A tecnologia de pesagem em movimento, conhecida como HS-WIM (High-Speed Weigh-in-Motion), consolida-se como um divisor de águas na preservação do pavimento e na segurança viária no Brasil. Implantado de forma pioneira pela Ecovias do Cerrado em parceria com a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), o sistema já opera em cinco pontos no País e acumula cerca de 30 mil autos de infração por excesso de peso desde 2023 até fevereiro de 2026.
A ANTT autorizou oficialmente um período de testes para essa nova tecnologia de pesagem. Durante esse teste, quatro balanças foram instaladas em rodovias administradas pela Ecovias do Cerrado, para verificar se o sistema funcionaria bem antes de virar regra permanente. Iniciado em junho de 2023, quatro balanças HS-WIM foram instaladas nas BR-364 e BR-365, nos trechos concedidos da Ecovias do Cerrado, nos seguintes pontos:
- km 640 e 649 da BR-365 (Uberlândia-MG)
- km 12 e 110 da BR-364 (São Simão e Cachoeira Alta-GO)
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Homologadas pelo Inmetro, as balanças operam com sensores instalados no pavimento e pórticos com câmeras de alta definição, realizando a pesagem de veículos a até 90 km/h. O sistema fiscaliza 100% do tráfego, 24 horas por dia, sem interrupções.
Desde o início da operação fiscalizatória, em dezembro de 2024, até junho de 2025, foram emitidas 17,6 mil multas. No período, cerca de 480 mil veículos passaram pelos pontos monitorados — aproximadamente 10% apresentaram algum nível de sobrecarga. A evasão caiu para 1,3%, índice significativamente inferior ao registrado em praças de pesagem tradicionais.
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Outro efeito relevante foi ambiental: a concessionária estima redução de 20,4% nas emissões de CO₂ nos trechos monitorados, em razão da maior fluidez do tráfego e da eliminação de filas.
O investimento por unidade varia entre R$ 7 milhões e R$ 10 milhões — cerca de um terço do custo de um Posto de Pesagem Veicular (PPV) convencional.

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Expansão nacional e novos corredores
Em janeiro de 2026, a Ecovias Noroeste Paulista ativou a primeira HS-WIM no trecho da SP-310 (Rodovia Washington Luís). Nos primeiros 85 mil veículos analisados, o sistema detectou 15% de irregularidades e aplicou mais de 1.200 multas em poucas semanas.
Com cinco balanças em operação no Brasil, a ANTT e o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) já estudam a replicação do modelo em corredores críticos, como a BR-277, estratégica para o escoamento de cargas ao Porto de Paranaguá.
O sandbox regulatório foi encerrado em agosto de 2025 com avaliação positiva. A experiência abriu caminho para aditivos contratuais e para a padronização do modelo nas concessões federais.
Segundo estudos técnicos, o excesso de peso é responsável por até 60% dos danos estruturais ao pavimento. A fiscalização contínua tende a reduzir custos de manutenção, aumentar a vida útil das rodovias e melhorar os indicadores de segurança viária.
Como funciona o HS-WIM na prática
O sistema combina engenharia de pavimento, sensores de alta precisão e inteligência artificial.
1. Detecção e captura
Sensores piezoelétricos ou de fibra ótica embutidos no asfalto registram a deformação causada por cada eixo, com precisão estimada entre ±5% e ±10%. Simultaneamente, câmeras com tecnologia OCR realizam a leitura automática das placas.
2. Análise em tempo real
Os dados são enviados a uma central remota, onde algoritmos comparam o peso aferido com os limites legais — como os 12 toneladas para eixo tandem — respeitando as tolerâncias de 5% para PBT e 12,5% por eixo.
3. Ação automatizada
Veículos com indícios de irregularidade recebem sinalização por painéis de LED e são direcionados para balança estática de confirmação. Após validação, o auto de infração é gerado eletronicamente via sistema integrado da ANTT. Cerca de 99% dos veículos seguem viagem sem necessidade de parada.
A capacidade operacional pode alcançar até 1.200 veículos por hora, o que torna a fiscalização praticamente universal no trecho monitorado.
Multas e impacto econômico
Desde 2023, o acumulado aproxima-se de 30 mil autos de infração, sendo 7,7 mil apenas nos primeiros meses de 2025.
As penalidades seguem o artigo 231, inciso V, do Código de Trânsito Brasileiro. A multa-base é de R$ 130,16, acrescida de valores progressivos por fração de 200 kg excedente, podendo ultrapassar R$ 1.500 em casos de sobrecarga entre uma e cinco toneladas.
Faixas aproximadas de acréscimo por excesso:
| Faixa de excesso (200 kg/fração) | Acréscimo aproximado |
|---|---|
| Até 600 kg | R$ 5,32 |
| 601–800 kg | R$ 10,64 |
| 801–1.000 kg | R$ 21,28 |
| 1.001–3.000 kg | R$ 31,92 |
| 3.001–5.000 kg | R$ 42,56 |
| Acima de 5.001 kg | R$ 53,20 |
Além da penalidade financeira, casos extremos podem gerar retenção do veículo até regularização da carga.
Com a previsão de expansão para mais de 20 unidades até 2027, estima-se potencial de arrecadação anual da ordem de R$ 500 milhões — recursos que podem ser revertidos em melhorias na infraestrutura.
A Frota News continuará acompanhando os desdobramentos da expansão do HS-WIM e seus impactos sobre o setor de transporte e logística.
Fontes: ANTT, Inmetro, Ecovias do Cerrado, relatórios do sandbox regulatório e dados consolidados até fevereiro de 2026.
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