quarta-feira, janeiro 28, 2026

ABEIFA cresce 12 vezes acima do mercado e assume protagonismo na nova indústria automotiva

O balanço de 2025 apresentado pela ABEIFA (Associação Brasileira das Empresas Importadoras e Fabricantes de Veículos Automotores) revela mais do que um ano positivo: expõe uma mudança estrutural em curso no mercado automotivo brasileiro. Enquanto o mercado total avançou modestos 2,6%, as associadas da entidade cresceram 31,7%, ampliando participação, influência e protagonismo — especialmente na eletrificação.

O desempenho coloca a ABEIFA no centro das transformações que devem moldar o setor entre 2026 e 2030, período marcado por pressão regulatória, avanço tecnológico, entrada definitiva das marcas chinesas e mudança no comportamento do consumidor, como detalha o estudo apresentado pela Bright Consulting durante a coletiva.

Em 2025, as associadas da ABEIFA emplacaram 137.973 veículos, contra 104.729 no ano anterior. Nos importados, o avanço foi ainda mais expressivo: 36%, ampliando a participação da entidade para 27,2% do mercado total de importados.

Mas o dado mais simbólico está na eletrificação. Dos 285 mil veículos eletrificados vendidos no Brasil em 2025, 129 mil vieram das associadas da ABEIFA. Isso representa 45,3% de participação, consolidando a entidade como o principal vetor da transição energética no país.

Segundo a Bright Consulting, a eletrificação entrou em uma nova fase: deixou de ser aposta experimental e passou a ser infraestrutura de negócio. A queda acelerada do custo das baterias — de cerca de US$ 165/kWh para próximo de US$ 100/kWh — deve levar à paridade de preços entre veículos elétricos e a combustão já em 2026, especialmente nos segmentos compactos.

O futuro, no entanto, será eclético:
  • Híbridos leves e plenos (MHEV/HEV) ganham escala;
  • Plug-ins se consolidam no premium e no urbano;
  • Elétricos puros avançam nos centros urbanos;
  • Soluções como EREV surgem como ponte para mercados emergentes.
ABEIFA
Apresentação da Bright Consulting

Esse cenário favorece diretamente o perfil das marcas associadas à ABEIFA, que operam com portfólios mais tecnológicos e alinhados às novas exigências ambientais.

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A força chinesa e o novo equilíbrio global

Outro ponto central do estudo é a consolidação da China como player sistêmico global. Em 2025, marcas chinesas já alcançaram 9,5% de participação no mercado brasileiro, com projeção de chegar a 18% até 2030, deixando definitivamente o status de “entrantes” para assumir papel de protagonistas.

ABEIFA
Fonte: Bright Consulting

Dentro da ABEIFA, essa presença é ainda mais evidente: a BYD respondeu por mais de 80% do volume da entidade em 2025. O dado reforça o peso das chinesas na eletrificação, mas também evidencia o desafio de diversificação e equilíbrio de portfólio entre as associadas.

Política automotiva: o jogo ficou mais caro e mais complexo

A coletiva também deixou claro que o ambiente regulatório será decisivo nos próximos anos. A combinação de:

  • Programa MOVER;
  • Reforma Tributária;
  • Retomada gradual do Imposto de Importação para eletrificados;
  • redefine custos, estratégias industriais e decisões de investimento.

De acordo com a Bright Consulting, veículos eletrificados importados como CBU ou SKD podem sofrer aumentos de até 8% nos preços finais com a elevação do Imposto de Importação para 35%. Por outro lado, projetos com 55% ou mais de conteúdo local tendem a ter impacto bem menor, criando uma pressão clara pela nacionalização produtiva.

Outro dado relevante para o setor de frotas: 47% dos emplacamentos em 2025 vieram de vendas diretas, movimento impulsionado por juros elevados e maior racionalidade do consumidor. O varejo tradicional recuou, enquanto empresas, locadoras e frotas corporativas sustentaram o crescimento do mercado.

Esse cenário reforça a importância de:
  • TCO (Custo Total de Propriedade);
  • Pós-venda;
  • Garantias estendidas;
  • Segurança ativa (ADAS);

que deixaram de ser diferenciais e passaram a ser pré-requisitos na decisão de compra.

Importação oficial: de vilã a elo estratégico

Talvez a mensagem mais clara do estudo da Bright Consulting seja a redefinição do papel do importador. Longe de ser um obstáculo à indústria nacional, a importação oficial passa a ser vista como:

  • fronteira de inovação;
  • laboratório de novas tecnologias;
  • pré-industrialização de futuros projetos locais.

“Sem a pressão competitiva do importado, a indústria local perde referência de eficiência global”, aponta o estudo, defendendo a importação como parceira da modernização, e não como inimiga do desenvolvimento industrial brasileiro.

BMJ apresenta a visão de impacto do acordo Mercosul e União Europeia

ABEIFA
Apresentação da BMJ

O acordo entre o MERCOSUL e a União Europeia, assinado em 17 de janeiro após 26 anos de negociações, promete uma transformação profunda no setor automotivo brasileiro com a abertura gradual de mercado para veículos europeus1. Para veículos a combustão, o cronograma estabelece uma carência de seis anos com a alíquota atual de 35%, seguida por uma redução linear que culminará em tarifa zero no 15º ano2. O processo é acompanhado por uma quota de transição de 50 mil unidades anuais nos primeiros sete anos (sendo 32 mil para o Brasil) com tarifa reduzida de 17,5%, além de regras de origem que exigem um índice mínimo de 55% de componentes regionais para veículos e 50% para autopeças.

A transição energética também ganha destaque com prazos diferenciados para novas tecnologias: veículos elétricos e híbridos terão suas tarifas reduzidas a zero em 18 anos, começando com uma alíquota de 25% nos primeiros cinco anos4. Modelos a hidrogênio possuem um cronograma ainda mais extenso, de 25 anos, enquanto outras tecnologias alternativas podem levar até 30 anos para atingir a isenção total5555. Para proteger a indústria nacional de possíveis desequilíbrios, o acordo prevê salvaguardas que permitem retomar a alíquota de 35% por até cinco anos caso seja comprovado dano ao setor produtivo local.

Assista vídeo resumo da coletiva de imprensa:

Um novo centro de gravidade

Os dados apresentados pela ABEIFA e pela Bright Consulting convergem para uma mesma conclusão: o centro de gravidade do mercado automotivo brasileiro está se deslocando.

A eletrificação avança em múltiplos níveis, a China se consolida como potência industrial, o consumidor se torna mais racional e tecnológico, e a política automotiva passa a definir vencedores e perdedores.

Nesse novo cenário, a ABEIFA deixa de ocupar um espaço periférico e assume, cada vez mais, um papel estratégico na modernização da frota brasileira.

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Filipi Goschrman
Filipi Goschrmanhttps://www.frotanews.com.br
Filipi Goschrman é um profissional com ampla experiência em inteligência de mercado, tendência, comportamento e negócios. Há 10 anos, se dedica a analisar e entender o mercado e os consumidores. Responsável pelo planejamento comercial do Frota News, atua também como diretor executivo do Guia de Turismo de São Paulo, uma plataforma de serviços e soluções para o turismo na cidade de São Paulo.
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