Não é novidade que a Toyota já registrou a picape grande da marca no Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI). O movimento, feito em diferentes momentos, é visto pelo mercado como um passo para proteger o nome e manter aberta a possibilidade de comercialização no Brasil. Agora, ela foi apresentada com novidades para linha 2026.
Embora seja uma full-size de porte avantajado, a Toyota Tundra tem Peso Bruto Total (PBT) na faixa dos 3.500 kg. Esse detalhe técnico favorece o comercial: permite que ela seja classificada como caminhonete, podendo ser conduzida com CNH categoria B e sem as restrições aplicáveis a modelos como Ram 2500 e Ram 3500, que, pelo PBT mais elevado, são enquadradas como caminhões no Brasil.
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O que hoje existe de concreto são os registros no INPI e uma sequência de reportagens da imprensa especializada apontando que a picape está “em estudos” para o mercado brasileiro. A movimentação ocorre em um contexto de que o segmento de picapes grandes deixou de ser nicho e passou a ganhar escala com a chegada de rivais de peso.
Entre elas estão a Ford F-150, a Chevrolet Silverado e a Ram 1500. A presença dessas concorrentes alterou o cenário que, anos atrás, levou a própria Toyota a afirmar que não tinha planos de vender a Tundra no País.
Hoje, o discurso oficial permanece cauteloso — não há confirmação de lançamento nem cronograma definido —, mas o registro recorrente da marca e o amadurecimento do segmento aumentam as chances de uma decisão positiva.
O que muda na linha 2026
A atualização 2026 não representa uma revolução estética, mas reforça o caráter robusto e tecnológico da picape. A estratégia foi aprimorar pontos-chave para enfrentar diretamente F-150, Silverado e Ram 1500.
No design, surgem novas cores e pacotes visuais específicos. A versão TRD Pro, por exemplo, passa a oferecer a exclusiva tonalidade Wave Maker, reforçando a identidade off-road. O visual segue mais agressivo e futurista, alinhado ao perfil do consumidor norte-americano — e potencialmente ao brasileiro desse segmento.
Híbrida como protagonista
Se por fora as mudanças são pontuais, sob o capô está a principal carta da Toyota. A versão híbrida i-FORCE MAX combina motor V6 biturbo com sistema eletrificado, entregando 437 cv e 790 Nm de torque. O desempenho impressiona: aceleração de 0 a 100 km/h em cerca de 5,7 segundos — números que a colocam entre as picapes mais rápidas da categoria.
Para quem prefere configuração convencional, permanece o V6 biturbo i-FORCE, com 389 cv e 649 Nm, capaz de cumprir o 0 a 100 km/h em aproximadamente 7 segundos. Ambas superam 900 kg de capacidade de carga, atendendo tanto aplicações profissionais quanto uso recreativo.
Não por acaso, a versão híbrida é apontada como a mais provável para uma eventual importação ao Brasil, sobretudo por agregar diferencial tecnológico e posicionamento premium.
Mais autonomia e foco no conforto
Outro avanço importante está na autonomia. A linha 2026 passa a contar com tanque de 122 litros em toda a gama, substituindo versões anteriores de 98 litros. Para um país de dimensões continentais como o Brasil, esse detalhe pode ser decisivo, principalmente em aplicações fora dos grandes centros.
Internamente, o salto de qualidade é evidente. A versão Capstone adota acabamento Shale Premium texturizado e materiais de padrão elevado. Já a Limited aposta em couro com costuras contrastantes. Nas cabines duplas, os passageiros traseiros ganham saídas de ar no console central, enquanto o sistema SmartFlow melhora a eficiência da climatização.
No pacote de equipamentos, a Tundra 2026 inclui engate de reboque padrão com conectores de 7 e 4 pinos em todas as versões. Há ainda estribos laterais retráteis elétricos na Platinum, rodas de 20 polegadas no pacote SX e kit de elevação de três polegadas para reforçar a aptidão off-road.
