O balanço de 2025 apresentado pela ABEIFA (Associação Brasileira das Empresas Importadoras e Fabricantes de Veículos Automotores) revela mais do que um ano positivo: expõe uma mudança estrutural em curso no mercado automotivo brasileiro. Enquanto o mercado total avançou modestos 2,6%, as associadas da entidade cresceram 31,7%, ampliando participação, influência e protagonismo — especialmente na eletrificação.
O desempenho coloca a ABEIFA no centro das transformações que devem moldar o setor entre 2026 e 2030, período marcado por pressão regulatória, avanço tecnológico, entrada definitiva das marcas chinesas e mudança no comportamento do consumidor, como detalha o estudo apresentado pela Bright Consulting durante a coletiva.
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Em 2025, as associadas da ABEIFA emplacaram 137.973 veículos, contra 104.729 no ano anterior. Nos importados, o avanço foi ainda mais expressivo: 36%, ampliando a participação da entidade para 27,2% do mercado total de importados.
Mas o dado mais simbólico está na eletrificação. Dos 285 mil veículos eletrificados vendidos no Brasil em 2025, 129 mil vieram das associadas da ABEIFA. Isso representa 45,3% de participação, consolidando a entidade como o principal vetor da transição energética no país.
Segundo a Bright Consulting, a eletrificação entrou em uma nova fase: deixou de ser aposta experimental e passou a ser infraestrutura de negócio. A queda acelerada do custo das baterias — de cerca de US$ 165/kWh para próximo de US$ 100/kWh — deve levar à paridade de preços entre veículos elétricos e a combustão já em 2026, especialmente nos segmentos compactos.
O futuro, no entanto, será eclético:
- Híbridos leves e plenos (MHEV/HEV) ganham escala;
- Plug-ins se consolidam no premium e no urbano;
- Elétricos puros avançam nos centros urbanos;
- Soluções como EREV surgem como ponte para mercados emergentes.

Esse cenário favorece diretamente o perfil das marcas associadas à ABEIFA, que operam com portfólios mais tecnológicos e alinhados às novas exigências ambientais.
A força chinesa e o novo equilíbrio global
Outro ponto central do estudo é a consolidação da China como player sistêmico global. Em 2025, marcas chinesas já alcançaram 9,5% de participação no mercado brasileiro, com projeção de chegar a 18% até 2030, deixando definitivamente o status de “entrantes” para assumir papel de protagonistas.

Dentro da ABEIFA, essa presença é ainda mais evidente: a BYD respondeu por mais de 80% do volume da entidade em 2025. O dado reforça o peso das chinesas na eletrificação, mas também evidencia o desafio de diversificação e equilíbrio de portfólio entre as associadas.
Política automotiva: o jogo ficou mais caro e mais complexo
A coletiva também deixou claro que o ambiente regulatório será decisivo nos próximos anos. A combinação de:
- Programa MOVER;
- Reforma Tributária;
- Retomada gradual do Imposto de Importação para eletrificados;
- redefine custos, estratégias industriais e decisões de investimento.
De acordo com a Bright Consulting, veículos eletrificados importados como CBU ou SKD podem sofrer aumentos de até 8% nos preços finais com a elevação do Imposto de Importação para 35%. Por outro lado, projetos com 55% ou mais de conteúdo local tendem a ter impacto bem menor, criando uma pressão clara pela nacionalização produtiva.



