quarta-feira, janeiro 28, 2026

Pelo mesmo preço: Fiat Toro Ranch ou Ram Rampage Big Horn? 

As duas picapes médias-compactas compartilham a mesma base de engenharia do grupo StellantisFiat Toro e Ram Rampage. A Fiat Toro foi desenvolvida para atuar como alternativa de melhor custo-benefício, enquanto a Ram Rampage ocupa uma posição mais premium. No entanto, há um ponto em que esses “primos pobres e ricos” se encontram em valor: na faixa dos R$ 200 mil, segundo valores médios divulgados em campanhas publicitárias pelas concessionárias — aproximadamente 15% abaixo do preço sugerido pelas marcas. Esse encontro ocorre justamente entre a versão topo de linha da Fiat Toro, a Ranch, e a versão de entrada da Ram Rampage, a Big Horn.

Diante desse cenário, surge o dilema: optar por uma escolha racional e com mais equipamentos de segurança ou se deixar levar pela emoção gerada pela grife? A seguir, detalhamos as diferenças essenciais entre essas duas opções. 

O ponto de partida desta análise é fundamental: trata-se de uma comparação entre o topo de uma linha e a base da outra. A Fiat Toro Ranch simboliza o que há de mais sofisticado na gama da fabricante italiana, reunindo acabamento mais simples, amplo pacote tecnológico de segurança e todos os itens de conforto disponíveis para o universo Fiat.  

 Leia também

Por outro lado, a Rampage Big Horn representa o ponto de entrada no universo Ram, trazendo consigo o prestígio do nome e o status de uma picape voltada para um público que valoriza uma grife. Apesar da proposta sofisticada, o nível de equipamentos presentes na Rampage Big Horn é diferente e inferior em comparação à Toro Ranch, evidenciando um perfil a favor de luxo, mas econômica em tecnologias de assistência de condução. 

Trem de força

Ambas as picapes compartilham o mesmo trem de força: o motor turbodiesel 2.2, capaz de entregar 200 cv de potência e torque máximo de 450 Nm já a partir de 1.500 rpm. No caso da Toro, há ainda opções flex (gasolina/etanol), equipadas com o motor 1.3 de 176 cv e 270 Nm de torque. Já a Rampage oferece a versão R/T 2.0, que entrega 272 cv e 400 Nm de torque. Para o público que ainda não tem familiaridade com motores a diesel, vale destacar os principais pontos positivos e negativos desse tipo de motorização: 

Vantagens (Diesel) 
  • Economia de combustível: A maior vantagem. O diesel é mais eficiente, resultando em um consumo significativamente menor, especialmente em viagens longas e uso rodoviário. Segundo o Inmetro, o consumo urbano é de 10,5 km/l, e rodoviário de 13,6 km/l. Por outro lado, o preço do litro do diesel, ultimamente, é maior do que o da gasolina, principalmente, do S-10 B15, com 15% de biodiesel, biocombustível mais caro.  
  • Torque em baixas rotações: O motor a diesel entrega o torque máximo de 450 Nm muito cedo (1.500 rpm), ideal para trabalho pesado, subir ladeiras íngremes ou situações de tração 4×4 off-road. 
  • Maior autonomia: Devido ao menor consumo, o tanque da Toro proporciona uma autonomia muito superior, reduzindo a frequência de paradas para abastecer. No uso rodoviário, pode rodar 816 km. 
  • Maior Durabilidade: Motores a diesel são tradicionalmente construídos para serem mais robustos e duráveis, suportando maior quilometragem se a manutenção for feita corretamente. 
Desvantagens
  • Custo de manutenção mais alto: O motor diesel exige peças e fluídos mais caros (como o Arla 32 em modelos mais recentes) e a mão de obra especializada tende a ser mais cara. Com o novo diesel S-10 B15 requer mais cuidadosO diesel B15, que contém 15% de biodiesel, portanto, mais suscetível à absorção de água, o que pode favorecer a formação de borras, fungos e bactérias no sistema de combustível, causando entupimentos e falhas. Para evitar esses problemas, é essencial manter o tanque sempre abastecido, evitar longos períodos com o combustível parado, utilizar aditivos específicos que protejam o sistema de injeção e realizar manutenções preventivas com regularidade.  
  • Vibração e ruído: Embora os motores modernos tenham melhorado, o diesel ainda é mais ruidoso e vibra mais que o motor a gasolina, especialmente em marcha lenta. 
  • Menor desempenho em aceleração: A Toro diesel é mais lenta nas retomadas e na aceleração total quando comparada diretamente com o potente motor a gasolina da Rampage. 
Seminário Educação para Logística
Realização: Frota Educação. Inscrições: Sympla

