sábado, janeiro 31, 2026

Caminhões de lixo a biometano: Vamos investe R$150 milhões em retrofit

A Vamos, empresa de locação de caminhões, máquinas e equipamentos, está iniciando a transformação de caminhões a diesel para operação com gás natural fóssil ou gás renovável (biometano), em um projeto de retrofit conduzido pela BMB, companhia do grupo especializada em customização de veículos pesados. A solução utiliza motorização e sistemas desenvolvidos pela MWM, subsidiária da Tupy, tecnologia já aplicada em frotas de grupos como Sada, Cocal, PepsiCo e Tegma, entre outros usuários de caminhões a gás.

O investimento da Vamos no projeto soma R$ 150 milhões, com a previsão de transformação de 100 caminhões pela BMB, que deverão ser entregues até o fim do primeiro trimestre deste ano para operação na limpeza urbana do Rio de Janeiro. Considerando veículo mais retrofit e implemento, o valor médio por unidade é de R$ 1,5 milhão. A título de curiosidade, um Scania G 340 4×2 a gás, hoje na casa de R$ 1.196.090; e um G-410 6×2, R$ 1.299.357, segundo a Fipe.

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Quanto custa transformar o caminhão

No nível do caminhão individual, o custo do retrofit para substituição da motorização a diesel por solução MWM a gás varia entre R$ 200 mil e R$ 300 mil por unidade, de acordo com a potência do motor (máxima de 330 cv) e a quantidade de cilindros instalada para armazenamento do gás. Esses valores se referem apenas ao processo de conversão (motor, sistemas de gás e integração), sem incluir o preço do caminhão base, que compõe o pacote final.

A combinação entre custo de capital e economia operacional mira o TCO (custo total de propriedade) de frotas de alta quilometragem, em que o payback da conversão tende a ocorrer entre 1 e 3 anos quando há uso intensivo e boa oferta de gás, principalmente em soluções dual fuel ou 100% gás com contratos estruturados com concessionárias. Estudos e pilotos com pesados a gás indicam redução de 10% a 15% no custo por quilômetro rodado, podendo chegar a até 50% em cenários dual fuel com alta substituição de diesel por GNV, segundo a Abiogás.

Como é feita a transformação na BMB

A transformação dos veículos ocorre na unidade da BMB em Porto Real (RJ), em um fluxo industrial que espelha a lógica de linha de montagem, porém com foco em retrofit e customização para aplicação urbana. O processo envolve a retirada do motor original a diesel e instalação de um motor MWM dedicado a gás natural/biometano, adequações estruturais no entre‑eixos para receber os cilindros, desenvolvimento de peças de interface e integração do sistema eletrônico de controle, seguido de testes de desempenho e rodagem em rodovias.

A MWM responde pela arquitetura técnica do produto, que inclui o motor a gás, o sistema de armazenamento (cilindros, suportes, válvulas e linhas) e a integração com o veículo, assegurando conformidade com requisitos de segurança, durabilidade e as normas mais restritivas de emissões. Um diferencial do pacote é a calibração customizada dos motores, ajustada para diferentes rotas e ciclos operacionais, o que permite otimizar consumo, reduzir emissões e adequar desempenho às exigências da coleta urbana no Rio de Janeiro.

Benefícios ambientais e operacionais

Os caminhões retrofitados mantêm desempenho equivalente aos modelos a diesel, segundo as empresas envolvidas no projeto, mas com redução expressiva de gases de efeito estufa e ganhos relevantes de eficiência. Em cenários de operação com biometano, a redução de CO₂ pode chegar a cerca de 90% na comparação com o diesel, com queda de até 99% no material particulado e diminuição de aproximadamente 20% no nível de ruído, atributo importante para serviços urbanos em áreas residenciais.

Esses resultados se somam à lógica de economia circular, ao aproveitar o biometano gerado a partir de resíduos para abastecer os próprios veículos que fazem a coleta, conceito que já aparece em projetos de frotas urbanas de lixo no Brasil. O uso do GNV, por ser de origem fóssil, deve ser utilizado apenas na falta do biometano.

Atores envolvidos e contexto de mercado

A iniciativa da Vamos tem participação direta da Comlurb, companhia de limpeza urbana do Rio de Janeiro, responsável pelos serviços de coleta de resíduos, e da Força Ambiental, empresa terceirizada que fornece os veículos e opera a frota na cidade. As duas organizações já receberam as primeiras unidades a gás e atuam como vitrine de aplicação real do retrofit em escala, com foco em renovação de frota e cumprimento de metas ambientais nos contratos públicos.

Hoje, o mercado de retrofit de caminhões pesados a diesel para gás no Brasil ainda é concentrado e majoritariamente B2B, com poucos atores diretamente posicionados na conversão. Além da MWM, que lidera projetos de substituição completa de motor para operação 100% a gás, empresas como Tecnogás GNV e Convergas Fuel Systems atuam em soluções de GNV pesado e integração de sistemas de gás, inclusive em projetos dual fuel em parceria com frotistas, concessionárias e distribuidoras regionais de gás.

Principais players em retrofit de caminhões a gás

Tipo de solução Empresa Foco principal
Retrofit completo (troca de motor) MWM (Tupy) Motores 100% gás/biometano, sistemas de armazenamento, homologação e integração.
Kits e sistemas GNV para pesados Tecnogás GNV Instalação de kits GNV e soluções para frotas leves, médias e pesadas.
Integração de sistemas de gás Convergas Fuel Systems Engenharia e integração de gás natural e biometano em projetos com frotistas.
Projetos com montadoras/frotistas PepsiCo + MWM Caminhão semileve diesel convertido para 100% gás/biometano.
Projetos dual fuel (diesel + GNV) Frotas como Tegma Operações híbridas com alta taxa de substituição de diesel por gás.
Além da Scania, que já conta com o maior portfólio de fábrica, as montadoras Iveco, Volkswagen e Mercedes-Benz preparam para futuros lançamentos de modelos a gás.
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Marcos Villela Hochreiter
Marcos Villela Hochreiterhttps://www.frotanews.com.br
Atuo como jornalista no setor da mobilidade desde 1989 em diversas redações. Também nas áreas de comunicação da Fiat e da TV Globo, e depois como editor da revista Transporte Mundial por 22 anos, e diretor de redação de núcleo da Motor Press Brasil. Desde 2018, represento o Brasil no grupo do International Truck of the Year (IToY), associação de jornalistas de transporte rodoviário de 34 países. Desde 2021, também atuo como colaborador na Fabet (Fundação Adolpho Bósio de Educação no Transporte, entidade educacional sem fins lucrativos). Em 2023, fundei a plataforma de notícias de transporte e logística Frota News, com objetivo de focar nos temas que desafiam as soluções para gestão de frotas.
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