Preço e posicionamento
Nos Estados Unidos, os preços variam de aproximadamente US$ 40 mil a US$ 80 mil (R$ 207.200 a R$ 414.400 sem os impostos brasileiros), dependendo da configuração. Em eventual importação, a Tundra chegaria ao Brasil em faixa — possivelmente acima — das rivais já estabelecidas, reforçando um posicionamento premium.
A Toyota Tundra é fabricada exclusivamente na fábrica Toyota Motor Manufacturing Texas (TMMTX), em San Antonio, Texas, desde 2008. No entanto, há rumores de que ela possa ser produzida na Argentina, na mesma fábrica da Hilux.
O cenário brasileiro
Quando se fala em picapes Toyota no Brasil, a primeira imagem que vem à mente é a Toyota Hilux, líder histórica entre as médias. No entanto, o avanço das full-size abriu uma nova frente estratégica.
Se a Toyota decidir oficializar a Tundra por aqui, terá em mãos um produto alinhado às exigências atuais do segmento: motorização híbrida potente, alto nível de tecnologia, conforto refinado e — ponto-chave — PBT que permite condução com CNH B.
Por ora, o status permanece como “em estudo”. Mas, no jogo das picapes grandes, o tabuleiro brasileiro mudou — e a Toyota parece disposta a não ficar de fora dessa disputa.
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Toyota lança Pixis Van elétrica e amplia ofensiva em veículos comerciais urbanos
A Toyota reforça a eletrificação no segmento de utilitários leves com o lançamento da versão totalmente elétrica da Pixis Van, uma kei van voltada às demandas operacionais de pequenas empresas, profissionais autônomos e serviços de entrega urbana. O modelo começou a ser comercializado no Japão em 2 de fevereiro de 2026 e marca a ampliação do portfólio de comerciais compactos da marca.
Projetada sobre a plataforma “Kei”, a Pixis Van BEV combina dimensões compactas com soluções técnicas voltadas ao uso intensivo no dia a dia. O conjunto elétrico utiliza bateria de íon-lítio de 36,6 kWh instalada sob o assoalho, preservando a área de carga, e motor elétrico traseiro com 47 kW de potência e aproximadamente 126 Nm de torque. A autonomia estimada é de cerca de 257 quilômetros por carga, patamar considerado adequado para rotas comerciais urbanas e operações de última milha.

Compacta por fora, funcional por dentro
A arquitetura típica dos veículos kei garante elevada manobrabilidade em ruas estreitas, áreas industriais, canteiros de obras e centros urbanos congestionados — cenário cada vez mais comum para entregas rápidas e serviços técnicos. Mesmo com dimensões reduzidas, a área de carga surpreende: são aproximadamente 1,92 metro de comprimento, 1,28 metro de largura e 1,25 metro de altura, com capacidade para até 349 kg de carga útil.
O layout interno privilegia a versatilidade, permitindo o transporte de equipamentos, ferramentas e mercadorias com aproveitamento total do espaço. A posição da bateria sob o piso contribui para centro de gravidade mais baixo, melhor estabilidade e manutenção do volume interno, fator crítico em veículos voltados ao trabalho diário.
Recarga rápida e energia embarcada
No campo da recarga, a Pixis Van BEV oferece carregamento rápido em corrente contínua (CC), possibilitando atingir 80% da capacidade em aproximadamente 50 minutos em estação de 50 kW. Também há opções de carregamento em corrente alternada (CA), com conectores padronizados para facilitar a integração à infraestrutura urbana existente.
Um dos diferenciais do modelo é a presença de tomada CA de 1.500 W com compatibilidade com a tecnologia Vehicle-to-Home (V2H). Na prática, o veículo pode alimentar ferramentas elétricas, equipamentos profissionais e até eletrodomésticos em situações emergenciais, ampliando sua funcionalidade para além do transporte — atributo especialmente relevante em cenários de queda de energia ou operações externas.
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