Equipamentos e status 

Agora, vamos ao comparativo direto entre os itens de série da Fiat Toro e da Ram Rampage. Organizamos em três blocos: itens em comumexclusivos da Toro e exclusivos da Rampage. 

Itens em Comum (presentes nos dois modelos) 
  • Ar-condicionado digital dual zone 
  • Apoia braço central e traseiro 
  • Android Auto e Apple CarPlay sem fio 
  • Antena Tubarão 
  • Câmera de ré 
  • Capota marítima 
  • Central multimídia grande (Toro 10” / Rampage 12,3”) 
  • Chave telecomando + Keyless Entry N Go 
  • Contorno/moldura da grade dianteira cromada 
  • Controle eletrônico de estabilidade (ESP) 
  • Faróis Full LED + DRL + função Cornering nos auxiliares 
  • Freios a disco nas quatro rodas 
  • Freio de estacionamento eletrônico com função Auto Hold 
  • Hill Descent Control (HDC) 
  • Lanternas em LED 
  • Limitador de velocidade 
  • Partida remota 
  • Protetor de cárter 
  • Quadro de instrumentos digital (Toro 7”/10,3”; Rampage 10,3”) 
  • Retrovisores externos elétricos, com rebatimento elétrico e luzes de cortesia/direção 
  • Revestimento parcial em vinil (painel, portas, volante) 
  • Roda de liga leve (Toro 18” / Rampage 17”) 
  • Saídas de ar traseiras 
  • Sensores de estacionamento dianteiro e traseiro 
  • Sistema de monitoramento da pressão dos pneus (TPMS) 
  • Assistente de partida em aclives (Start Assist/Hill Holder) 
  • Tração 4×4 Auto + reduzida 
  • Transmissão automática de 9 marchas 
  • Volante em couro com regulagem de altura e profundidade 
  • 6 Airbags (frontais, laterais e de cortina dianteiros/traseiros) 
  • Portas USB (Toro não especifica quantidade; Rampage traz 6, sendo 3 tipo C) 
  • Wireless Charger 
Exclusivos da Fiat Toro 
  • ADAS: Frenagem autônoma de emergência (AEB), Aviso de saída de faixa (LDW), Comutação automática do farol alto (AHB) 
  • Santo Antônio cromado 
  • Estribos laterais cromados 
  • Friso lateral cromado 
  • Grade dianteira cromada com logo Fiat Flag 
  • Câmera de ré + sensores com integração visual no cluster 
  • Iluminação ambiente no assoalho (LED ambient lights) 
  • Paddle-shifters no volante 
  • Para-choques com pintura parcial/cromados e soleira cromada traseira 
  • Piloto automático com controlador de velocidade adaptativo (dependendo da versão ADAS) 
  • Revestimento esportivo da coluna central das portas 
  • Rodas 18” com pneus ATR (225/60 R18) 
  • Sistema Fiat Connect/// Me (conectividade ampliada) 
  • Wireless Charger 

Exclusivos da Ram Rampage 

  • Abertura remota da tampa traseira 
  • Ajuste elétrico de altura do farol 
  • Central multimídia maior (12,3”) 
  • Quadro de instrumentos Full Digital 10,3” 
  • Iluminação interna de caçamba em LED 
  • Tampa traseira amortecida 
  • Seletor rotativo de marchas (ao estilo RAM 1500) 
  • Sistema eletrônico de mitigação de rolagem da carroceria 

