A Agrale deu um passo para garantir espaço entre as fabricantes latino-americanas que oferecem soluções completas em ônibus elétricos. Em parceria com a britânica Equipmake, a montadora gaúcha apresentou dois novos chassis de propulsão 100% elétrica: MT 17.0 LEe e MT 27.0 LEe.
Segundo o E-Bus Radar, que monitora a frota de ônibus eletrificado na América Latina, já são 7.340 ônibus elétricos, a maioria padrão 100% a bateria; e no Brasil, já estão 1.335 unidades. Os dados foram atualizados até setembro de 2025.
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MT 17.0 LEe
O destaque da nova linha é o MT 17.0 LEe, um chassi de piso baixo e entrada facilitada (Low Entry), desenhado para operações urbanas de média e alta demanda — exatamente o tipo de aplicação onde os elétricos conquistam mais eficiência.
O modelo utiliza o sistema Zero Emission Drivetrain (ZED), tecnologia desenvolvida pela Equipmake que se tornou referência em sistemas de tração para ônibus elétricos no Reino Unido e outros mercados.
Potência e autonomia em números. O trem de força entrega:
- 400 kW de potência máxima (544 cv)
- 3.500 Nm de torque instantâneo
- Bateria de 318 kWh
- Autonomia entre 240 e 300 km
- Recarga completa em cerca de 4 horas via CCS Combo 2
- PBT técnico de 17 toneladas
Com autonomia suficiente para cumprir a jornada diária sem recargas intermediárias, o MT 17.0 LEe foi projetado para recarga noturna no pátio, reduzindo custos operacionais e facilitando a adaptação das garagens. Capacidade estimada: aproximadamente 75 passageiros, dependendo do encarroçamento.
O modelo já começou a ser implantado na Argentina, onde iniciou testes com a operadora DOTA S.A. — o maior operador da capital Buenos Aires — e integra o plano da cidade para reduzir emissões até 2030. O Grupo DOTA S.A. também conta com a encarroçadora TodoBus S.A, responsável pelas carrocerias dos modelos.
MT 27.0 LEe: o articulado elétrico para corredores e BRT
Se o MT 17.0 LEe atende ao ônibus padrão de 12 metros, o novo MT 27.0 LEe mira um patamar superior de demanda: o transporte de altíssima capacidade. Trata-se da versão eletrificada do inédito chassi articulado da Agrale. Seu projeto contempla:
- Comprimento de até 18 metros
- PBT de até 27 toneladas
- Capacidade para mais de 135 passageiros (dependendo do projeto da carroceria)
- Sistema de propulsão baseado em uma variante mais robusta do trem de força ZED
A eletrificação de um articulado é um desafio técnico — maior peso, maior consumo, rotas longas e contínuas. A Agrale aposta na integração com baterias de maior capacidade e sistemas de gerenciamento térmico de última geração para garantir eficiência nas operações de BRT e corredores expressos.
Diferença essencial entre os modelos:
- MT 17.0 LEe: solução elétrica para linhas tradicionais e corredores de média demanda.
- MT 27.0 LEe: resposta zero emissão para sistemas de transporte de massa em grandes cidades.
Onde são produzidos os novos elétricos da Agrale
O projeto é um caso exemplar de cooperação industrial entre Brasil, Argentina e Reino Unido:
| Componente | Local |
|---|---|
| Chassi MT 17.0 LE (base) | Agrale do Brasil — Caxias do Sul (RS) |
| Sistema de propulsão ZED | Equipmake — Reino Unido |
| Eletrificação e montagem final | Agrale Argentina — Mercedes (Província de Buenos Aires) |
O MT 17.0 LEe se tornou o primeiro ônibus elétrico fabricado localmente na Argentina, ampliando a competitividade regional frente aos modelos importados da China.
Entregas na Argentina

A Agrale iniciou a entrega dos primeiros ônibus elétricos MT 17.0 LEe em Buenos Aires, marcando o lançamento do Sistema TramBus, o novo modelo de mobilidade sustentável da capital argentina. A licitação total prevê o fornecimento de 82 ônibus elétricos, sendo 60 unidades do modelo MT 17.0 LEe e 22 unidades do modelo articulado MT 27.0 LEe (capacidade para 135 pessoas). Eles somam aos 12 micro-ônibus elétricos já fornecidos para rotas culturais e do centro histórico da cidade.
Disponibilidade para o mercado brasileiro
Apesar de dominarem o noticiário latino-americano, especialmente com a adoção em Buenos Aires, os modelos elétricos ainda não foram incorporados ao portfólio da empresa no Brasil.



