A confirmação de que o SUV híbrido plug-in BYD Song Plus será produzido no complexo industrial de Camaçari (BA) ainda em 2026 consolida um movimento que vai além da ampliação do portfólio nacional da montadora. Para gestores de frotas, transporte e logística, o anúncio sinaliza aumento da cadeia automotiva brasileira, com impactos diretos sobre custos, previsibilidade operacional e dinâmica logística regional e nacional.
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O Song Plus será o quarto modelo fabricado localmente pela BYD, ao lado do Dolphin Mini, King e Song Pro. Em pouco mais de 60 dias de operação, a planta baiana já soma uma produção próxima de 20 mil veículos, número expressivo para uma fábrica inaugurada em outubro e que evidencia a capacidade de escala do projeto.
Inicialmente, o Song Plus produzido no Brasil manterá as mesmas configurações do modelo atualmente vendido no mercado nacional, reduzindo riscos industriais e acelerando a transição da importação para a produção local.
A nacionalização de um dos SUVs eletrificados mais vendidos do país reduz a dependência de cadeias globais longas e expostas a gargalos logísticos, variações cambiais e incertezas tarifárias. Embora o modelo tenha sido substituído na China, a montadora deixa claro que a estratégia do mercado chinês difere da adotada em outros países.
“Seguimos construindo a marca que vai ser a líder de vendas no Brasil e estamos cumprindo uma agenda já prevista de nacionalizarmos a produção dos nossos best-sellers”, afirmou Alexandre Baldy, vice-presidente sênior e head comercial e marketing da BYD do Brasil em comunicado enviado à Frota News. Segundo o executivo, a ampliação da gama de fornecedores brasileiros e a geração de empregos regionais fazem parte do plano de longo prazo da empresa no país.
Investimentos e escala como diferencial competitivo
Dos R$ 5,5 bilhões previstos para esta fase de construção e ampliação do complexo de Camaçari, mais de R$ 3 bilhões já foram aplicados. A BYD ainda admite a possibilidade de ampliar o aporte, mirando uma meta ambiciosa de 600 mil unidades produzidas por ano. Para o setor de frotas e logística, esse volume indica capacidade de atendimento em larga escala e maior previsibilidade para contratos corporativos e operações de longo prazo.
A fábrica retomou as atividades em 8 de janeiro, após recesso iniciado em 20 de dezembro. Desde a inauguração oficial, em 9 de outubro, já foram produzidos cerca de 18 mil veículos, resultado que, segundo a empresa, foi fundamental para consolidar sua estratégia de crescimento no mercado brasileiro. A produção local é apontada como o principal diferencial competitivo frente à concorrência, especialmente diante do fim gradual dos incentivos tarifários às importações.
Impactos diretos na logística e no transporte
A ampliação da produção em Camaçari coloca o complexo no caminho para se tornar um hub logístico-industrial de grande escala. Com a operação plena de áreas como soldagem, estamparia e pintura, o fluxo de insumos e autopeças aumentará de forma significativa, elevando a demanda por transporte dedicado, operações just‑in‑time e maior previsibilidade nos contratos logísticos.
Além disso, o modelo logístico passa a ser híbrido, combinando componentes importados, produção nacional e distribuição interna em larga escala, o que aumenta a complexidade, mas traz estabilidade de volumes ao longo do ano. No médio prazo, a expectativa de produção anual na casa das centenas de milhares de veículos deve estimular investimentos em infraestrutura, pátios, centros de consolidação e serviços especializados. A frota usada na logística interna e regional também tende a evoluir, pressionada por demandas de maior eficiência energética e melhor desempenho ambiental.
A fábrica de Camaçari conta atualmente com mais de 2 mil colaboradores, com expectativa de chegar a 5 mil trabalhadores até o fim do ano, reforçando o efeito multiplicador sobre a economia regional e o ecossistema logístico local.