Mercado: Rampage é mais lucrativa para fabricante e rede

A Stellantis não divulga os números de vendas por versões, mas a Fenabrave (entidade que representa as concessionárias) divulga os números de emplacamentos, incluindo todas as versões. Mesmo a Rampage ter emplacado pouco mais de 15 mil unidades, metade da quantidade Toro (mais de 30 mil) nos oito meses de 2025, a Rampage, proporcionalmente ao tamanho da rede e o preço, é um veículo que faz mais sucesso do que a prima primogênita.  

Considerando que a rede RAM conta com pouco mais de 100 unidades, podemos considerar que a venda média em 2025 (até agosto) foi de 150 unidades por concessionária. No caso da Toro, a entrega média por revenda foi 60 picapes Toro, considerando uma rede com cerca de 500 endereços.  

Leia mais:

Renault Duster Iconic Plus 1.3 TCe: um SUV para uma escolha racional 

Com base nos números de emplacamentos de 15 mil Rampage, fazendo uma conta por baixo (ticket médio de 226 mil para a versão de entrada), o modelo de grife garantiu um faturamento de R$ 3,4 bilhões para Stellantis. No caso da Toro, também considerando a venda de 15 mil unidades da versão básica (R$ 159 mil), foi gerado um faturamento de R$ 2,4 bilhões para a fabricante. Portanto, a Rampage garante um faturamento de R$ 1 bilhão a mais para a Stellantis graças à grife do carneiro e o status gerado por ela.  

Conclusão

Para os fãs de RAM raiz, a Rampage sempre será uma Fiat Toro com traje emprestado da marca americana. E, no fim das contas, o dilema dos R$ 200 mil entre Toro Ranche Rampage Big Horn se resume mais ao coração do que à razão. A Toro entrega mais equipamentos de segurança e tecnologia embarcada, com direito a pacote ADAS que a Rampage esconde para vender nas versões mais caras. Já a Big Horn, apesar de ser a “porta de entrada” da RAM, carrega no emblema o peso da grife americana e um charme que seduz quem gosta de ostentar na vaga do shopping. 

Em termos de engenharia, elas são praticamente gêmeas. O motor diesel 2.2 faz o mesmo trabalho nas duas, com economia, robustez e aquele ruído característico que incomoda uns e dá status de “bruta” para outros. A diferença está na estratégia: a Fiat joga com a racionalidade do custo-benefício, enquanto a RAM vende o prestígio da marca. 

Portanto, a escolha é simples: se você quer mais conteúdo e não liga para a pompa, a Toro Ranch é a opção mais sensata. Mas se a vaidade falar mais alto e o desejo for desfilar com o carneiro estampado na grade, prepare-se para renunciar a alguns recursos e aceitar pagar mais pela assinatura da marca. Afinal, como sempre, no mundo automotivo, emoção custa caro. 

- Publicidade -
- Publicidade -
Marcos Villela Hochreiter
Marcos Villela Hochreiterhttps://www.frotanews.com.br
Atuo como jornalista no setor da mobilidade desde 1989 em diversas redações. Também nas áreas de comunicação da Fiat e da TV Globo, e depois como editor da revista Transporte Mundial por 22 anos, e diretor de redação de núcleo da Motor Press Brasil. Desde 2018, represento o Brasil no grupo do International Truck of the Year (IToY), associação de jornalistas de transporte rodoviário de 34 países. Desde 2021, também atuo como colaborador na Fabet (Fundação Adolpho Bósio de Educação no Transporte, entidade educacional sem fins lucrativos). Em 2023, fundei a plataforma de notícias de transporte e logística Frota News, com objetivo de focar nos temas que desafiam as soluções para gestão de frotas.
- Publicidade -

ASSINE NOSSA NEWSLETTER

Últimas notícias
você pode gostar:

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui