quinta-feira, janeiro 29, 2026

Cases de eletrificação de pesados Volvo com Coca-Cola e IKEA

Entender a entrega de mais de 5.700 caminhões elétricos pela Volvo Trucks em 50 países é preciso entender as iniciativas dos embarcadores em cada país, principais decisores das decisões de investimentos na transição energética. A Frota News traz mais dois cases internacionais de embarcadores que estão investindo nos caminhões elétricos da marca sueca. Lógico que, em cada país, o embarcador não só leva em consideração as questões tecnológicas, mas por um conjunto de fatores estruturais: infraestrutura de recarga insuficiente, custo elevado de aquisição, falta de incentivos fiscais e modelos de negócio pouco adaptados à realidade dos frotistas brasileiros.

Casos de sucesso na Austrália mostram o caminho

Na Austrália, um mercado comparável ao brasileiro em extensão territorial e dependência do transporte rodoviário, a transição elétrica começa a ganhar corpo. O grupo logístico Toll, em parceria com a Coca-Cola Europacific Partners (CCEP), anunciou a segunda fase de um programa de US$ 67 milhões (cerca de R$ 375 milhões) para a eletrificação da frota de distribuição de bebidas.

O projeto inclui 12 caminhões rígidos Volvo FM Electric, com capacidade para 12 paletes e autonomia de até 270 km, que substituirão veículos a diesel nas operações urbanas de distribuição. O investimento, cofinanciado pela Agência Australiana de Energia Renovável (ARENA), prevê ainda estações de recarga dedicadas nos centros de distribuição da Coca-Cola em quatro estados australianos.

Este projeto prova que é possível unir sustentabilidade, confiabilidade e performance operacional”, afirmou Nick Vrckovski, presidente da divisão de varejo e consumo da Toll.
Com o apoio de nossos clientes e do governo, estamos construindo o maior programa de caminhões elétricos do setor privado australiano”, completou.

IKEA aposta em leasing para viabilizar a eletrificação

Volvo
Volvo FL Electric

Outro exemplo vem da IKEA Austrália, que incorporou quatro caminhões Volvo FL Electric de longa distância ao seu programa de entregas domésticas. O objetivo é atingir 100% de entregas com zero emissão — meta que já alcança 84% das rotas em áreas metropolitanas.

A inovação não está apenas nos veículos, mas no modelo de negócio: a IKEA firmou parceria com a CarBon Leasing e a operadora ANC Delivers para oferecer caminhões elétricos em regime de leasing, removendo a principal barreira à eletrificação — o alto custo inicial de aquisição.

O programa inclui manutenção, recarga e até relatórios de emissões de CO₂, facilitando o acesso dos pequenos transportadores que representam 98% do setor de entregas australiano.

Os novos caminhões Volvo FL têm autonomia de até 450 km e capacidade para 5,5 toneladas, e já acumularam mais de 1 milhão de quilômetros rodados no país. Além disso, a IKEA investiu US$ 4,5 milhões em infraestrutura de recarga, um dos gargalos ainda críticos para a expansão da frota elétrica.

Realidades distintas, lições em comum

Os exemplos australianos mostram que o avanço da mobilidade elétrica depende de uma tríade essencial:

  1. Incentivos governamentais, que reduzam o custo inicial e fomentem a infraestrutura;
  2. Modelos colaborativos, que integrem montadoras, operadores logísticos e clientes;
  3. Planejamento energético, garantindo a disponibilidade de energia limpa e estável.

No Brasil, esse ecossistema ainda está em formação. A ausência de linhas de crédito específicas e falta de clareza regulatória sobre recarga e tarifação elétrica dificultam a tomada de decisão dos gestores de frota. Além disso, o perfil operacional do transporte de cargas — com longas distâncias e poucos pontos de parada equipados — torna a eletrificação viável apenas em operações urbanas ou regionais de curta distância.

O que o gestor de frota precisa observar

Para quem lidera frotas comerciais no Brasil, a transição energética não é mais uma questão de se, mas de quando — e como. Ainda que o elétrico puro não seja uma solução imediata para todos os perfis de operação, projetos-piloto urbanos, híbridos, e testes com combustíveis alternativos, como biometano e HVO (diesel renovável), podem preparar o caminho para uma frota de baixo carbono.

A experiência internacional mostra que o futuro não será movido apenas a eletricidade, mas sim por uma combinação inteligente de tecnologias — e que o sucesso virá para quem começar a planejar agora.

Cada país vive sua própria transição. No Brasil, será mais gradual, mas inevitável. A questão é estar pronto para quando a infraestrutura chegar”, resume um executivo do setor automotivo.

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Marcos Villela Hochreiter
Marcos Villela Hochreiterhttps://www.frotanews.com.br
Atuo como jornalista no setor da mobilidade desde 1989 em diversas redações. Também nas áreas de comunicação da Fiat e da TV Globo, e depois como editor da revista Transporte Mundial por 22 anos, e diretor de redação de núcleo da Motor Press Brasil. Desde 2018, represento o Brasil no grupo do International Truck of the Year (IToY), associação de jornalistas de transporte rodoviário de 34 países. Desde 2021, também atuo como colaborador na Fabet (Fundação Adolpho Bósio de Educação no Transporte, entidade educacional sem fins lucrativos). Em 2023, fundei a plataforma de notícias de transporte e logística Frota News, com objetivo de focar nos temas que desafiam as soluções para gestão de frotas.
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