas estão: Joyce Bessa, vice-presidente extraordinária da pauta ESG; Jéssica Caballero Lopes, vice-coordenadora nacional da COMJOVEM; Roberta Fiorot, integrante do conselho de ex-coordenadores da COMJOVEM; Gislaine Zorzin; Priscila Zanette; e Rafaela Cozar, membro do Conselho Superior da associação.
Programas institucionais também ajudam a impulsionar essa mudança.
Entre os exemplos está o movimento Vez&Voz, criado pelo Sindicato das Empresas de Transportes de Carga de São Paulo e Região (SETCESP) e liderado por sua presidente executiva, Ana Jarrouge. A iniciativa tornou-se uma das principais plataformas de incentivo à participação feminina no transporte.
Outro espaço relevante de formação de lideranças é a COMJOVEM, comissão de jovens empresários e executivos da NTC&Logística. Atualmente, dos 753 membros, cerca de 200 são mulheres. Entre os 79 coordenadores e vice-coordenadores, 23 são mulheres.
Mulheres que lideram transformações na logística
Além das estatísticas, o avanço da participação feminina na logística também se materializa nas trajetórias de executivas que lideram operações, inovação e estratégias em diferentes áreas do setor.
Entre elas estão:
Clarisse Etcheverry
Fundadora do Grupo EREA, referência nacional em real estate logístico e industrial. Com mais de duas décadas de experiência no setor, lidera projetos de expansão e consultoria para grandes operadores logísticos e investidores. Apenas em 2025, a empresa participou de negócios que somaram mais de 1,4 milhão de m² em locações de galpões.
Isadora Vecchi
Diretora de Desenvolvimento de Novos Negócios da Loggi, empresa brasileira que vem transformando a logística por meio da tecnologia. Com experiência em companhias como Amazon e Natura, atua na expansão de soluções logísticas digitais no país.
Karina Amaro
CFO da transportadora digital Motz, com mais de 25 anos de experiência em finanças e gestão. Ao longo da carreira passou por empresas como Alcatel/Nokia, Comgás e Votorantim Cimentos.
Priscila Moherdaui
Diretora de Marketing e Growth da nstech, maior empresa de software para supply chain da América Latina. Lidera a integração estratégica das mais de 100 empresas que compõem o ecossistema da companhia.
A nstech também criou o nsclub mulheres, comunidade que reúne executivas da logística para troca de experiências e fortalecimento da liderança feminina.
Nathalia Corazza
Gerente de Branding da Frota 162, empresa especializada em gestão de multas, condutores e frotas. Atua na construção da identidade e posicionamento da marca no setor logístico.
Alice Ana Paiva
Diretora Comercial da Tragetta, empresa de transporte fracionado do Grupo FEMSA. Lidera a estratégia de expansão da companhia no Brasil com foco em tecnologia, eficiência operacional e inteligência de mercado.
Edilaine Prado
Gerente de Desenvolvimento Humano Organizacional da TruckPag, startup de meios de pagamento para frotas pesadas. Entre os resultados alcançados em sua gestão estão a redução de 42% do turnover e o aumento significativo do índice de satisfação interna da empresa.
Histórias que inspiram no transporte público
O avanço feminino no setor também aparece em trajetórias pessoais que rompem barreiras.
Na Secretaria dos Transportes Metropolitanos de São Paulo (STM), duas histórias simbolizam essa transformação.
Uma delas é a de Lúcia Makena, estagiária da área de comunicação. Aos 64 anos, ela está no último ano da graduação em jornalismo — sonho que havia sido interrompido na juventude por dificuldades financeiras.
Após décadas atuando como professora e empreendedora, Lúcia decidiu retomar os estudos incentivada pela neta.
“Precisamos sonhar e nos permitir realizar esses sonhos”, afirma.
Outra trajetória é a de Andreia Cristina Rodrigues, líder de projetos do túnel que ligará as estações Consolação e Paulista do Metrô de São Paulo.
Engenheira em um setor ainda majoritariamente masculino, Andreia afirma que muitas vezes ainda precisa provar sua competência.
“Ver a obra tomando forma e saber que vai facilitar a vida de milhares de pessoas é extremamente gratificante”, diz.
Mercedes-Benz destaca protagonismo feminino no esporte e na indústria
No campo institucional, empresas globais também utilizam a data para reforçar compromissos com diversidade.
A Mercedes-Benz lançou a campanha “Driven by Her”, destacando histórias femininas inspiradoras e ampliando a visibilidade de criadoras de conteúdo.
A ação marca também a parceria da marca com a tenista norte-americana Coco Gauff, nova embaixadora global da empresa e uma das principais atletas da atual geração.
A montadora também se tornou parceira da Women’s Tennis Association (WTA), reforçando o apoio ao desenvolvimento do tênis feminino.
Internamente, a empresa afirma buscar ampliar o número de mulheres em áreas técnicas e de liderança. Atualmente, 26,7% dos cargos de liderança sênior da Mercedes-Benz no mundo são ocupados por mulheres.
Um setor em transformação
O transporte de cargas e a logística ainda carregam uma forte herança masculina. No entanto, os indicadores mais recentes mostram que a presença feminina cresce — e tende a ganhar ainda mais relevância nos próximos anos.
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